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O ANJO CAÍDO

por João Brito, em 21.12.21

Não tinha faltado nada na mesa da consoada.
Para além do tradicional bacalhau com couves, as rabanadas, a aletria, as filhós, o arroz doce e demais iguarias com que todos se tinham regalado, sobrara a impaciência pelo soar das doze badaladas da meia noite.
Abrir as prendas que o menino jesus lhes tinha deixado no sapatinho, junto à lareira, ia ser o culminar de todas as expectativas. Satisfeitas ou não, era o que se ia constatar após a décima segunda badalada.
As crianças eram as mais impacientes, como era de esperar na circunstância, pois queriam saber se o Menino Jesus tinha atendido aos seus pedidos.
Subitamente, ouviu-se um som estrondoso vindo da cozinha e, simultaneamente, um leve cheiro a algo queimado, mas aromático. Contudo, não se tratou de um distúrbio sensorial isolado porque, tanto o estrépido como o cheiro, foram sentidos por todos; inclusive pelos avós que há muito tinham perdido as faculdades: auditiva e olfática.
«É o Menino Jesus, é o Menino Jesus! » - gritaram os miúdos excitados.
«N'é nada, ainda é muito cedo!» - ripostou o pai.
Levantaram-se dos seus lugares e acorreram à cozinha para ver o que tinha acontecido. Tal não foi o espanto geral quando se depararam com um anjo aparentemente prostrado, com as asas machucadas e fumegantes, o qual, meio envergonhado, se identificou como sendo um anjo da guarda que passava por ali quando um problema numa das asas o forçou a fazer uma aterragem de emergência.
Feitas as apresentações, desfez-se em desculpas e prometeu que ia ressarcir a família pelos prejuízos causados por aquele infeliz contratempo.
Moral da estória: Já não se fazem anjos da guarda como antigamente, é o que é!
Mas, agora, a sério: tenho um costume que mantenho desde pequenino que é agradecer ao meu anjo da guarda por me safar de situações menos boas. É claro que ele não está sempre presente e entendo isso como uma forma de  não conseguir resolver vários casos de aflição ao mesmo tempo. Não é fácil, nestes tempos tão conturbados. Nem para os anjos da guarda!
A talhe de foice: se você aí, eventual leitor ou leitora, gostar muito de anjos da guarda, veja ou reveja este filme sobre qualquer pretexto!

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