
Caras pessoas, agora que as próximas legislativas estão a bater-nos à porta, tenho o raro privilégio e, por conseguinte, a enorme satisfação de vos anunciar, em primeiríssima mão, a emergência na cena política nacional de alguns novos partidos que poderão contribuir para a revitalização do quadro da vida pública e, quiçá, da vida púbica. Algo assim como uma lufada de ar fresco no deserto tórrido do panorama político cá do burgo, estão a ver a coisa? O tempo dirá se vamos ter um clima mais temperado ou se isto destempera (não confundir com desarranjo intestinal) tudo. Passemos, então, à sua apresentação e descrição sumária:Partido Anarco-Maoista de Portugal, PAMP:
Resultou de uma cisão no Partido Maoista Revolucionário Português, PMRP (não confundir com o Movimento dos Rapazes e Raparigas que Pintam as Paredes, MRPP, de boa memória iconográfica).
É fundador da conhecida Décima Segunda Internacional, juntamente com dois partidos irmãos: um de Andorra e outro do Burundi.
Só não fundou a Décima Terceira porque os seus membros constituintes são pessoas muito supersticiosas. Pensa-se que a implantação nacional do partido vai ser pouco significativa, dado o reduzido número de membros: catorze militantes – co-fundadores – mais um apoiante, estudante-trabalhador, natural de Cacilhas, ainda hesitante entre o PAMP e o CHEGA.
Do seu programa eleitoral destaca-se, na essência, a luta pela abolição da roupa interior que, segundo o espírito mentor do seu líder, cujo nome já se me varreu, "...oprime e estrangula as partes pudendas do povo, não permitindo a livre circulação sanguínea..."
Conselho Patriótico Aníbal Cavaco Silva, CPACV:
Partido, assumidamente, de extrema-direita com relações estreitas com outro grupo extremista português, o Camaradas Honrados Em Glória Avante, CHEGA (a propósito de Avante, qualquer dissemelhança com um outro partido irmão, é pura semelhança).
Em comunicado recente, divulgado na rede social TikTok, revelaram que, caso venham a fazer parte da nova AD (quem sabe), vão propor a alteração a uma das regras de combate, relacionada com a prática milenar da arte marcial "luta greco-romana", de onde deriva a sua matriz intelectual, por a considerarem muito lasciva e, por isso, propícia a interpretações dúbias e até moralmente imprópria para exposição pública.
Partido Monárquico Leninista, PML:
Idealiza a construção de um futuro brilhante para o povo português, através da fusão teórica da monarquia constitucional com o centralismo democrático. Propõe a aclamação de Jerónimo de Sousa como Rei de Portugal e dos Algarves.
Centro Social Centrista, CSC:
Situando-se à direita, no espectro político nacional, este partido reivindica-se como um partido de centro-esquerda, embora a generalidade dos seus militantes, cerca de sete, se afirmem convictamente neo-nazis. Trata-se, portanto, segundo as palavras do seu secretário geral, de "um partido que abomina todas as formas de totalitarismo, a não ser que a tal nos obriguem!"
Partido Marítimo Português, PMP:
Defende a necessidade de Portugal recuperar a sua "gloriosa" epopeia marítima e a continuidade da sua expansão por "mares nunca dantes navegados".
Lançou há dias uma vasta campanha de recolha de fundos para a construção de caravelas e naus catrinetas.
Partido Unidade das Trabalhadoras Anarco-Sindicalistas, PUTAS:
Resultante da fusão do Partido Unido (PU), de tendência duvidosa,
com a agremiação sindical, Trabalhadoras Anarco-Sindicalistas (TAS), é constituído, presentemente, por um casal de proxenetas, fundador do PU, e uma dúzia de trabalhadoras anarco-sindicalistas que se juntou à iniciativa do casal, para formar um partido que se dedique exclusivamente à causa da "profissão mais antiga do mundo".
Como vêem, não faltam argumentos para outras opções de voto que não sejam escolher sempre os mesmos. Votem em consciência!