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MARIA, UMA MULHER MODERNA PARA O SEU TEMPO

por João Brito, em 29.09.21

mulher moderna.jpg

Pode ter sido uma mulher moderna para aquele tempo. Se calhar, fora de tempo. Jamais se saberá ou, quiçá, a seu tempo. Contudo, já ninguém é vivo para testemunhar se teria valido a pena ter sido uma mulher daquele tempo. Perante estas conjecturas não é difícil imaginar que tivesse existido uma mulher moderna para o seu tempo.

1 de Abril de 1911:
As pessoas do meu tempo acham que sou uma mulher sem qualquer obrigação moral.
Coisas mundanas como fumar um cigarro, entrar no Martinho da Arcada, sentar-me na mesa do Nandinho sem ser convidada, descobrir as pernas, ao de leve, acima dos joelhos para os olhares desejosos dos homens, o que é que estes gestos têm de mais?
Que culpa tenho de ter um corpo escandalosamente bonito? A minha avó habituara-me a apreciar as coisas boas da vida desde que a estavanada da minha mãe fugira com um caixeiro-viajante.
Mas o que mais incomoda esta gente serôdia, nomeadamente os homens, é o facto de ter escrito acerca de algo tão normal como o sexo.
A sexualidade não é uma característica exclusiva dos homens. E se eles têm a veleidade de conquistar todas as mulheres que se lhes atravessam no caminho, a elas cabe o direito de responder com o mesmo capricho.
Chocou às mentalidades broncas, é claro! Sobretudo àquelas que pensam que nós somos burras e, por conseguinte, temos de ser fiéis, tolerantes, obedientes e outros cândidos atributos. Porém, esquecem-se que, lá em casa, as suas mulheres também podem ter, secretamente, desejos lúbricos em relação a outros homens. Sobretudo, quando eles não dão uma para a caixa.
Consta que um tal Barbosa, um dos mais obstinados moralistas do meu tempo, fulano de porte mediano, aparentemente austero, grande frequentador de lupanares - segundo conta o mentideiro ocioso da burguesia alfacinha - , anda a fazer apostas com amigos, garantindo-lhes que não vai descansar enquanto não partilhar os meus lençóis. O objectivo do marialva é provar à agremiação de cretinos, de que faz parte, que mulher que se deite com ele não vai desejar dormir com outros homens...

25 de Abril de 1911:
No final do dia deste esplendoroso mês a cheirar a cravos, entrei no Martinho para tomar a minha bica em chávena escaldada, como o faço habitualmente, e lá os encontrei mais o Barbosa. Cumprimentei-os e foram de um polimento extremo, direi mesmo excessivo. Contudo não se coibiram de me assestarem olhares gulosos no decote. Bem, confesso que é difícil a um homem de bom gosto desviar os olhos de um decote generoso. Desta feita aprimorei-me.
Sentei-me no lugarzinho cativo do Nandinho, filei o Barbosa e atirei-lhe de chofre: «O que faz você para estar cada vez mais borracho?». Vermelho e balbuciante, com gotículas de suor no beiço superior, embora estivesse um final de tarde fresco, continuei: «com uma carinha tão bonita, tão bem escanhoada e com uma atitude tão máscula, palpita-me que também deve ter argumentos capazes de satisfazer a mulher mais exigente...».
Pedi-lhe para desabotoar apenas dois botões da sua camisa de linho a fim de verificar se tinha cabelos no peito, pois - expliquei bem alto para que todos ouvissem - «é algo que aprecio particularmente». Certificado o facto de os ter, embora pouco densos, convidei-o para me acompanhar a casa, pois tinha algo interessante que gostava de compartilhar com ele. Embaraçado perante a risota geral e não querendo dar parte de fraco, decidiu-se a aceder ao meu pedido e lá fomos.
No primeiro lance de escadas atirei-me a ele que nem uma loba e beijei-o sofregamente na boca, pedindo-lhe que me desculpasse o impulso, mas era algo que eu desejava fazer há muito tempo, só que ainda não tinha surgido a oportunidade.
Conduzi-o, sem mais delongas, escadas acima até ao apartamento e, já no quarto, empurrei-o para cima da cama, abri-lhe a camisa, devorei-o com beijos loucos e, enfim, nu. Elogiei-lhe o corpo para o pôr à vontade, afaguei-o, sussurrei-lhe palavras que não ouso publicar aqui, pedi-lhe que se entregasse todo aos meus ímpetos até à saciedade. Jurei-lhe, por todos os santinhos, que nada passaria daquelas quatro paredes.
 
26 de Abril de 1911:
Apesar de todos os meus esforços, o Barbosa foi uma decepção: o homem não tem ponta por onde se pegue e, claro, senti-me, naturalmente, desencantada.

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ESTÓRIA DE NATAL

por João Brito, em 21.12.14

contos de natal.jpg

Certo dia, Elohim nomeou um emissário chamado Gabriel para ir anunciar a boa nova a Maria, uma mulher idosa(*), natural de Nazaré.
Porém, Mefistófeles, Seu eterno arquirrival, arquétipo da maldade suprema que, além de ser um excelente mimetista, era um mulherengo compulsivo, aproveitou-se da distracção momentânea do Criador, disfarçou-se de Gabriel - o qual fizera desaparecer de cena - e foi ao encontro da virgem Maria Nazarena que, não obstante o tempo lhe ter roubado a graça da juventude, ainda despertava no mafarrico apetites lúbricos. Ou não fosse Mefistófeles!
Assim que aterrou a máquina voadora na qual se fizera transportar desde algures(**) no infinito celeste, disse a Maria:
«Salve, ó afortunada virgem, o Senhor está contigo!»
Não compreendendo muito bem o significado das palavras do seu interlocutor, Maria esboçou um gesto de dúvida e, naturalmente, temor. Porém, Mefistófeles prosseguiu:
«Não tenhas receio, mulher! Ele enviou-me para te dizer que vais ser mãe brevemente; mais vale tarde do que nunca, n'é verdade?... Vai ser um rapaz vigoroso, fica tranquila. Está escrito que vai chamar-se Salvador. Gostes ou desgostes, é o que vai constar na Sua certidão de nascimento!»
«Mas eu não sou casada, meu senhor! Além disso, já não tenho idade para conceber, valha-me Deus!»
«Não te rales, Maria! Ele é omnisciente, tudo pode e tudo sabe; e, além disso, passa ao lado desses pequenos pormenores de ordem burocrática.
Prepara-te que o tempo urge. É de Sua indelével vontade que o menino solte o primeiro vagido no dia 25 de um mês de Dezembro. Apressemo-nos, pois, para cumprir os Seus desígnios. Quanto mais depressa for feito, mais depressa contentaremos o Senhor! Quando o sol se puser, unge-te com óleos perfumados e espera por mim que, em nome de Deus, depositarei em ti a semente do Divino Espírito Santo.
Então, Maria, disse:
«Nesse caso, faça-se a Sua vontade: vou ser escrava do Senhor!»
Passaram-se meses...
José era um homem porreiro, mas tudo tem um limite, mesmo para os valores daquela época em que as normas de boa conduta não eram tão filtradas como actualmente. É claro que, quando despontaram os primeiros sinais da gravidez de Maria, José, não sendo seu esposo, pensou que não estava para se casar com uma mulher impura. Ainda se fosse jovem e formosa, vá que não vá! O que é que iriam pensar dele? É que, apesar de tudo, naquele tempo ainda havia muito preconceito...
Numa noite, no regresso a casa, após uns copos e umas horas de reinação num lupanar de Séforis, cidade onde exercia o seu ofício de carpinteiro, teve uma visão. Vindo do nada, apareceu-lhe um tipo louro, alto, bem vestido e ligeiramente enxofrado que, laconicamente, lhe disse:
«José, filho de David, o Senhor ordena-te que não rejeites Maria. O fruto que ela traz no ventre é o Filho de Deus. Trata de casar com ela quanto antes, pois essa é a determinação do Senhor!»
No dia seguinte, acusando o efeito de uma noite de boémia, José não ligou grande importância ao sucedido, pensando que se tinha tratado de mais um sonho provocado pelo excesso de aguardente de medronho. Porém, no seu subconsciente, bem lá no fundo, sentia que não podia deixar a pobre criatura de Deus entregue a um destino de mãe solteira. Estava escrito.

Epílogo:
Elohim nunca soube que Mefistófeles Lhe tinha passado a perna, mais uma vez, e tal desconhecimento ou alheamento, como lhe quisermos chamar, adiou o primeiro cisma da cristandade. Contudo, nunca ficou provada a origem da paternidade do Salvador. E, mesmo à luz dos conhecimentos científicos actuais, a verdade, custe o que custar, ficará sempre por apurar. Penso que foi melhor assim porque senão o Natal não teria graça.

(*) Segundo os Evangelhos, a idade da Santíssima Virgem Maria, à altura do encontro, com o "enviado do Senhor", seria de doze anos. Ora, como não quero ser processado por publicar conteúdos pedófilos nas minhas estórias, decidi acrescentar muitas décadas à idade da Senhora para não ferir susceptibilidades.
Depois do episódio da aparição, José não relevou o acontecimento e passou a ter relações sexuais regulares com a Mãe de Jesus, fazendo-lhe mais quatro filhos: Tiago, José, Simão e Judas. Tratou-se, como é evidente, de um verdadeiro milagre. Não está posta de parte a teoria de que foi obra do Senhor.
(**) Há algumas teses que referem a existência de um lugar inóspito chamado inferno e associam-no, pela lógica, a Mefistófeles, mas penso que isso são especulações Dantescas.

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RECADOS À MARIA

por João Brito, em 12.11.14

Georg Baselitz (1).jpg

- Segunda-feira, 6: «Bom dia, Maria. Hoje não há muito para fazer, se exceptuarmos as camas e o pó disperso um pouco por todo o lado. Olhe que passei com o dedo em cima de um aparador e não gostei nada, Maria! Faça favor de dar uma aspiradela geral e uma limpezazinha mais cuidada às casas de banho. É o mínimo que lhe posso exigir; já agora, agradeço que dê uma regadela nas orquídeas e nas centáureas, coitadinhas, parecem-me secas... ah... e não se esqueça de dar banho ao cão!»

- Quinta-feira, 9: «Bom dia, Maria. Não é preciso ficar aborrecida por ter partido a loiça toda! Partiu, partiu, pronto, está partida; compra-se mais, está bem? É claro que não vou exigir que me pague amanhã a que vamos comprar hoje, esteja tranquila. Na certeza, porém, de que não vou deixar passar isto em claro, já lhe perdoei muita coisa! Desta vez alguém vai-se ver grego para pagá-la e com juros de dívida insuportáveis, ai vai, vai, isso lhe garanto! Mas, por agora, deixe lá; a minha principal preocupação foi a de que a Maria se tivesse magoado, mas graças a Deus não lhe aconteceu nada.
Olhe, tem aí uma roupinha para passar a ferro. Se tiver tempo de sobra, agradeço que passe um paninho pelas estantes e que limpe o forno, está bem? Ontem entornou-se Gratinierte Kartoffeln, já para não falar na bratwurst. Está um nojo, Maria, é só gordura! Talvez seja melhor ligar a limpeza pirolítica.»

- Segunda-feira, 13: «Então, Maria, não desespere! Deixar o Adolfo fazer chichi e cocó nos maples de pele, enfim, só não acontece a quem não tem cão e quem não tem, caça com gato. Aliás já disse ao Joachim para se desfazer dele porque é muito porco e está sempre prontinho para me morder! Quanto às camisas Karl Lagerfeld que queimou com o ferro de engomar, olhe, vão para panos do pó. Para a próxima seja mais cuidadosa e não se mortifique com esses pequenos contratempos domésticos. Toda a gente os tem, Maria!
Agradecia que limpasse as casas de banho, pois da última vez deixou o Adolfo patinhar tudo. A mania que você tem de deixar o cão circular dentro de casa quando anda nas limpezas, Maria, francamente!»

- Quinta-feira, 16: «Eu sei, Maria, no fundo eu também adorava aquele jarro Chinês da dinastia Ming, mas paciência, não vale a pena estar a chorar sobre o leite derramado. Aliás, o jarro até nem continha leite, o que torna o incidente menos dramático; e o vidro partido na porta da varanda que dá para o jardim também não fica mal com as tiras de fita-cola, sobretudo quando o sol lhe bate de lado. Quanto ao facto de ter ficado com as pestanas e os cabelos chamuscados, peço-lhe desculpa, esqueci-me de a avisar que o isqueiro da placa falha muitas vezes. Penso que se deve ao facto de a Maria ter o hábito de deixar verter líquidos das panelas para cima dos queimadores.
Tem de ter um bocadinho mais de atenção, senão qualquer dia sai da cozinha feita numa tocha, Maria! Faça favor de lavar as carpetes e dê uma arrumação à despensa, pois estão mesmo a necessitar.»

- Segunda-feira, 20: «Deixe lá isso, Maria, em boa verdade as carpetes já estavam a precisar de ser substituídas. O Joachim já me tinha dito que os cheiros dos chichis e cocós do Adolfo se tinham entranhado nelas. Penso que se deve à cor verde com tons de castanho. Olhe, ponha-as no jardim; pode ser que o cão se desabitue de fazer as necessidades dentro de casa.
O LCD do nosso quarto foi uma pena, mas, na minha opinião, partir uma perna teria sido bem pior. O frigorífico refrigera mal porque a Maria esquece-se sempre de o fechar; a máquina de lavar loiça parte os copos de cristal porque a Maria os arruma mal, mas pronto, não se fala mais nisso! Não há ninguém que esteja livre de um azar e normalmente nunca vem só!
Hoje, agradeço que trate das pratas, do serviço inglês e doutras coisas mais delicadas. Já sabe onde é que está o martelo e o machado. Fica ao seu critério a utilização de um e outro. Faça uso de ambos, se tal lhe der prazer. Esteja à vontade, Maria, e força em cima daquilo tudo!
Olhe, aproveite e comece pelo quadro do Georg Baselitz que está pendurado atrás da secretária do Joachim. Tem a nossa inteira solidariedade, não vacile; sobretudo em relação às porcelanas Villroy & Boch.
Tem, também, a nossa aprovação para escavacar a alta fidelidade e o que mais houver, não se acanhe! Se lhe sobrar algum tempo, pode puxar fogo à casa!»

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MARIA

por João Brito, em 06.09.14

maria1.jpg

É quase impossível determinar a origem do nome Maria. Digo "quase" sob o ponto de vista de um ignorante na matéria - sublinho.
Talvez a partir do "hebraico Myriam" que significa "senhora soberana ou vidente", mas é incerto ou, se calhar, improvável.
Por ser um nome bastante comum; e até anterior a Cristo, pode ter derivado do "sânscrito Maryáh" que significa, literalmente, a "Pureza, a Virtude e a Virgindade".
Outra tese sustenta que o nome "Maryam" terá surgido a partir das expressões "assírias Yamo e Mariro"​, as quais se transcrevem como sendo "Mar azedo ou Acre no idioma aramaico assírio".
Pelo que consegui apurar na net - convém não desdenhar das coisas interessantes que se podem pesquisar nesta rede - e na escassa produção bibliográfica que possuo sobre o assunto, não cheguei a qualquer conclusão...
Certo é que, na tradição judaico-cristã, está associado ao culto mariano e é um nome que, como todos os católicos sabem, é dedicado com muito fervor à "Virgem Maria, Mãe de Jesus"
Todavia, a Mãe de que vos escrevo, não sendo Maria, como a "Virgem", nem por isso foi menos Santa.
Dizer de tudo o que representou para os seus filhos e netos não cabia nestas linhas singelas. A sua presença, a paz de espírito, a paciência que tinha para todos, a bondade e o amor que emanavam de si eram infindos. E o seu cheiro era bálsamo...como era bom o seu cheiro!
Um dos filhos conserva uma batinha, secretamente escondida, das que Ela usava no dia a dia até pouco antes de morrer. Porventura, na presunção de que talvez consiga preservar o olor próprio de sua mãe porque, desde que partiu, nunca mais abriu o "relicário" onde a guarda religiosamente. Talvez, um dia um pouco antes de chegar, também, a "sua hora"...
É uma peça de vestuário que, sem pretender sacralizá-la, tem pudor em corromper, expondo-a ao ar impuro, após anos de recolhimento. Não é dado a misticismos, mas é algo que o seu raciocínio não consegue explicar. A faculdade de estabelecer relações lógicas, às vezes, foge ao seu lado racional..
Mas, continuando a dizer sobre Ela:
Era uma Mulher que pensava muito com os seus botões; sobretudo na melhor forma de gerir o frágil orçamento familiar. E como era entendida no assunto! Tivéssemos uma ministra das finanças com o seu sentido de poupança e não precisávamos de resgates nem de troikas!
Passou anos a fio a madrugar para aprontar o começo do dia para todos; sem mas nem ais; sempre a mesma rotina; sempre a primeira a começar os quefazeres;  e sempre com o mesmo desvelo.
O "chefe de família" era o primeiro a ser servido e com honras de suserano! Aliás, era sempre o primeiro em tudo o que resultasse em benefício próprio...
Ao invés, Ela era sempre a última a servir-se. Era sempre a última em todas as circunstâncias e se mais circunstâncias houvesse...
Cuidava diligentemente de tudo e de todos e geria com parcimónia o parco vencimento que entrava em casa, proveniente da única fonte de rendimento: o trabalho do marido.
Lamentos, só os dos ossos com o avançar da idade. E sobrava-lhe tempo para amar o marido, os filhos e mais tarde os netos; com um sorriso doce que a todos enlevava. Ela fora sempre assim, com aquela expressão de quem estava de boas relações com o mundo, apesar das dificuldades da vida.
Era casada, claro, mas daquelas mulheres casadas à moda antiga; subserviente às vontades e caprichos do parceiro e, se calhar, pouco amadas ou talvez amadas de uma maneira assaz estranha...
Porém, eram tantos o apego, a bondade e a ternura que brotavam dela que, só agora, passados tantos anos, alguém se continua a dar conta do seu amor incondicional e da falta que lhe fazem o seu colo, os seus beijos e os seus doces afagos! Ela que não era Maria, nem Virgem, mas uma Santa!

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