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ÁLCOOL AO VOLANTE

por João Castro e Brito, em 10.01.24

álcool ao volante.jpg

"Segundo o Código da Estrada, é proibido conduzir sob influência de álcool ou de substâncias psicotrópicas.
De acordo com a legislação, isto corresponde a uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,5 g/l."
Ao que parece – corrijam-me se estiver errado porque eu de volumetria pesco zero, mesmo sabendo que o álcool é um "reagente" – , esta taxa de alcoolemia equivale ao volume de uma garrafa contendo 7,5 dl de vinho tinto de 16 graus ou a um copo com 2 dl de bagaço.
Convenhamos que tudo isto é muito vago, como facilmente inferiram...
E quanto à cerveja, ao uísque, ao gin, à ginjinha, ao brandy, ao leite, à água e a todas as restantes bebidas?
Afinal, como é? Como é que uma pessoa que conduz um veículo automóvel pode saber se o seu nível de alcoolemia infringe a Lei ou não, se não existem tabelas de equivalência entre as várias bebidas que a possam orientar?
Seria fácil se existisse essa tabela, n'é verdade? Nem era necessário andar com um papel sempre à mão de semear, pois bastava descarregá-la para o telemóvel, por exemplo. Ou, até, colá-la no lugar do selo do seguro do carro que já deixou de estar à vista no pára-brisas. Apenas por uma questão de controlo, só para a gente não se esquecer.
Pelas minhas contas – contas de merceeiro, confesso – , beber o tal copo de 2 dl de bagaço, corresponde, a grosso modo, à ingestão de 10 l de leite meio-gordo; 25 hl de Sumol (passe a publicidade); 100 kl de água; 35 frascos de tornesol e 0,5 dl de álcool a 90 graus. Isto, tomando (no sentido restrito) estes líquidos como referência para o efeito.
Sabendo que se atinge o referido limite, consumindo 7,5 dl de vinho tinto ou 2 dl de aguardente vínica, bastava consultar uma tabela de equivalências para ficarmos a saber que seria o mesmo que beber, por exemplo, 25 hl de Sumol (passe a publicidade) mais 10,5 frascos de tornesol ou 10 l de leite meio-gordo e uma colher de sopa de álcool a 90 graus. Porém, como um copo com 2 dl de bagaço equivale mais ou menos a 10 canecas de 0,5 l – ressalvo que estas contas ou estimativas dependem muito da massa corporal de quem consome estes líquidos – , bastará que beba meia garrafa de vinho tinto e o conteúdo de uma dúzia de frascos de tornesol para cair sob a alçada da Lei ou, na hipótese mais acerba, para cair e nunca mais se levantar.
Embora não exista, por enquanto, a tal tabela, e a gente sabe que faz muita falta, não deixe de relevar a minha tese, pela saúde do seu fígado.
Vá por mim que sou barbeiro!

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BALANÇA DE PAGAMENTOS

por João Castro e Brito, em 24.07.23

balança de pagamentos.jpg

O termo é utilizado quando os avozinhos e as avozinhas vão com os netinhos e netinhas ao parque infantil, os sentam nos baloiços e lhes dão pequenos empurrões até os pequeninos e as pequeninas caírem no chão, enjoados de tanto balançarem pra lá e pra cá. A relação entre este fenómeno e a economia é, ainda, de contornos nublados, sobretudo em dias de nevoeiro.
Economistas de nomeada, entre os quais destaco Fernando Medina e Mário Centeno, comungam a tese de que, quanto mais os avós baloiçam os netos, mais as crianças se enjoam e menos jantam. Trata-se de uma vulgar relação inversa entre o financiamento e a interpolação fiduciária, altamente correlacionada com a quantidade de gordura que os meninos e as meninas comem ao almoço. Esta teoria, indubitavelmente de grande interesse público, é de difícil aferição, sabendo-se que Fernando Medina e Mário Centeno não têm netos.
Porém, nada disto respeita a balança, anunciada em epígrafe, quebra-cabeças do ministro das Finanças, Medina. Já para não referir os constantes alertas do Presidente do Banco de Portugal sobre a má utilização dos bom nome e imagem de marca do banco dos portugueses, algo despropositado neste contexto. Mas se examinarmos minuciosamente o que escrevi até aqui, nada se encaixa, n'é verdade? Aliás, pelo andar da carruagem, isto vai descarrilar.
Mas, como dizia, esta teoria pretende confrontar créditos e débitos de diversas rubricas para lhes fixar semelhanças ou relações. Já para não mencionar as ralações que isso dá. Perceberam? Bom, se querem que vos diga, eu, muito menos, mas, continuando que se faz tarde.
Como não pesco nada de economia e muito menos de finanças, não posso expor aqui, em gráfico, a balança de pagamentos para o ano decorrente e seguinte, um ano que se adivinha muito tramado pra todos os tesos militantes. Contudo, vou tentar explicar a coisa da melhor maneira que sei para que todos entendam (inclusive, eu).
Então, é assim: quase toda a gente questiona, e com boa lógica: afinal, como é que esta balança pesa? A questão é candente, mas a resposta é fácil e corrente (passe a redundância, mas é só pra rimar com candente): pesa como as outras e passo a desenvolver o meu raciocínio com uma receita simples: botam-se num prato da balança dois galos de Barcelos bem nutridos e ainda vivos, besuntam-se com molho de manteiga Taveirola (passe a publicidade), panam-se bem com areia da praia-mar, fazem-se-lhes festinhas nas cristas e diz-se-lhes para aguentarem mais um bocadinho.
No outro prato colocam-se trouxas da Malveira, embrulhadas em preservativos (não confundir com camisinhas) e atadinhas com fita de nastro. Polvilha-se o chão com cabeças de alfinetes para abrilhantar, chamam-se os trouxas da Malveira, pergunta-se-lhes se a flutuação da cortiça é maior do que a inflação do euro e dá-se-lhes papas e bolos. Observa-se, então, o fiel da balança e chamam-se os bebedores de Canecas sem cedilha. Bebem-se uns copos de vinho da Azueira, comem-se as trouxas e os trouxas et voilà: a balança de pagamentos torna-se positiva, a crise vai-se embora e os galos param de espernear (?). Então, uma enorme acalmia atinge toda a economia, todas as finanças e todas as taxas de juros, juro!

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