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Criei este blogue com a ideia de o rechear com estórias rutilantes, ainda que às vezes embaciadas. Penso que são escritas sagazes e transparentes, embora com reservas e alguma indecência à mistura. No entanto, honestas.




Após uma reunião extraordinária do conselho de ministros, chegou-se à conclusão geral e consensual de que as crises anteriores foram brutais, mas não inesgotáveis. Talvez se tivesse abusado um bocadinho, digamos assim. Todavia, foi tudo feito com muita transparência e dentro da legalidade constitucional; aliás, como é apanágio de qualquer sociedade democrática que esteja habituada a conviver com as crises. É claro que houve uns ou outros, mais impetuosos, que exigiram que se apurassem responsabilidades. Porém, não passou de uma boca circunstancial e as bocas circunstanciais valem o que valem, graças a Deus. Até houve alguém que disse energicamente para se calarem, pelo que recebeu bastantes aplausos da maioria dos presentes. Um deles lamentou que, de uma forma ou outra, se tenha contribuído para a delapidação das crises com tanta acumulação, quando o pensamento da maioria era de que havia abastecimento para muito tempo e que até dava para exportar o excedente para outros países que também precisados estavam. Isto, para além da imprevidência de nunca se terem segurado as crises contra danos próprios. É uma falha irrevogável e, como tal, imperdoável para qualquer crise, venha ela de onde vier! "Irrevogável", foi um termo muito badalado por quase todos os presentes, acérrimos promotores das crises, que afirmaram ter andado a gastar acima das suas possibilidades há muito tempo.
Por enquanto, não foi emitido qualquer comunicado oficial sobre esta reunião, ficando no ar a grande questão: o que é que vai acontecer se se confirmar que a reserva das crises vai esgotar. Até já há quem especule, nomeadamente os soalheiros do costume que, feitas as contas, vamos ter de apertar mais os cintos por via de outra crise que se avizinha. São tão parvos, valha-lhes Deus! Então para que serve a "bazuca"?

Gente lambareira! Queriam sexo, n'era? Em próximo artigo faço-vos a vontade. Hoje não estou virado para aí. Antes, vou debruçar-me sobre um assunto que, embora pareça banal é mesmo trivial, acreditem! Sobretudo, se fizermos uma análise da sucessão cronológica de eventos ou factos que, por qualquer incidente da História nos pudessem ter desviado do caminho exemplar que, como nação, temos vindo a percorrer. Gostaram? Também acho que é um excelente exórdio.
Todavia, penso que a importância da reflexão que se segue é eminentemente parda, como irão ter oportunidade de constatar.
Imaginemos por breves instantes, no domínio da ficção (óbvio, dah!), que a terceira ilha do arquipélago dos Açores a ser descoberta, tinha sido a ilha do Corvo. Chamaríamos, então, Terceira à do Corvo e Segunda à Terceira? Topam? Ou tentaríamos rodear a questão, chamando à do Corvo a primeira Terceira e segunda Terceira à Terceira. Perceberam, até aqui, onde é que quero chegar? Problemas idênticos poderiam ter alterado o nosso percurso histórico se tivesse sido o Vasco da Gama a atravessar o estreito de Magalhães, ou ainda a Maria de Lurdes Modesto a cozinhar pela primeira vez Bacalhau à Zé do Pipo.
Se Afonso Henriques tivesse nascido em 1499, como poderia ter sido o fundador da nacionalidade? E se só a tivesse fundado nessa época, como poderíamos ter, actualmente, quase nove séculos de História? Mais, ainda: de que serviria ao primeiro rei de Portugal conquistar Lisboa aos Sarracenos, se os gajos não tivessem, ainda, invadido a Península Ibérica? E onde ficariam os tintins do Martim Moniz na História, se a infantaria lusa não tivesse irrompido pelo castelo de São Jorge adentro? Convenhamos que, se o herói e mártir da tomada de Lisboa não os tivesse entalado nas portas do castelo, tomar a cidade aos Suevos, aos Hunos, aos Visigordos, aos Vândalos, ou até, mesmo, aos Energúmenos não teria a mesma graça.
Já agora, seguindo a mesma linha de raciocínio lógico, já imaginaram, também, como há por aí tanto amor desencontrado, perdido, esquecido? Não?...Têm a certeza?... Vejam lá, se precisarem de um ombro amigo, estou aqui, não se façam rogados!

João Ratão 21.01.18
Confesso que, quando escrevi o primeiro artigo sob a epígrafe, nunca pensei que ia ter de retorno tanto élan mediático e tanto carinho para continuar. Simultaneamente, também senti o apelo sagrado dos nossos heróicos antepassados e a pressão expectante dos que hão-de vir depois de mim e, só assim, tive a percepção extra-sensorial de que tenho o dever de prosseguir na valorização da nossa História que anda tão arredada do conhecimento geral. Para além do mais, é reconfortante pensar que passo, mas o meu legado permanecerá perene, "per saecula" (segundo o tradutor do Google que eu de latim pesco zero).
Depois de tudo isto - e não é pouco - cada vez que me olho ao espelho, vejo reflectida a imagem de um gajo feliz porque tem a perfeita noção de que está a prestar um enorme serviço à folha, analisando e dissecando os factos mais significativos cá do burgo.
A seguir a este intróito, facilmente digerível, prossigamos, então, na demanda do saber da História Pátria.
Debrocemo-nos só um bocadinho (sem exagero) sobre a primeira dinastia, nomeadamente acerca de Dom Sancho I que, como sabem, era filho do primeiro rei de Portugal: Que espécie de garanhão teria sido, para merecer o cognome de "O povoador"? E o que seria de Portugal sem o seu - digamos - contributo?
É fácil de pressupor que seríamos um país deserto, com meia dúzia de mouros convertidos ou, pelo menos, envergonhados, e alguns cristãozitos novos espalhados por esta bestial imensidão territorial que o Afonso Henriques nos legou. Sim porque nos primórdios da nacionalidade já a Santa Inquisição fazia das suas para garantir uma fé católica com um elevado nível de qualidade, perseguindo, torturando e matando malta das minorias étnicas a torto e a direito, nomeadamente mouros e judeus. Era ver os malvados católicos, uns espertalhaços do caraças, a incitar à violência contra as mourarias e judiarias. É indescritível porque era uma carnificina pegada. Palavra, juro que isto não é ficção!
Ninguém escapava às malhas do Santo Ofício. Aliás, a bula emitida pelo Papa Alexandre III, a 23 de Maio de mil cento e qualquer coisa (é consultar a História da Vida Privada em Portugal, do Professor José Mattoso), que declarou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão, reconhecendo o tratado de Samora Correia (não confundir com Samora Machel, cujo foral só lhe seria atribuído, séculos mais tarde), só teve efeito retroactivo quando Afonso Henriques se comprometeu, sob a honra de sua mulher, Dona Matilde condessa de Sabóia e Maurienne, a expulsar os jihadistas islâmicos do reino de Portugal (o dos Algarves ficaria para mais tarde) e a converter os gentios à fé cristã, a bem ou a toque de caixa. Mas regressemos a Dom Sancho I; divaguei novamente, peço desculpa.
Pacientemente, Sancho (não confundir com o Pança que só viria a nascer uns séculos mais tarde) andou por aqui e por acolá a povoar feito um obstinado, a encher ventres de Sanchinhos e Sanchinhas, dando desse sacrifício um exemplo de abnegação aos assépticos e escassos habitantes da novel nação.
Consequentemente, só bastante mais tarde é que Carlos I teria sido alvo de regicídio e, por conseguinte, seria implantada a república que teve em Aníbal Cavaco Silva o expoente máximo do seu esplendor (da república, evidentemente).
Muito tempo depois ou talvez antes, quem sabe, Thomas Edison substituía os candeeiros a petróleo da sua casa por lâmpadas eléctricas o que foi considerado, na época, uma inovação muito engenhosa.
Seria imperdoável omitir, aqui, o papel predominante e igualmente inovador do nosso rei Dom Dinis que, mais ou menos na mesma ocasião, mandou plantar o pinhal da Azambuja, conseguindo com essa ideia megalómana, mas deveras avançada para a altura, deter as areias movediças da Ericeira que ameaçavam soterrar o planalto de Santarém.
Dinis era um tipo muito cultivado e um excelente trovador, como é consabido; está escrito. Porém a sua grande paixão foi sempre a agricultura. Para o rei lavrador, amanhar a terra era trigo limpo e favas contadas e, contra isso, batatas. A talhe de foice, convém recordar que foi ele que inventou um analgésico (não confundir com medicamento para as hemorróidas) à base de essência de batatas, dado que o Paracetamol - passe a publicidade - só seria comercializado séculos mais tarde.
Os contemporâneos do rei, diziam que era uma pessoa muito à frente, porém muito simples e muito querida do povo. Todavia não acreditava em milagres. Míope como era, não via com bons olhos as acções caritativas de sua esposa, Dona Isabel de Herédia, mais tarde morta e muito mais tarde santa.
Vale a pena recordar, um tanto, aquele milagre que ficou para a História, lembram-se? A cena em que o rei interpelou a rainha, querendo saber o que é que ela trazia escondido no regaço e Dona Isabel, naturalmente atrapalhadíssima, teria respondido que eram "pepinos, meu senhor!" e, deixando cair o regaço - salvo seja - logo se soltaram doze lindas pombinhas brancas que esvoaçaram graciosamente até às cabecinhas dos pobrezinhos que a ladeavam e que, instantaneamente, se transformaram em "burritos" de peitinhos de pomba. Milagre puxa milagre, sabem o que é? O resto já tinham obrigação de saber...
Depois deste episódio singular e muito comovente, e vencido o rei, embora não convencido, lá teve que dar a mão à palmatória, lançando as raízes da provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, nomeando para o efeito uma personagem enigmática, mas - dizia-se - com vastos pergaminhos nesse domínio, um plebeu sem brilho chamado Pedro Santana Loló. Parece ter sido uma decisão leviana do rei, mas, enfim, era lá com ele, o homem era soberano.
Entretanto devem ter havido montes de batalhas com os mouros, conflitos de interesses com os castelhanos e demais chatices. Porém, se quiserem aprofundar os vossos conhecimentos acerca deste e de outros episódios marcantes, sugiro que consultem também o Compêndio de História Medieval do Professor Mattoso.
Apesar de tudo, é de primordial importância esmiuçar os meandros, reflectir sobre os factos, meditar, por exemplo, sobre a sucessão dos reis desta dinastia tão decisiva para a independência nacional.
Voltando a Dom Dinis, suponhamos, só a título de curiosidade, que o rei já lavrava muito antes de Afonso conquistar Lisboa ao Estado Islâmico ou que Fernando poderia ser gordo, sendo um gajo formoso, ou que Afonso II, sendo gordo, poderia ser povoador ou mesmo Pedro I que, apesar de cruel, poderia ser gordo, borgonhês, povoador ou lavrador.
Suponhamos, ainda, que Teresa de Leão, uma aleivosa do piorio, com a qual seu filho, Afonso Henriques, não ia à bola, dobrava o Cabo das Tormentas, casando-se depois em segundas núpcias com o "doutor" Caçoleta Apara Relvas. Teríamos a primeira dinastia toda desordenada e não surgiria, possivelmente, esse período que foi, talvez, o mais belo da nossa História e que mereceu o nome de Interregno. Dá para reflectir um pouco, vá lá, puxem pelas cabeças!
E pronto; depois de mais esta achega, prometo que, brevemente, tentarei demonstrar como os portugueses, dispostos em dodecaedro regular, derrotaram os fenícios em Alcoentre, graças a um incontestável (não confundir com Condestável) entusiasta dos jogos de estratégia, Dom Nuno Álvares da Câmara Pereira. Séculos após essa famosa batalha épica, reinventou-se uma nova e próspera nação que culminou no milagre económico actual, tão elogiado por um ministro teutão que, quiçá, num momento de epifania, imaginou ver Mário Centeno na pele do CR7. Vai daí que o 'nomeou' ponta de lança da selecção europeia; não é bestial?! Esperemos que se porte na ponta da unha e não desate a dizer que alguns colegas estoiram a massa em noitadas, putas e vinho verde...
Finalmente, e contrariamente ao que se esperava, o país está porreiro porque alguém, num acaso oportuno e feliz de profunda inspiração, apelidou esta maravilhosa reinvenção de "geringonça". Assim, o alento me ilumine, também, as ideias...




Acto 1:
A República tem exercido em mim, desde que me conheço, um enorme fascínio. Isto, só para não dizer encantamento que é a mesma coisa.
Fascínio pela figura sensual, pelas maminhas empinadas e por aquele lindo barrete enfiado na cabeça. Um "tesão", parafraseando aquele cara lá do outro lado do Atlântico, cujo nome não me ocorre.
Tenho-a venerado que nem um louco em fotografias, xilografias, litografias, fantasias, desenhos, bustos de gesso e até em voluptuosos sonhos nocturnos que me escuso de descrever por uma questão de decência. Porém, por muitos e infelizes acasos, nunca tive oportunidade de a conhecer em carne e osso. Penso que tem sido a grande falha e o grande drama da minha pobre existência. Sim, sem ela sou o mais pobre dos pobres!
Amo-a desde pequenino. Acima de tudo e por amor a ela tornei-me a mais desgraçada e solitária das criaturas ao cimo da terra. Sem a República a vida não tem sentido; tudo se torna indigno da minha devoção.
Debalde (não confundir com de balde, até porque não se enquadra neste contexto), perdi dias, meses e anos a fio, à procura daquela que tinha eleito como a rainha do meu coração e, afinal, em vão (era chato repetir debalde).
Acto 2:
Oh, minha amada República! Estou convicto de que se soubesses a pureza dos meus sentimentos e das minhas intenções, render-te-ias a esta paixão avassaladora, fofinha!
Esta coisa é "fogo que arde sem se ver" e consome-me as entranhas do ser mais profundo, pois se "fora" possível iria mais fundo! Oh, senhores, o amor não correspondido é uma coisa muito aborrecida (estavam à espera que eu escrevesse uma asneira, n'era? Eu não sou o MEC!)!
Há dias, minha paixão assolapada, mirei-te numa capa de livrinho, gasto pelo tempo, exposta numa vitrina suja de um alfarrabista da baixa e o meu coração parecia que me ia saltar do peito. Estavas insuportavelmente linda, alta, a atirar para o cheiinho - como gosto - , num deslumbrante desnudamento e num arrebatamento tão natural na tua condição de pátria involuntária. Sim, porque não tiveste culpa de teres sido escolhida em pretérito da outra! Aconteceu porque sim e tu foste na onda.
Também foi lindo ver hastear a nossa bandeira nos Paços do Concelho, no teu dia de aniversário em 2012, ainda que ao contrário. Compreensível, num dia tão inesquecível...
Assentava-te tão bem o escudo armilar (oh, meu Deus, o escudo armilar, que excitante!) numa mão e a lança na outra que até já foi em África. Ai, como desejei ser vitrinário naquele momento! Só Deus sabe, a despeito do meu cepticismo...
Mais te amei naquela parcela tão diminuta de tempo e beijei a montra feito um insano, indiferente a quem passava.
De pronto, parti no teu encalço, não obstante gostares de andar descalça, minha gazela doce e paradoxalmente selvagem.
Regressei tal como parti: triste e desiludido, embora, à partida, ainda me restasse uma centelha de esperança.
Percebi que me evitavas, quiçá, por usar óculos ou não ser alto e consistente como tu.
Porém, amor, se pensas que vou manter esta toada de sofrimento, bem podes tirar o cavalinho da chuva! O tempo tudo cura, mesmo que este coração, agora, sangre abundantemente por ter ficado preso aos teus encantos.
Não julgues que me derrubas por via de um amor não correspondido, querida República! Pelo contrário, dás-me cá uma risota! É tão bom ser-se assim tão idiota. É bué giro ser-se um parvo chapado, gargalhar alarvemente, mas é raiva certamente, porque te sou indiferente.
Sou tão míope que não sei o que vejo em ti! Se fizesses um esforço, podias ver que não sou tão xarope e parvinho de todo e até podia chegar-te aos calcanhares com uns sapatos de tacão alto!
Prometo que te esqueço e vou para outra mulher, quiçá a Monarquia que, apesar de poeirenta e cheirar muito a mofo, ainda é capaz de romper meias-solas. É só falar com o Dom Duarte que é mais Pio do que tu. Ou tu julgas que isto é uma república?!
Acto 3 (se calhar, epílogo soava melhor, mas que se lixe!):
"Ai de mim, mas de (ti) ai, que eu morrendo, (não) entendo" (com a devida vénia ao porreiraço do meu amigo, Luís Vaz).
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