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RICOS E POBRES: A ETERNA DICOTOMIA

por João Brito, em 14.11.21

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Dizia aquela senhora, ainda no tempo em que foi directora do FMI, que era necessário "partilhar o crescimento". Dizia-o no final de uma cimeira dos países mais ricos do mundo. Segundo ela, os líderes desses países haviam concordado em identificar e dar prioridade às reformas que são essenciais para aumentar o estímulo do crescimento de cada país, área em que a organização que dirigia, supostamente, actua. Reforçava a ideia com a importância que deve ser dada à "partilha alargada dos recursos e do conhecimento"...
Ora, como estamos habituados a discursos de circunstância, já não estranhámos mais este. É do senso comum que, sem as ferramentas que reduzam as desigualdades e aumentem, assim, as perspectivas económicas, nomeadamente dos grupos de mais baixos recursos e com poucas qualificações – os primeiros a serem afectados com as mudanças tecnológicas – , o fosso entre ricos e pobres aumenta inevitavelmente. Palavras, portanto...
A propósito desta assimetria e a fazer fé nas estatísticas, a concentração de riqueza continua imparável, mesmo em tempo de pandemia. Direi que até a reforçou, nomeadamente, no lóbi farmacêutico que, como se sabe, é muito poderoso. Segundo o meu entendimento, é um grupo que não quer abdicar do avaro acúmulo de abastança. Ademais, sabendo-se que há países, cuja população ainda não está vacinada...

É claro que há formas de combater as desigualdades, mas pergunto: alguém está interessado em fazê-lo? Alguém continua empenhado, por exemplo, em combater a fuga à tributação de fortunas incalculáveis, mesmo vivendo-se uma das maiores crises pandémicas de todos os tempos?
E Portugal, onde alguns pensavam (se calhar, vivendo uma realidade virtual) que o número de pobres tinha diminuído, contrastando com os relatórios da OCDE que contrapunha como permanecendo entre os países mais desiguais e com maiores níveis de pobreza consistente? 
Para compor o ramalhete, mudaram, também, todas as perspectivas e espectativas a um ritmo extraordinário e violento, devidas a esta nova peste que continua a assolar o mundo, e ninguém sabe muito bem como vai ser daqui para a frente.
Porém, mantenho a profunda convicção de que o cenário social vai-se agravar e, pela ordem de "prioridade", o eterno lixado é o mexilhão.

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