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MANIFESTO DO ESBANJAMENTO

por João Brito, em 25.10.21

manifesto do esbanjamento.jpg

Caros e caras, ontem foi a crise da "bolha imobiliária"; hoje é a crise do "novo coronavírus" e esta é a pergunta sacramental: E amanhã, que crise nos estará reservada? Já pensaram bem? É que, com tantas crises, não vai sobrar um avo para nós, sabeis vós?

Portanto, antes que isto dê de si ou der o berro ou até mesmo para o torto e só nos restar entregar a alma ao Criador sem qualquer proveito, o melhor é dar andamento à coisa ou dar à sola. Mas, antes, é conveniente estarmos bem calçados. Assim, penso que soou a hora de esbanjar. As crises são um sofisma colossal, acreditem! Há muita massa para gastar! 
Diz-se que é das crises que se devem tirar grandes lições e ilações da História e bate-se exaustivamente na tecla gasta de que se devem evitar os erros do passado, et cetera. Uma tanga! Depois há aqueles idealistas românticos a debaterem e a subscreverem ideias estravagantes como, por exemplo, o "redesenho" da arquitectura financeira internacional e outras baboseiras. Mas o que é isso? Estão todos doidos ou quê?! A Banca é que manda nisto, seus morcões! Enganem lá os pobrezinhos! Esses, sim, sempre viveram em crise! Deixá-los! Nasceram pobres e vão morrer pobres; que se danem!
Agora, nós, os ricalhaços, não que diabo! Há dinheiro a rodos, ouro aos montes e riqueza "até vir a mulher da fava rica"!  Urge derreter tudo aqui antes que nos roubem! Ou, então, investir nas Ilhas Falkland, Malvinas, Antígua e Barbuda, Barbado, Seychelles, Trinidad e tantos outros lugares onde as nossas poupanças triplicam em menos de um farelo!
Juntemo-nos, pois, porque a união faz a força e assim poderemos vencer os pindéricos que invejam o que ganhámos com o suor do rosto alheio.
Unidos, venceremos, unidos venceremos!
Abaixo o porco do mealheiro, o colchão, o pé de meia, o porta moedas, a conta a prazo, o aforro, o pequeno crédito e todos os instrumentos próprios dos pobretanas endividados, essas aves raras que nunca passaram da cepa torta!
Apelo para que algumas palavras existentes no nosso léxico deixem de ser pronunciadas por gente da nossa linhagem, pois não têm sentido prático. Palavras como subsídio, tença, abono, estipêndio, pensão, pré, mesada, alcavala, bazuca, entre outras de que não me lembro, são palavras infelizes e redutoras porque todas estabelecem um limite para o que se gasta e, como tal, são um absurdo! E, meus caros e caras, o dinheiro é como o amor e as azeitonas: nunca é suficiente. Muito embora não devamos exagerar nas azeitonas porque são muito reimosas e, por conseguinte, um veneno para quem sofre de hemorroidal.
Em conclusão, o que queremos, afinal de contas, é continuar a poder gastar à vontade, sem limites, sem as travancas próprias dos tesos, dos lisos, dos falidos, dos secos, dos sem cheta; abaixo essa gente reles! Não tem onde cair morta, gentinha desgraçada!
Vivam a fartura à fartazana - passe a redundância, mas fica bem aqui - , a opulência, a ostentação, o favorecimento, a evasão fiscal, o suborno, a fraude, a luxúria, o esbanjamento, os paraísos fiscais e tudo aquilo que tenha a doce fragrância da ilicitude!
Vivam os perdulários, os gastadores e todos os que derretem dinheiro a rodos sem remorsos e com alarde!
Viva a (in)saciedade de consumo! Esbanjar é vital até à falência final (dos outros porque a gente safa-se sempre)!
Viva eu que sou um teso do caralho (belo trocadilho!) e estou para aqui a escrever disparates! Tens é dor de cotovelo, é o que é! Diz lá se não gostavas de ser rico, à custa dos parvos, hum? A inveja é muito feia, sabes?

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A FAMA QUE VEM DE LONGE

por João Brito, em 28.11.20

Há praticamente meio século Portugal vivia uma crise muito profunda. Em termos de imagem podemos compará-la, se quisermos, com aquele anúncio velhinho ao brandy Constantino: "A fama que vem de longe" para quem se recorda.
A crise portuguesa também é afamada e vem de longe por assim dizer.
Será que alguém se lembra de algum momento em que não estivemos em crise, mesmo que esse momento tivesse sido quimérico?
Pois, por muito que esprema a memória não consigo vislumbrar nem uma leve anamnese desse instante iludente. Exceptuando o período Gonçalvista das "vacas gordas". Prometo que numa próxima oportunidade debruçar-me-ei sobre esse fantástico período.
Mas, recuando novamente até ao ano de 1974 do século passado, para não me dispersar, interessa dizer que Portugal passava por uma indefinição económica e cultural de tal modo confrangedora a ponto de se tornar num dos países mais atrasadinhos do mundo. Por isso havia muito trabalho a fazer para tentar apanhar o comboio e, mesmo assim, já em andamento. Não quero com isto dizer que a crise de que vos escrevo só tenha existido desde então, nada disso! A velhaca já existia antes, mesmo muito antes! Penso até que a sua génese se perdeu no tempo...
Contudo, debrucemo-nos sobre a crise da qual subsiste alguma percepção histórica e que felizmente já passou, pois parece que hoje em dia tal indefinição está definitivamente ultrapassada, podendo até afirmar-se que Portugal deixou de ser um dos países fortemente mais atrasadinhos do mundo para passar a ser efectivamente um dos países suavemente mais atrasadinhos do mundo.
Alguns viciados em círculos viciosos especulam sob a eventual criação do quarto mundo, uma vez que o nosso país já não tem cabimento no terceiro, o que não é de admirar.
Este estado de graça, do qual uma pessoa iluminada de um extinto governo apelidou, e em boa hora, de "milagre económico", deveu-se fundamentalmente ao esforço dos vários governos que temos tido desde a restauração da "democracia" no sentido da privatização total de Portugal; nomeadamente ao empenho, espírito de missão e sentido patriótico dos nossos políticos. Tudo boa gente.
Medida de longo alcance a curto prazo, a privatização total visa eliminar radicalmente o sector público da economia bem como a própria administração, deixando o país em autogestão. Sempre nos desenrascámos sozinhos e por isso não precisamos de ajudas de custo! Parafraseando alguém, sem saber quem: Metam lá a "bazuca" no olho do cu, suas couvinhas de Bruxelas!
Novecentos anos de história é pouco, mesmo que tenhamos a perfeita noção de que são novecentos anos a dormir à sombra da bananeira (o termo vem de algumas qualificações como "país de bananas" ou "república das bananas") com alguns laivos de glória épica.
Segundo os mentideiros do costume, o grande objectivo é acabar definitivamente com a balança de pagamentos e transferir a dívida pública para as dívidas privadas dos cidadãos-patrões de si mesmos, estão a ver a coisa?
Assim parece ser o objectivo da tríade que nos tem governado há quase cinquenta anos: ir mais longe do que os agiotas da "troika" algum dia fizeram. Afinal, a coisa dividida por todos custa menos ao Estado e deixa os contribuintes mais aliviados, o que representará uma mais valia para as contas públicas. Quer dizer: privadas de uns poucos, crónicos, mas bons...malandros. As minhas mais sinceras desculpas ao Mário Zambujal por fazer um aproveitamento abusivo da sua célebre "Crónica dos bons malandros"; o seu a seu dono.
Bom, mas o primeiro passo desta política revolucionária será a reabertura de um concurso para adjudicação do sector do ensino. Parece que a melhor proposta de rentabilização do sector, a médio prazo, acaba de surgir de alguns grupos ligados a holdings chinesas, os quais pretendem assaltar outros ramos de actividade tais como a saúde e as águas engarrafadas - nomeadamente as gaseificadas.
O presidente chinês não confirma nem desmente, mas ainda circulam rumores de que terá deixado um recado a um anterior governo: "Sim senhol, mas quelemos substituil o poltuguês pelo mandalim nas escolas pala que possamos concletizal um glande (não confundir com a nossa conhecida bolota) negócio da China."
No que concerne ao sector da saúde, não obstante as enormes lacunas e consequentes dificuldades derivadas da actual situação pandémica, parece ser intenção da empresa asiática The Private Equity Health Care Capital, fundada por um ex-Goldman Sachs e negociador da Opus Day Stealing Investment Management, lançar-se no "negócio" da saúde no nosso país. Porém, cuidado com os mexicanos! Os gajos pretendem alterar a dieta alimentar nos hospitais, caso venham a investir nesta actividade. Será que ainda vamos ver os internados no Hospital da Luz a comer burrito mix temperado com chili em pó picante? Aguardemos...
Outro sector que também poderá facturar muito é o da Justiça. Pelo menos já não é tão cega como dantes. Quer dizer: tem peneiras nos olhos para os endinheirados e continua cega para os tesos.
As forças de insegurança e as forças desarmadas, sectores muitos sensíveis em todo este processo de privatização, poderão vir a ser rematados em leilão por um consórcio liderado por um produtor de filmes de Bollywood, Aditya Aja Ananda Chanda (é nome feminino, mas fonte duvidosa garante que é macho, embora com alguma reserva).
Um general de vinte estrelas, reformado e a pingar do nariz, explicou numa entrevista ao CMTV que a medida, no que se refere à tropa, só vai aumentar o clima de mal estar entre soldados e soldadas. O governo espera poder contornar esta dificuldade tomando medidas concretas, inclusive abstractas, que possam ir no sentido de melhorar o rancho nos refeitórios dos quartéis e criar camaratas unissexo até à sua insolvabilidade.
Relativamente ao processo de insolvência dos ramos das forças desarmadas, já numa fase de irreversibilidade, o juiz presidente do Supremo Tribunal Administrativo pretende nomear uma equipa de gestores para o efeito, sendo quase certo que as figuras mais indicadas para gerir o andamento venham a ser o Ministro da Falta de Defesa e o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Desarmadas, os quais se ocuparão, prioritariamente, da liquidação das massas e massinhas insolventes, nomeadamente o esparguete, o macarrão, as estrelinhas, as letrinhas e as pevides, entre outras variedades.
A própria Presidência da República será vendida a preço de saldo a uma empresa especialmente criada para o efeito, uma PPP cujo presidente do Conselho de Administração será o ex-PR, tendo um Conselho Fiscal constituído e presidido, exclusivamente, pela esposa.
Como resultado destas medidas prevê-se que Portugal apresente uma situação económica ímpar à escala global, com taxas de inflação brutais, as quais não constituirão motivo de preocupação para a massa trabalhadora uma vez que vai ser liquidada.
A agricultura é outro sector que poderá vir a recuperar o sucesso dos primórdios da nossa História. O governo encomendou um estudo ao Ministério da Agricultura e do Mar no sentido de estudar - claro está - a viabilidade de reimplantar o Pinhal de Leiria, desta vez com eucaliptos. Passaria, então, a chamar-se Eucaliptal de Leiria. Aliás até soa melhor; pinhal é feio c'mo caraças e também demora muito tempo a crescer! Para o efeito, espera-se tirar alguma lição e ilação sobre a importância desta medida ancestral para a economia nacional e tornar clara, de uma vez por todas, a indefinição acerca da autoria da ideia de mandar plantar o estupor do pinhal. Se foi o Dom Dinis ou o Dom Afonso III. Quem melhor saberá esclarecer esta dúvida quase tão antiga como a própria História Pátria, senão o Professor José Mattoso?
Relativamente ao mar, depois de ficarmos sem Armada, sem frota de pesca, sem bacalhau, sardinhas e carapau, podemos negociar a venda parcial de algumas milhas nauticas aos espanhóis que bem precisados estão. Para que nos servem tantas milhas com dois submarinos, n'é? Ainda se tivéssemos um ou dois porta-aviões daqueles bonzinhos, mesmo em segunda mão, vá que não vá!
Penso que este panorama melhorará ainda mais com a nossa saída das ligas europeias e a passagem automática às ligas africanas. Tudo depende da preservação da nossa extraordinária capacidade para superar as crises ao longo da história.
E pronto, se me esqueci de adicionar alguma coisinha a este curto (?!) artigo de opinião, peço muita desculpa!

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Ó PÁ, VALHA-NOS DEUS, OUTRA VEZ A CRISE?!

por João Brito, em 18.10.20

Angelica e Sarcozinho.jpg

Dizia-se que a crise de 2008, a tal que obrigou à intervenção dos agiotas da troika em Portugal e Grécia, era a culpada do estado a que o Estado tinha chegado nestes países. Desculpas e outras que vamos ouvindo e lendo ao longo gerações porque se não é disto é daquilo ou até de aqueloutro ou, em bom português: se não é do cu é das calças.
Porém, e não pondo de lado a hipótese de existir aqui alguma parcela de fundamento, ainda que diminuta, se excluirmos as crises dos outros, com as quais podemos bem, já cá existia uma há uma porrada de séculos. Ademais, agora, levámos com mais uma que não é somente dos outros, talvez uma das piores de sempre. Isto, não contando com as opiniões dos que acreditam em teorias conspiratórias e outras merdas ou estão convencidos de que isto é inócuo. Não esqueçamos que o Trump chama àquilo o "vírus chinês" e o Bolsonaro, uma "gripezinha". E têm seguidores incondicionais!
Mas, vamos lá ver, na minha modesta opinião e, naturalmente, saber limitadíssimo, quando começaram as crises em Portugal e, segundo o meu simples entendimento, qual a melhor forma de as contrariar:
A primeira situação de crise parece ter despontado no inicio da nossa fundação, quando os interesses do governo de Dona Teresa de Leão e os de seu filho Afonso Henriques entraram em colisão e resolveram a coisa à estalada. Situações destas entre uma mãe e um filho não são nada simpáticas e pior, foram um mau presságio para o que viria depois. O resultado é isto, passados quase novecentos anos de história.
Contudo, regressando ao assunto sobre o qual me propus escrever, penso que não se pode continuar a baixar os braços e confiar cegamente no poder Divino. O Senhor nem sempre está virado para aí ou seja, Ele é omnisciente e omnipotente, mas nem sempre é omnipresente. Portanto, não exageremos nas nossas reivindicações; temos de dar uma ajudinha, ser autónomos que diabo! Peço desculpa por misturar o profano com o sagrado, mas aqui até fica bem.
Há novos caminhos a percorrer. Se estiverem cheios de balsas, alguém tem de os desbravar. Afinal onde pára o engenho dos portugueses e o tão afamado espírito do desenrasca (não confundir com "geração rasca", expressão inventada pelo "senhor Silva")?
Por isso, este meu texto é o culminar de uma reflexão muito profunda e muito séria acerca da problemática da crise e penso que um contributo para ajudar a combatê-la. A bem da Nação, evidentemente.
Assim, para vencer a crise, é vital que ataquemos a coisa de frente três vezes sem tirar (há quem a ataque por trás; é tudo uma questão de perspectiva e até de gosto):
 
COMECEMOS PELA TECNOLOGIA DE PONTA:
Temos as horas de ponta, a ponta de Sagres, a ponta sobre o Tejo, a ponta Vasco da Gama, alguns fins de semana com pontas, a faca de ponta e mola, com ponta, sem ponta, mas, indubitavelmente, falta-nos uma verdadeira tecnologia de ponta e uma tecnologia tão sofisticada não se adquire assim do pai para a mãe. No entanto, não vale a pena pensar que somos impotentes perante a falta de ponta. Com um pequeno esforço, talvez possamos ir a tempo de arranjar alguma ponta, enfim, a suficiente para termos um final feliz. Faz-se o que se pode e a mais não se é obrigado, n'é verdade?
Vamos apontar, então, para uma verdadeira tecnologia de ponta. Não somos melhores nem piores que aqueles que não descortinam a ponta dum corno quando nos apontam o dedo como os maiores esbanjadores de fundos europeus. Um ponta pé no cu e vão para a ponta que os pariu, ociosos!
 
MEDIDAS INTERNAS:
Para além da ponta, há que adoptar medidas internas urgentes, entre as quais destaco a importância da confiança na palavra dos políticos. Temos de acabar com essa noção errada, adquirida ao longo das últimas décadas, de que confiarmos os nossos destinos a essa distinta classe é o mesmo que aceitarmos cheques sem sabermos se têm provisão. Apesar de alguma desconfiança que possamos manter presente com esta espécie, temos o dever patriótico de lhes dar mais uma oportunidade entre tantas e já incontáveis. Ofereçamos-lhes, pois, mais uma porque não será a última.
Outra falsa noção sobre a insalubridade que se instalou nas nossas rotinas e que contribuiu substancialmente para o nosso défice, é o hábito de tomar banho todos os dias. Temos de reintroduzir o ancestral costume do banho semanal, com tendência gradual para o banho anal...perdão, anual.
Razão tinham os nossos avós quando nos diziam que lavagens frequentes causavam catarro e secavam a pele. Poupa-se água, gás e luz e diminui o preço da carne de porco.
 
EXPORTAÇÕES:
Continuamos, obstinadamente, concentrados nas exportações de vinho do Porto, vinho de mesa, azeite, rolhas de cortiça, calçado, papel higiénico e lencinhos Renova (passe a publicidade), panelas de pressão Silampos (passe a publicidade) e pouco mais.
Temos fortes potencialidades para alargar o âmbito das mesmas a outros sectores da actividade económica, por forma a que, finalmente, possamos equilibrar a nossa balança de pagamentos e reduzir a dívida pública.
Destaco algumas ideias que me parecem pertinentes:
Chá, tapetes de Arraiolos e gatos para a Pérsia; Casas e rosas para o Butão; Milho para o Peru; Pescada para o Chile; Patos para a Patagónia, Rissóis para os Camarões; Negócios para a China; Cavaco e Maria para o Vaticano; Lâminas para Barbados; Malte para a Malta; Solas para o Ceilão, et cetera.
Se houver vontade política e capacidade empreendedora, é só negociar com os candidatos a importadores das nossas matérias, pois não nos faltam excelentes produtos para exportação.
E pronto. Penso que estas sugestões que aqui deixo para tentar minorar a crise devem ser objecto de um estudo muito sério por parte de quem de direito, seja ele administrativo, canónico, civil, comercial, comunitário, fiscal, internacional, penal/criminal, público, de autor e afins.
E, mais uma vez, insisto: protejam-se bem, nomeadamente os velhinhos porque os jovens não querem saber, são uns inconscientes do caralho!
Se a gente bater a caçoleta, da maneira que isto está, vai directamente para a salgadeira sem ter direito a missa de sufrágio, acreditem! Ao que chegámos! Mas não esmoreçam que melhores dias virão se não morrermos antes.

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a crise (1).jpg

Após uma reunião extraordinária do conselho de ministros, chegou-se à conclusão geral e consensual de que a crise era brutal, mas não era inesgotável. Talvez se tivesse abusado um bocadinho, mas foi tudo feito com muita transparência e dentro da legalidade democrática.
Claro que houve um ou outro ministro mais impetuoso que exigiu que se apurassem responsabilidades. Todavia, não passou de um desabafo circunstancial e os desabafos circunstanciais valem o que valem, graças a Deus. Até houve alguém que lhes disse energicamente para se calarem, pelo que recebeu bastantes aplausos da maioria dos presentes.
Um dos ministros lamentou que, de uma forma ou outra, se tenha contribuído para a delapidação da crise, quando o pensamento da maioria era de que havia abastecimento para muito tempo e até dava para exportar o excedente para a Grécia porque, tradicionalmente, os gregos costumam ver-se gregos por tudo e por nada. No entanto, para não se ferirem susceptibilidades, ter-se-ia de agradar também a troianos, não fossem ficar melindrados. Isto, para além da imprevidência de nunca se ter segurado a crise contra danos próprios. É uma falha irrevogável e, como tal, imperdoável para qualquer crise. Venha ela de onde vier!
"Irrevogável" foi um termo muito badalado por quase todos os presentes, acérrimos promotores da crise, que afirmaram ter gasto acima das suas possibilidades.
Por enquanto não foi emitido qualquer comunicado oficial sobre esta reunião, ficando no ar a grande questão: o que é que vai acontecer quando se confirmar que as reservas da crise estão esgotadas? 
Já há quem especule, nomeadamente os soalheiros do costume que, feitas as contas, vamos ter de apertar mais os cintos lá para meados de 2015. São tão parvos, valha-lhes Deus!...

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