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TEMPO

por João Brito, em 23.08.22

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Às vezes, penso se teria sido bom o tempo ter parado, antes de me ter alcançado.
Conquanto saiba que o decorrer é uma constante do tempo e o seu passar tudo mudou.
Dizem os entendidos que isto acontece de tempos a tempos e só a nós. Vem da noite dos tempos e lembra-nos, quando estamos sós, do tempo que passou.
Está escrito nos livros, que o tempo preservou, que o tempo nunca parou.
Assim, far-se-á num tempo que voou, o tempo que corre feito um louco.
Contudo, demos tempo ao tempo porque, a seu tempo, surge uma nesga de tempo pra sorrir um pouco.

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O TEMPO

por João Brito, em 01.10.21

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É provável, embora não descarte a possibilidade de ser inverosímil, que algumas pessoas, que habitualmente se preocupam com o tempo, já tenham participado, de alguma forma, em debates sobre o tema. Particularmente, devido à importância que tem no seu quotidiano, seja a contar o tempo ou fazer tempo que não são bem a mesma coisa. Algo impensável em tempo que não dista muito do tempo actual. Esta discorrência é, exclusivamente, para essas pessoas.

Normalmente, recorre-se ao tempo quando não ocorre mais nada para dizer ou quando falta dizer tudo a seu tempo, senão quando falta dizer qualquer coisa.
Outros casos há em que não se conhece o interlocutor de nenhum lado ou, pelo contrário, presume-se que se conhece bestialmente bem, só porque a cara é familiar. Para não dizer daqueles casos em que se conhece de ginjeira, apesar de ficar a dúvida sobre se o fulano ou a beltrana é de ginjeira ou do Ginjal.
Como já se devem ter apercebido, este último parágrafo nada tem a ver com o tempo, mas, de tempos a tempos, divago, desculpem.
Pela experiência que tenho destes tópicos de discussão, acho que apenas zero vírgula um por cento das pessoas considera o tempo como um assunto interessante, já que a generalidade o considera uma perda de tempo. Contudo, penso, embora sem certeza, que uma percentagem significativa de pessoas prefere mencionar o tempo que faz ou fez no próprio dia, enquanto outras preferem falar sobre o tempo que fez durante a semana, seguidas das que escolhem o tempo que fez no último mês como tema de conversa e das que preferem resumir o estado do tempo que fez durante o último ano. Ainda assim, há algumas que estão sempre a queixar-se de que não lhes sobra tempo para nada e eu pergunto: para que precisam de tempo para nada?
Finalmente, há uma percentagem ínfima de pessoas que prefere padronizar o quinquénio, o decénio ou até o último século.
Sublinho que estas suposições não passam de teses, não obstante a experiência pessoal; nunca é demais referir. Por conseguinte são pouco fiáveis do ponto de vista sociológico e até temporal, digamos assim. Todavia, isto é só para matar o tempo, como, certamente, já presumiram.
Se calhasse perguntar a uma pessoa muito idosa o que pensava sobre o tempo, provavelmente debruçar-se-ia sobre o tempo da outra senhora, quiçá, a Dona Urraca ou o Dom Fuas Roupinho. Ou, se calhar, referir-se-ia à intemporalidade de Frei Luís de Sousa, por exemplo. Porém, devo enfatizar que posso estar a incorrer num enorme equívoco temporal. Fica aqui a ressalva.
Sobre a exploração semântica do tempo, da sua interinidade e das transformações morfológicas associadas, desculpem lá, mas não me debruço porque, no meu fraco entendimento, é uma coisa sem pés nem cabeça. Até porque hoje é daqueles dias em que não há tempo para mais e além do mais, "time is money", como dizia aquele inglês muito fleumático, além de parvo e absurdamente materialista.
E, em jeito de conclusão - peço, desde já, muita desculpa pela escassez do tempo - , quem não tem uma relação afectiva com o tempo, atire a primeira pedra!
O tempo tem um valor sentimental inestimável para mim, pois adoro dizer frases feitas como: "No meu tempo o carapau era a vinte e cinco tostões o quilo"; "no meu tempo é que era bom" ou "no meu tempo havia mais respeitinho", et cetera.
Todavia, também tem dias em que me zango com o tempo. É assim a modos como uma relação amor-ódio, estão a ver a coisa?
Quantas vezes já vos aconteceu sair com o guarda-chuva e não chover? Dá ou não dá uma raiva do caraças?! O contrário também é válido, ou seja: de certeza que já vos aconteceu sair sem o guarda-chuva e desatar a chover; são situações recorrentes, de tal modo que se tornaram triviais no dia a dia das pessoas, independentemente da altura do ano, pois são daquelas incoerências do tempo que, às vezes, nos irritam sobremaneira, sobretudo quando não há tempo para aturar as excentricidades do tempo.
Também há por cá muitos meninos e meninas que só se lembram do tempo quando faz trovoada; é vê-los a rezar a Santa Bárbara, quais convertidos de última hora.
Estas coisas têm de ser feitas a tempo e horas e, além disso, é preciso dar tempo ao tempo, amadurecer as convicções, as ideias. Não se convertem descrentes em dois tempos!
Porém, acredito piamente que nós, de um modo geral, temos uma vocação oculta. Isto porque invocamos muitas vezes São Pedro como culpado número um do estado do tempo, exigindo, até, a sua substituição por uma pessoa mais nova e, naturalmente, mais competente para ocupar um cargo de grande responsabilidade como o que desempenha desde há milénios. Pudera! O homem regula o tempo desde a noite dos tempos e, ademais, acumula a função de porteiro do Céu, talvez, desde tempos imemoriais. Ora, isto já é muita responsabilidade, junta, para um ancião fora do tempo!
No fundo - parafraseando Chico Buarque no seu Fado Tropical - todos nós herdámos no sangue lusitano uma boa dose de previsão do tempo..."além da sífilis, claro"

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O TEMPO

por João Brito, em 01.04.20

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Estou cá a idear em como seria bom o tempo parar antes do tempo em que o tempo tudo mudou.
Dizem os entendidos que isto acontece de tempos a tempos; que já aconteceu na noite dos tempos. Está escrito nos livros antigos que o tempo preservou.
Não podemos, então, desejar que isto passe em dois tempos; em tempo se resolverá.
Demos tempo ao tempo porque, a seu tempo, sorriremos de novo.
Entretanto, matemos o tempo a pensar sobre a melhor forma de amansar esta inquietude; feita disto e demais contratempos.

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