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SINDICATO DOS POLÍTICOS

por João Brito, em 16.01.22

sindicato dos políticos.jpg

O Governo da República está a estudar a hipótese, nunca vista e tampouco imaginada, de se constituir, a médio prazo, uma grande central sindical que englobe, pelo menos, três sindicatos representativos da classe política: um frontal, outro occipital e um terceiro parietal. Este último em plano inclinado para os políticos irem de carrinho.
Pensa-se que será o primeiro país da UE a debater o assunto com muita rectidão, honradez e de forma aberta, sem estigmas nem labéus.
Muito antes deste debate que, não sendo quinzenal, é de primordial importância para a vida nacional – sublinhe-se – , teria havido uma iniciativa, aprovada pela generalidade dos deputados da AR, no sentido de se recolherem assinaturas e serem criadas as condições necessárias para se formar uma associação sócio-profissional com várias tendências partidárias: a primeira para a partida, a segunda para a largada e uma terceira para a fugida. Porém, um louro (vulgo papagaio) do governo sublinha que, por enquanto, ainda está tudo em águas paradas de bacalhau demolhado.
Todavia, dada a natureza do tema, ainda que por enquanto não passe de uma intenção, torna-se evidente a sua complexidade se forem revelados outros pontos em discussão. Assim, há quem defenda a regionalização, distribuindo-se, desse modo, os políticos pelo Norte, pelo Centro, pelo Sul e, naturalmente, pelas regiões autónomas.
Há, também, quem defenda acerrimamente o centralismo, advogando que fique tudo como dantes, "quartel-general em Abrantes" ou seja: Todos os políticos inscritos permanecem no Pequeno-Ocidente-Lusitano, com direito a levarem os jornais A Bola, o Record, O Jogo e o Correio da Manhã para a AR. 
Há, ainda e finalmente, quem defenda com unhas e dentes uma organização com pendor mais marcial, tipo Esquerda-Direita-Opus-Dois, porém, mais pragmática e, naturalmente, mais musculada. É claro que terá de ser um organismo com os pés bem assentes no chão, com batimentos fortes e cadenciados, e de preferência em formação de ordem unida.
Contudo, outras tendências minoritárias lideradas, sobretudo, por independentes de todos os quadrantes ideológicos: partidos ou movimentos políticos, grupos religiosos e até outras vocações inconfessáveis (seria chato confessá-las aqui, como devem calcular), defendem que os políticos profissionais não são trabalhadores por conta própria, nem por conta de outrem, devendo por isso associar-se em cooperativas de produção e comércio de azeite, dado que, de uma maneira geral, são uns grandes azeiteiros!
Um dos pontos com mais enfoque ("enfoque" fica mesmo bem aqui, q'é q'acham?) nas discussões já tidas e havidas – passe a redundância – , centra-se na garantia de, para além do direito ao direito, os políticos passarem a ter direito aos discurso directo, indirecto, indirecto livre, de direito e redondo. Este último, só para não se tornar chato. Ademais, reivindicam menos horas de trabalho de terça a quinta e o direito a coçarem os tomates (somente) nos intervalos das sessões parlamentares. É claro que, neste particular, as mulheres podem reclamar discriminação, podendo, para o efeito, apresentar um requerimento estatutário de igualdade. No entanto tratar-se-á, apenas, de uma formalidade.
Os mentores desta iniciativa corporativista, José Onófrio Pires do Ó e Tolentino Sá de Miranda e Vasconcelos, que preferiram manter o anonimato, deputados pelos PDMC (Partido Democrático na MÓ de Cima), no governo, e PDMB (Partido Democrático na MÓ de Baixo), na oposição, respectivamente, alegam que esta tomada de posição é um "anseio de todos os políticos democratas e, sobretudo, um imperativo nacional, a bem da Nação e dos portugueses!"
A ver vamos, depois do dia 30, se esta tão nobre e justa pretensão tem pernas para andar. Estou convencido de que sim, pois é anseio transversal a todos; da extrema-direita à extrema-esquerda, passando pelo centro onde está a virtude.

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