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UM NEGÓCIO DA CHINA

por João Brito, em 13.11.20

negócio da china.jpg

Como é do conhecimento geral, se a venda da EDP foi um mau negócio para os portugueses, foi, outrossim, um negócio da China. É claro que também foi um excelente negócio para uns bons malandros da nossa praça, como não podia deixar de ser, n'é? Acho que não é preciso nomeá-los...
Depois, falta idear a táctica para o grande acontecimento que vai marcar o centenário do Novo Ano chinês que, como se sabe, será comemorado em 16 de Fevereiro do ano de... (é só fazer as contas). Isto apesar de antecipar que vai ser um ano com muito galo. Refiro-me, claro está, ao facto do 'protectorado' de Macau retornar à administração de Portugal.
«Já não era sem tempo! Espero estar ainda vivo!» - dizia Jim Tony Quon da Silva, um português, natural de Oliveira de Azemeis, a residir no 'protectorado' desde o dia do seu nascimento (do Jim).
Porém, isto não tem nada de surpreendente, como já se devem ter apercebido, pois a História tem demonstrado, ao longo dos tempos, que a China teve sempre dificuldades insuperáveis em adaptar-se à cultura macaense. No fundo, reflecte um pouco a nossa que, se é deveras estranha para nós, devemos imaginar para os chineses...
Se quisermos ser mais rigorosos na perspectiva histórica da coisa, sabemos que a muralha da China foi construída, basicamente, com o propósito de dificultar a onda migratória de macaenses para o seu território, até aí inexpugnável; se bem se lembram, na década de 1960 do século passado, Mau Zé Tuga (mais conhecido por Nove Sete Um), um magnata luso-descendente (louro!), curiosamente com os olhos em bico e sempre a fazer beicinho, já vinha a ameaçar Macau que ia erguer uma grande muralha e que os macaenses iam pagá-la com o corpinho.
Não obstante toda a problemática à volta desta temática, andam-se a fazer coisas às cegas, não se sabendo muito bem o que são, pois os observadores não têm observado seja o que for até à data em que escrevo este artigo.
Sem embargo da tinta da china que tem corrido, tudo isto perspectiva um absoluto desconhecimento das realidades do Oriente e subsequente desorientação.
O actual governador militar do território, o General de vinte estrelas Frang Gong Bao, disse um dia destes, numa entrevista exclusiva a Jay Chop Suey, um reputado jornalista da Beijing News, que perante a continuação do impasse nas negociações entre Portugal e a China, irá pedir a demissão do cargo e solicitar a cidadania portuguesa, por causa das tosses. E não é só o governador; os seus conterrâneos têm vindo a demonstrar a sua habitual e pachorrenta impaciência perante a actual situação. Inclusive, fala-se na eventualidade de um êxodo em massa chinesa para Portugal. Como se não nos bastasse o spaghetti, valha-nos Deus!
Urge fazer qualquer coisa e justificadamente porque, das duas uma: ou o governo português aceita o pedido de protecção ou Macau invade aquilo tudo e não é pouco! Mais a mais, já não falta muito para Portugal assumir a presidência da UE e, sob esse pretexto, já prepara um caderno reivindicativo, em jeito de ultimato, para apresentar aos espanhóis, na próxima cimeira ibérica, reclamando Olivença como território nacional que, como deduziram (e muito bem), tem tudo a ver...
Prosseguindo com a linha de raciocínio anterior, uma vez recuperada Olivença - a nossa querida Olivença, diga-se em abono da verdade - o resto da Espanha está no papo até meados do próximo ano, altura em que os reinos das Astúrias, Aragão, Galiza, Navarra, Taifas e naturalmente Catalunha, se juntarão às nossas forças vivas para submeter o reino de Castela e unificar, finalmente, a Ibéria. Granada ainda não sabe para que lado se há-de virar, se para a Ibéria ou para o Estado Islâmico. Mesmo assim, oxalá (Do árabe ua xā illāh) este grande projecto peninsular tenha pernas para andar! Nem que seja, pelo menos, com uma às costas!
Ainda, de regresso à China, sabe-se de fonte bem desinformada que os chineses, com o seu habitual sorriso amarelo, lá vão tentando convencer o mundo de que o arroz xau xau é bem melhor do que o nosso malandrinho com joaquinzinhos. No entanto, Macau contrapõe e ameaça com a eminência de uma invasão se eles teimarem em denegrir esta iguaria gastronómica nacional.
Assim, os indicadores indicam - passe a redundância - que o governo chinês vai levar este aviso muito a sério, parecendo que os macaenses, perante tal receio, também abdicarão das suas acções expansionistas, ao menos até à Festa da Lua.
No pressuposto de que Macau respeitará o acatamento do seu vizinho e actual 'administrador', uma delegação do Partido Monárquico Mandarim, na ilegalidade, deslocou-se a Lisboa, rodeada de excepcionais medidas de segurança e disfarçada de chinesices, a fim de se inteirar dos segredos da nossa generosidade para com o investimento estrangeiro e a forma como o facilitamos. Isso aliado à fantástica qualidade de vida de alguns portugueses.
Entrevistado, o chefe da delegação, visivelmente entusiasmado, afirmou: "Com os vistos Gold e massagens tailandesas, vamos vivel num autêntico palaíso asiático!"
Espelemos, então, pol um final feliz...

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