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PORQUE É QUE O FRANGO QUER ATRAVESSAR A RUA?

por João Brito, em 02.12.21

Criança: «É porque sim, prontos!»
Platão: «Porque o seu propósito basilar é alcançar o outro lado da rua de modo natural e socialmente irrepreensível.»
Aristóteles: «Eh pá, eu acho que é da natureza do frango, sei lá! O gajo é assim, q'é que queres?!»
Descartes: «O frango não é tão burro como presumes! O bicho pensa antes de atravessar a rua. Então, claramente e sem equívocos, acha que logo existe, 'tás a ver, mano?»
Rousseau: «O frango tem boa índole, mas é muito permeável ao suborno. Assim, a sociedade leva-o a agir contra os seus princípios e o bicho acaba, facilmente, por atravessar a rua fora da passadeira.»
Freud: «O impulso que leva o frango a atravessar a rua sem olhar para ambos os lados, é um sintoma de insegurança emocional, motivada por algum trauma de infância!»
Darwin: «Ao longo dos tempos, os frangos vêm sendo seleccionados de forma natural. Com efeito, a sua evolução genética fê-los dotados dessa extraordinária capacidade de atravessarem a rua, aptidão exclusiva dos mais fortes, pois dos frangos...perdão, dos fracos não reza a história.»
Einstein: «Se o frango quer atravessar a rua ou se o outro lado da rua parece mover-se em direcção ao frango, estando o frango parado, a persepção do movimento contínuo depende do ponto de vista de quem está num lugar de observação estático... Tudo é relativo como é facilmente dedutível.»
Martin Luther King: «Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos livres, independentemente das cores política e da pele, paixão clubista, credo, orientação sexual, et cetera, podem atravessar a rua sem que sejam questionados sobre os motivos que os demovem a atravessá-la.»
Donald Trump: «Os nossos serviços secretos descobriram que o frango que pretendia atravessar a rua era um mártir da Jihad Islâmica. Por isso tivemos de o eliminar numa "operação cirúrgica" antes que ele atravessasse a rua. Naturalmente houve danos colaterais, mas, hoje em dia, um danozinho colateral, até não fica mal de todo!»
Cavaco Silva: «Olhe, eu não vim aqui para debater esse tipo de problemática. Até porque o momento não é o mais adequado. Eu estou aqui mais a minha Maria, como vê, para inaugurar um lar para a terceira idade a convite da Misericórdia local e do presidente da Junta, e não seria correcto pronunciar-me sobre um tema que requer a máxima reflexão e está fora do contexto como deverá compreender.»
Passos Coelho: «Confesso que o meu governo foi o que mais contribuiu para o aumento dos impostos sobre os frangos no activo e reformados, nomeadamente na taxação sobre o número de posturas de ovos, mas tais medidas impunham-se para não hipotecar o futuro dos pintos!»
Manuel Alegre: «O frango é livre, é lindo, é uma coisa, assim, a modos com penas! Ele atravessou, atravessa e irá, sempre, atravessar a rua, porque o vento cala a desgraça, o vento nada lhe diz!»
Jerónimo de Sousa: «A culpa é das elites dominantes, imperialistas e burguesas que pretendem dominar os frangos, usurpar os seus direitos e aniquilar a sua capacidade de atravessar a rua, na conquista de um mundo socialista melhor e mais justo para todos os frangos trabalhadores! A luta continua, Barreto para a rua!...Quê?...Ah, não é aqui?!...»
Catarina Martins: «Porque é preciso dizer, olhos nos olhos, que só por uma questão racista, xenófoba e homofóbica, se leva o frango ao extremo de atravessar a rua. É preconceituoso pretender-se que o frango atravesse a rua contra a sua vontade. É um atentado contra a liberdade de escolha!»
Zézé Camarinha: «O frango atravessou a rua porque foi ao engate. É um verdadeiro macho latino! Viu uma franguinha boa c'mo milho do outro lado da rua, ainda p'cima camone, e pimba, não perdoou! Deu um créu na gaja!...Eh! eh! eh!... Caganda maluco!»
Lili Caneças: «Olha, vocês julgam que sou idiota, é? É natural que tivesse atravessado a rua só para se juntar aos outros mamíferos!»

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O MITO DO PNEU FURADO

por João Brito, em 12.11.21

ensaio filosófico.jpg

Hoje, apetece-me escrever um tanto sobre o eterno e, no entanto, sempre aliciante mito do pneu furado, visto que, parece-me, ainda ninguém teve a coragem de se debruçar sobre um tema tão estimulante como este. Pelo menos, numa perspectiva epistemológica.
Começo por me questionar se será o mito do pneu furado, um mito. Sim, será, efectivamente, um mito ou será apenas o reflexo perceptível de uma mitologia idealizada que nos transporta para um plano diferenciador em que se procura, tão só, mistificar a questão (não confundir com mitificar)? Esta é a pergunta angustiante que me faço, desde que acordo até que adormeço e que, obviamente, me deixa sem resposta e porquê? - perguntam os eventuais leitores e leitoras com toda a legitimidade. Porque é uma pergunta, necessariamente, redutora e, como tal, vai fazer com que nos interroguemos, até ficarmos esgotados, acerca do mito do pneu furado ou, porventura, da sua  inevitável mitoclastia.
Ao introduzir a câmara de ar no pneu furado, não pretendo menosprezar o papel cada vez mais preponderante, direi mesmo determinante, do pneu "tuboless", mas unicamente procurar fazer uma análise mais profunda - comportamental, se quiserem, face à realidade objectiva do "pneu furado", à luz da teoria psicanalítica, tão do agrado de Segismundo Freud que, como é consabido, dormiu com uma câmara-de-ar entalada na virilha até ao último suspiro, hábito que adquiriu desde pequenino.
Vemos, então, desfilar perante nós, num ecrã gnosiológico, a relação complexa entre o pneu furado e o útero materno, sem esquecer a tese do macaco hidráulico como substituto da autoridade paterna. E aqui enfatizo o clássico regresso à boleia, do ponto de vista da sublimação, et cetera.
Podemos, então, identificar o mito do pneu furado, partindo do pressuposto de que o mito é um mito tão antigo como a ideia do pecado original. Todavia, sem fugir ao tema fulcral da questão primordial, procurei dar-lhe a elevação espiritual e introduzir-lhe o enquadramento exotérico que muitos lhe negam, vendo mesmo na forma do pneu furado, um símbolo de redenção cósmica. Afinal, nos antípodas do pensamento materialista, segundo o qual e por consequência: "se o pneu está furado, muda-se!"

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