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«Olá. Sou uma mulher alta, sensual e, evidentemente, muito atraente. Além disso, dispo-me sempre bem, depressa e sem rebuço. O meu marido nunca encarou bem esta minha maneira de ser, muito espontânea, e acabou por sair de casa, de armas e bagagens, sem se despedir. Como devem calcular, fiquei em estado de choque! Até agora só tive tempo de telefonar para dois amigos de longa data que, ainda hoje, me virão prestar algum conforto e solidariedade nesta hora de muita solidão e tristeza. Acham que estou a proceder bem ao chamar estas pessoas, assim, tão em cima do sucedimento? É que sinto-me tão só! Por favor, quero pôr tudo a nu!

Cremilde da Silva»
ER: «Cara Cremilde, pensamos que a sua atitude é a mais correcta. Além de que não vemos mal algum no facto de precisar de ser confortada pelos dois amigos que refere. Aliás, se outras razões não houvesse, bastaria a sua para nos fazer compreender que a solidão é uma disposição emocional muito dolorosa. Por conseguinte, cara Cremilde, parece-nos até que, desse modo, você recuperará facilmente o climax da felicidade a que estava habituada e águas passadas não movem moinhos, minha amiga!
O amor é assim; é lindo enquanto dura e há mais marés do que marinheiros, embora os marinheiros façam falta quando se está de maré, mas, por favor, não vale a pena remar contra a maré se a maré é baixa, é inútil, aproveite as marés de sorte porque de marés de azar anda o mundo farto!
Olhe, venha-se lembrando de nós e, se lhe aprouver, estamos ao seu dispor; somos uma equipa de vinte, adoramos pôr tudo ao molho e a nu e, às vezes, há finais felizes!»
 
 
FR: «Olá. Tenho trinta anos, sou engenheiro informático, sócio-gerente de uma grande empresa ligada à minha área de formação, tenho olhos azuis, grandes e lindos, conduzo um Volkswagen New Beetle (passe a publicidade), amarelo canário, e frequento o Red Frog (passe a publicidade) aos fins de semana, para além de outras extravagâncias que, por acaso, não vêm ao caso.
Casei-me há um par de anos com um colega da faculdade, um rapaz muito airoso e gentil, pelo qual me apaixonei perdidamente, tipo amor à primeira vista, porque só visto, contado ninguém acredita; e juro a pés juntos e bem assentes no chão que ele é lindo como uma flor do campo!
Porém, aqui há dias, não sei como nem porquê, tive duas experiências extra-conjugais: uma com uma filha da mãe e a outra com o pai incógnito. O pai, por sinal, um senhor bem cuidado e de bom porte, com o qual também tenho mantido, regularmente, ralações sexuais porque ando sempre ralado com receio de o meu marido vir a tomar conhecimento das minhas infidelidades conjugais. Que hei-de fazer? Por favor, ajudem-me que isto é uma situação desesperante! Sinto-me tão impotente, meu Deus!
Frederico Rosas»
 
ER: «Caro Frederico, o que mais nos impressionou no seu relato foi a cor e a grandeza dos seus olhos. A situação que nos descreve parece ser irreversível, desgastante e patética, dado que nos suscitou, imediatamente, muita piedade - perdoe-nos a redundância. No entanto, pensamos que o seu caso não é, assim, tão complexo como imaginámos, a ponto de não se poder reverter, caro amigo. Basta que siga estas regras religiosamente: Coma muita fruta, levante halteres e faça clisteres. Besunte-se, também, com óleo de amêndoas doces, pelo menos, duas vezes ao dia antes das quatro principais refeições e pense, com urgência, em trocar de carro porque para um moço impotente só um bólide imponente. Vai ver que fica contente. Chau, bebé!»
 
 
NN: «Caros senhores, éramos dois seres adoráveis (ainda somos, claro), cada qual com o seu sexo, evidentemente (a gente até mostrava à comissão e tudo), profundamente apaixonados e trabalhadores independentes, cuja única ambição era fazer as pessoas felizes, independentemente da orientação sexual, religião, clubismo ou simpatia política. Tudo nos corria à feição e sem desregramentos, excepto as regras da minha sócia.
Não somos analfabetos, mas também não somos intelectuais, graças a Deus! Em boa verdade, também nunca estudámos para sermos intelectuais, lagarto, lagarto!
O mais longe que fomos, ao longo da nossa vida, foi a Badajoz. Sempre nos distraíamos e era no tempo em que valia a pena lá ir para comprar caramelos; e até nos desenrascávamos porque arranhávamos algumas palavras em grego. Agora já ninguém vai comprar caramelos a Badajoz; é uma tristeza!
Também deixámos de frequentar salas de cinema porque já não exibem filmes alemães hardcore como antigamente. Que saudades das sessões contínuas no cinema Olímpia! Tudo vai desaparecendo, infelizmente...
Contudo, valha-nos isso, gramamos à brava os programas do CMTV, telenovelas e "talk shows", sobretudo os que dão na SIC e TVI. Só não vimos o Preço Certo porque achamos que devia dar depois do Telejornal e nunca antes.
Até escrevemos uma carta registada, com aviso de recepção, ao senhor Provedor do Telespectador, mas ele, ou não percebeu patavina daquilo (a gente escreve muito mal) ou fez ouvidos de mercador porque só nos devolveu o aviso de recepção, vejam lá, ele que até ouve tão bem!
Não gostamos do PS, do PC nem do BE, mas também não votamos à esquerda, credo! É por estas e por outras que, se calhar, o melhor remédio, para nós, é o suicídio, visto que já ninguém liga para a gente! Andamos desconfiados que se deve à nossa idade avançada! Afinal, já não somos nenhumas crianças! Queríamos saber a vossa opinião e muito obrigados!
Nandinho e Nandinha»
 
ER: «Porra, morram os Dantas e as antas! Morram! Pim!»

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NPL: «Olá a todos. Escrevo esta cartinha em tom de desabafo porque receio enlouquecer com esta situação ambígua; é só por isso e sublinho que não é pouco! Passo a explicar: No início da nossa relação, corria tudo às mil maravilhas; ele, era amor para aqui e amor para ali, enfim, era amor por todo o lado. Confesso que, às vezes, ficava a pensar que o que era demais era moléstia! Até parecia que eu tinha mel; que coisa! Tanto amor assim, também enjoa! Penso eu! Se calhar estou errada!
Então, inexplicavelmente, tudo mudou de modo dramático. A minha vida ficou de pernas para o ar porque sinto que o meu Eládio me está a passar a perna. Também, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, n'é?!
Instalámo-nos, de pedra e cal, na nossa zona de conforto sem grande dificuldade, não tendo sido necessária, por isso, a ajuda dos papás. No entanto, o meu Eládio começou a tratar-me, faz algum tempo, com quatro pedras na mão e, inclusive, dá-me por paus e por pedras!
O meu Eládio, embora nunca tivesse recebido um Prémio Pulitzer, sempre foi um distinto jornalista. Não ganha por aí além, mas, até à data, tem dado para nos sustentar e, como referi, tem sido excedível no amor que me tem. Além disso, o meu Eládio tem cumprido exemplarmente com as suas obrigações conjugais e, se necessário for, até se supera. Só que, desde há pouco tempo para cá, é isto, sei lá!
Para cúmulo, até passou a trazer a secretária para casa ao fim do dia e faz-me passar vergonhas. Será que o raio do homem mudou de personalidade?
Suspeito que já não é o meu Eládio, que mora naquele corpo, credo! Só de pensar nisso até fico toda arrepiada!
A vizinhança cochicha, e com razão, porque é todos os dias a mesma barulheira a subir e a descer as escadas; já para não referir as paredes esmurradas! Inclusive, a dona Isaltina do rés do chão avisou-me, solenemente, que ia fazer queixa à polícia se a pouca vergonha continuasse e não vejo forma de a levar a reconsiderar.
Também sei, por portas e travessas, que o chefe da redacção desconfia que o meu Eládio anda com a sua secretária. Até a mamã, que não gosta de meter a colher, já jurou a pé firme (a mamã desfez-se do outro que era muito chato) que nunca mais põe o pé cá em casa. "Nem ao pé coxinho!" - garante e insiste, batendo o pé sem o arredar.
Pela minha parte tenho tido uma paciência de Job, mas começo a ter receio da minha reacção a esta desusada, senão bizarra, realidade...
Imaginem que há noites em que o meu Eládio comete a absurdez de trazer a secretária para a cama e dormir abraçado a ela com uma perna às costas; é inacreditável! Olhem, só visto! O que mais me choca é que fico sem reacção, feita parva, a assistir. Está bem que a cama é daquelas larguíssimas e, por conseguinte, dá para os três, mas não deixa de ser esquisito!
Não sei o que hei-de fazer; estou completamente desesperada!
Todavia, os meus amigos dizem-me que nem sequer é razão para divórcio! No entanto, gostava de saber a vossa opinião.
Em abono da verdade, posso adiantar que a secretária nem tem um volume por aí além: possui estrutura em ferro, tampo em fórmica, duas gavetas em cada lado e pesa, mais ou menos, setenta e cinco quilos. Contudo, não deixa de ser uma situação desconfortável. Por favor, ajudem-me!»
Natércia Pá Lopes
ER: «Muito fácil, Pá! Já que a cama é grande, seja ciosa e meta lá uma cadeira giratória com rodas e um desktop, só para fazer ferruncho ao seu Eládio!»

GFDP: «Bom dia. Não fossem vocês e a quem é que me havia de dirigir, valha-me Deus?!
Estou muito aborrecido e o caso não é para menos porque, caso contrário, não o encararia como um caso sério e garanto-vos que não foi um caso ao acaso. Em todo o caso, como não tinha mais ninguém a quem recorrer, lembrei-me de vocês por mero acaso. Então, aqui vai o caso:
Costumo passar férias em Armação de Pêra. Aliás, uma praia e peras, embora não goste de Armação de Pêra e também não vem ao caso. Em todo o caso, gostando ou desgostando de Armação de Pêra, trata-se de um caso de consciência porque, caso contrário, não era caso para recorrer aos vossos conselhos muito sensatos e prudentes (passe a redundância).
No fundo, a razão deste meu apelo não se prende com o facto de gostar ou desgostar de Armação de Pêra, como referi a despropósito. Com efeito, o caso é sério porque a minha esposa, que por acaso é espanhola (podia não ser, mas é), embirra solenemente com o topless. Ao contrário de mim que adoro ir à praia só para ver as mamas...perdão, manas de fora. As manas de fora são duas morenaças de estalo. Adoro vê-las aos saltinhos à beira-mar, fugindo graciosamente das ondas. São tão airosas e delicadas! A minha senhora é que teima comigo que aquello es una vergüenza y que nació en Santiago de Compostela y que yo quiero mucho libertinaje, etcétera.
Dígame, por favor, qué he de hacer para hacerla cambiar de opinión y ahora me expliquen el significado de la palabra "libertinaje", gracias!»
Gervásio Flores Dias Pires
ER: «Mira, Flores, en primer lugar, estamos en duda si tú estás pidiendo nuestro apoyo o el apoyo de Dios, porque entras aquí en contradicción. De todos modos te damos una respuesta porque no estamos aquí para nada más y es una pena que tu esposa no le guste el topless, porque nos encanta el topless. Pero tiene fe y esperanza y insiste con ella que no hay nada más hermoso y inocente que mirar unas hermanitas bonitas sacudiendo al viento. En cuanto al significado de "libertinaje", es un concepto muy debochado, pero bosch es bueno (pase la publicidad)! 

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