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Sei que já escrevi acerca deste tema, algures, mas a minha memória já não é a que era dantes e, por muitas voltas que dê à canhola, não descortino onde a publiquei. No entanto, permita-me, meu caro ou cara, abusar da sua infinita paciência ou, se preferir, não leia. Fico-lhe, na mesma, muito reconhecido.
Aqui vai mais uma reflexão sobre a nossa História, assunto sobre o qual me dá muito gozo escrever, na presunção de que seja, igualmente, do seu agrado, se passar por aqui.
Propus-me, desta feita, analisar algumas ocorrências mal esclarecidas, do nosso passado histórico, nomeadamente as relacionadas com o dilema de Viriato, que nunca se soube qual era, ou a razão que levou Sertório a não optar pela dupla nacionalidade. Mas nem sempre o prometido é devido, por várias circunstâncias, e, como se tem de começar qualquer coisa por algum lado, vou tecer alguns considerandos sobre o tema, fazendo uma referência especial ao nosso primeiro rei, Dom Afonso Henriques que parece-me não ser inédita, mas pronto, espero que me perdoe se for recantada.
Afonso I, de Portugal, como sabe, foi o fundador deste lindo torrãozinho à beira-mar plantado.
Como também tem obrigação de saber, a Península Ibérica, nomeadamente a sua parte mais ocidental, a Lusitânia, foi invadida por inúmeros povos, entre os quais destaco os Hunos e Indivisíveis, os Suecos (foram eles que introduziram a sueca em Portugal), os Vândalos ou Holligans, os Visigordos e os Jihadistas ou Sarracenos (sublinho que estes últimos já cá estavam há muito tempo).
Essa súcia de malandros, proveniente de várias latitudes, fixou-se em várias zonas do território que viria dar origem à nossa nacionalidade. Uns ficaram-se pelo Fundão e outros fundaram cidades como Santarém e Lisboa. Isto foi porreiro para Afonso Henriques e já lhe explico porquê, se souber e não me esquecer (vou mudar a àgua às azeitonas)...
 
Prosseguindo: Orfão de pai desde tenra idade, o nosso primeiro rei armou-se em cavaleiro quando atingiu a maioridade e começou por travar o passo ao Dom Peres de Trava, um galego que se tinha juntado em mancebia com sua mãe, Dona Teresa de Leão, uma dissoluta dos quatro costados.
No momento oportuno, ajustou contas com ambos na batalha de São Mamede em mil cento e qualquer coisa.
Já rei, à revelia do Papa (rejeitava a vassalagem), veio por aqui abaixo, montado num lindo corcel e, à frente de um numeroso exército de bravos guerreiros, antecipou-se aos demais conquistadores e tomou Santarém aos mouros. Depois desta estrondosa vitória, animado pelo feito e cheio de élan, avançou em direcção a Lisboa e, graças ao sacrifício de Martim Moniz(*) e ao precioso apoio dos cruzados da Ordem Equestre, estes últimos sob condição de virem a cavalo, também tomou aquela que é, efectivamente, o "Berço da Nação", ao invés de Guimarães, como alguns especuladores pretendem fazer crer. Aliás, basta consultar o tratado sobre Portugal Medieval, do Professor José Mattoso.
O poder do rei consolidou-se a olhos vistos e choveram elogios de todos os quadrantes políticos e partidários, particularmente dos partidários da sua causa. De tal modo que Geraldo Geraldes ofereceu-lhe a Praça do Giraldo, de mão beijada e sem qualquer pavor.
Ainda, no decorrer do seu longo reinado, Afonso Henriques teve grandes dificuldades para expulsar os restantes jihadistas islâmicos de Lisboa porque os gajos eram mais que as mães, por assim dizer. Mas, mesmo assim, teve tempo suficiente para correr com eles de Campo de Ourique; Campo Grande; Entrecampos; Conde de Redondo (Conde de Redondo é rua, mas que se lixe); Campo Pequeno; Campo Mártires da Pátria; Campolide; Campo Santana; Campo das Cebolas e se mais campos houvera lá chegara.
Para além disso, e já nas lonas devido ao avançar da idade (setenta e nove anos era uma idade muito provecta para aquela altura) e aos maus fígados associados às crises de gota (segundo as crónicas de antanho, Afonso pelava-se por aguardente de medronho), ainda teve tempo para inaugurar a Alameda, atribuindo-lhe o seu nome, narcisista como era.
Muita coisa fica no ar a seu respeito. Sei lá, olhe por exemplo: ainda há dúvidas sobre a sua cota de malha; se seria de pura lã virgem ou uma porcaria feita na China; ou como trataria o seu filho na intimidade do lar: se por Sancho, Sanchinho, Sanchocas ou, simplesmente, "pá"; ou se, porventura, terá assinado o Tratado de Zamora em cruz, sabendo-se que era um Cristão Democrata ferrenho.
No último estádio da sua vida, jamais se saberá se ele ainda teria a noção de ter fundado Portugal.
Finalmente e não menos importante: será que o nosso primeiro rei, enriqueceu à pala do seu reinado ou também foi enganado pelo Ricardo Salgado? São questões que ficam no ar, ad aeternum...
 
(*) É consabido que, se o pobre Martim não os tivesse entalado nas portas do castelo de São Jorge, para dar passagem às nossas tropas, Lisboa não teria sido conquistada com tanta ligeireza. É da História.

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AFONSO HENRIQUES

por João Brito, em 03.10.21

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Referências e estudos iconográficos, ajudam a admitir que terá sido o fundador da nacionalidade. Sabe-se, porém, que foi um homem muito valente, astuto e de elevados estatuto e estatura.

Entre as muitas façanhas ligadas a Afonso I, há uma que está registada no Guinness Book, e penso que numa rede social chamada Facebook, como sendo ímpar em todo o mundo: a de que conseguia manejar a espada só com uma mão, ao passo que, presentemente, são necessários nove homens de porte atlético para a transportar. Ora, isto é um feito que não tem igual e, por isso, digno de registo!

Só para termos uma noção aproximada da capacidade atlética de Afonso Henriques, é importante que saibamos que, actualmente, os indivíduos habilitados para transportar a espada do Fundador têm de ter, mais ou menos, a sua altura ou seja: um metro e noventa e nove vírgula nove, mais coisa, menos coisa. Isto segundo a medição efectuada na última exumação, a qual deu uma grande trabalheira! Era esperável que, durante tantos séculos, o corpo fosse encolhendo; daí que, por cautela, o "mais coisa, menos coisa" seja a atitude mais apropriada em face disso, da coisa, enfim, adiante...
Há novecentos anos o sul do país continuava na posse do Estado Islâmico e isso era uma coisa que irritava muito o nosso primeiro rei. Passava noites em claro a ler e a reler "A arte da guerra" do Sun Tzu e a protelar as suas obrigações conjugais com Dona Mafalda (também conhecida como D. Matilde, condessa de Sabóia e Maurienne) que, por sinal, até era muito feia, diga-se em abono do nosso rei, coitado!
Bem, mas como sabem, embora poucos saibam ou mesmo ninguém saiba, a Ibéria foi invadida por povos oriundos do norte e centro da Europa, nomeadamente por hunos, suevos, bárbaros, vândalos, malandros, visigordos e energúmenos, sendo que esta canalha ficou instalada a norte do rio Tejo, habituada que estava a climas menos temperados. A sul do Tejo já viviam, há uma porrada de séculos, os muçulmanos, mouros, tisnados, sarracenos, árabes e infiéis. Por essa razão, e passado tanto tempo, os do norte ainda não perderam a mania de chamar aos do sul, mouros, não se sabendo muito bem a razão de tal epíteto. Talvez invejas, quem sabe?...
Cidades como Lisboa e Santarém, com as suas famosas mourarias, são exemplos da influência dos árabes na cultura peninsular. Expressões seculares e populares como Oxalá (queira Deus, ou Alá), ou Habibi (meu amor - não confundir com o bibi da Casa Pia), fazem parte do nosso quotidiano lexical.
Bom, mas prosseguindo: Afonso Henriques, filho de pai incógnito e dos desvarios lascivos de Teresa de Leão (à qual Herculano, com a cruel acutilância da sua caneta viperina apelidou de Lucrécia Bórgia portuguesa. Ou referir-se-ia a Leonor Teles? Agora fiquei na dúvida, mas que se lixe!), depois de enclausurar a mãe, para sempre, na torre do castelo de Guimarães, por comportamento inapropriado para uma senhora nobre, e após ter trespassado o galego Fernão Peres, seu amante (*), veio por aí abaixo e tomou Almeirim, Alpiarça, Almoçageme, Almargem do Bispo, Almada, Alcoentre, Alvalade, Alcoitão, Alcotim, Albufeira, Alcabideche, Alcochete, Alfragide, Aljustrel, Almádena, Alvide, Almancil e Alfandaga (se omiti algumas, peço desculpa ao Professor José Mattoso pela minha ignorância).
O poder discricionário de Afonso Henriques consolidava-se a olhos vistos e até o Papa Inocêncio II, temeroso de perder a influência da Igreja junto dos reinos católicos da Europa, ofereceu-lhe uma bula Manifestis Probatum, o equivalente a um actual e delicado serviço de chá em porcelana da Vista Alegre, o qual teve que ser forjado a ferro forjado - passe a redundância - , dada a tendência do Fundador para partir a loiça toda. Naquele tempo, infelizmente, não existiam as boas maneiras dos tempos modernos e Afonso Henriques era disso um triste exemplo porque era um homem muito colérico.
Todavia, o Papa não lhe ofereceu a bula, assim do pé para a mão ou da mão para a chávena, para ser mais correcto. Houve alguma bulha entre ambos e a coisa ferveu quase até transbordar, até que a culpa papal só foi sancionada no papado de Alexandre III, quando finalmente reconheceu Portugal como nação indivisível pela unidade e por si mesma, o que foi uma pena, dado que a Espanha aqui ao lado que, não desfazendo, até era uma prima muito gira, ficou com o maior quinhão da Península Ibérica. 
De toda a Europa cristã choveram elogios. Desde Merkel a Emmanuel Macron, passando por Jean-Claude Juncker, Jean Louis David, Jean Paul Gaultier, Jean-Paul Sartre, Jean-Luc Godard  e, imagine-se, Jean-Claude Van Damme! Todos lhe testemunharam a sua total confiança e admiração. Não! Efectivamente o reino de Portugal não tinha nada a ver com o reino da Grécia. Longe disso, lagarto, lagarto (sem desprimor para o Sporting)!
No decorrer do seu longo reinado ainda teve muito tempo para fazer das dele. Não esqueçamos que foi ele que empurrou o Martim Moniz contra as portas do castelo de São Jorge, quando da tomada da cidade de Lisboa aos mouros, com sacrifício da própria vida. Da vida do Martim Moniz, evidentemente!
Foi ele, também, que derrotou os infiéis em Campo de Ourique, após a aparição de um misterioso ancião que já tinha visto em sonhos e que lhe terá dito que nem precisava de lutar, pois a vitória estava no papo. E não é que tinha razão, o raio do homem?!
Anos mais tarde, cheio de gota, ainda teve força para dar uma saltada a Lisboa para fundar o Instituto Superior Técnico ao cimo da Alameda à qual deu o seu nome. Nunca se livrou da fama que tinha de ser megalómano e um vaidoso do caraças!
Tudo isto não é novidade para quem se debruça em cima da História de Portugal e dos Algarves.
Outras curiosidades que ficarão eternamente por esclarecer, têm a ver com a cota de malha que Afonso Henriques usava. Terá sido feita em pura lã virgem made in Portugal ou já naquele tempo se importava porcaria da China? E quando viajava no seu corcel usava capacete e ligava as luzes? E como teria ele assinado o tratado de Samora Correia? Terá sido em cruz? Há quem sustente a tese de que Afonso não foi um aluno exemplar, pois não passou no primeiro ciclo, mas são só conjecturas.
Mais: teria o fundador a noção de que estava a fundar algo? Isto porque já naquela altura corria o boato de que sofria de Alzheimer. É que o tempo médio de vida rondava os 40 anos e Afonso já ultrapassara esse limite há muito!
E, por último, e não menos importante, teria Afonso Henriques enriquecido ilicitamente - coisa vulgar em Portugal - ou foi, também, enganado pelo Ricardo Salgado, depois de ter sido pelo Oliveira Costa com aquela história das acções que não conseguiu vender a 2,75 euros?
São perguntas às quais nenhum historiador poderá, infelizmente, responder.
 
 (*) Supostamente de sua mãe. Até à data desconhece-se se Dom Afonso Henriques tinha algum caso com o Peres. As razões do homicídio do espanhol, às mãos do rei (ou à espada do rei), nunca foram devidamenete esclarecidas e caberão noutra história.

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ADORO FAZER SEXO COMIGO

por João Brito, em 02.10.21

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Gente lambareira! Queriam sexo, n'era? Em próximo artigo faço-vos a vontade. Hoje não estou virado para aí. Antes, vou debruçar-me sobre um assunto que, embora pareça banal é mesmo trivial, acreditem! Sobretudo, se fizermos uma análise da sucessão cronológica de eventos ou factos que, por qualquer incidente da História nos pudessem ter desviado do caminho exemplar que, como nação, temos vindo a percorrer. Gostaram? Também acho que é um excelente exórdio.

Todavia, penso que a importância da reflexão que se segue é eminentemente parda, como irão ter oportunidade de constatar.
Imaginemos por breves instantes, no domínio da ficção (óbvio, dah!), que a terceira ilha do arquipélago dos Açores a ser descoberta, tinha sido a ilha do Corvo. Chamaríamos, então, Terceira à do Corvo e Segunda à Terceira? Topam? Ou tentaríamos rodear a questão, chamando à do Corvo a primeira Terceira e segunda Terceira à Terceira. Perceberam, até aqui, onde é que quero chegar? Problemas idênticos poderiam ter alterado o nosso percurso histórico se tivesse sido o Vasco da Gama a atravessar o estreito de Magalhães, ou ainda a Maria de Lurdes Modesto a cozinhar pela primeira vez Bacalhau à Zé do Pipo.
Se Afonso Henriques tivesse nascido em 1499, como poderia ter sido o fundador da nacionalidade? E se só a tivesse fundado nessa época, como poderíamos ter, actualmente, quase nove séculos de História? Mais, ainda: de que serviria ao primeiro rei de Portugal conquistar Lisboa aos Sarracenos, se os gajos não tivessem, ainda, invadido a Península Ibérica? E onde ficariam os tintins do Martim Moniz na História, se a infantaria lusa não tivesse irrompido pelo castelo de São Jorge adentro? Convenhamos que, se o herói e mártir da tomada de Lisboa não os tivesse entalado nas portas do castelo, tomar a cidade aos Suevos, aos Hunos, aos Visigordos, aos Vândalos, ou até, mesmo, aos Energúmenos não teria a mesma graça.
Já agora, seguindo a mesma linha de raciocínio lógico, já imaginaram, também, como há por aí tanto amor desencontrado, perdido, esquecido? Não?...Têm a certeza?... Vejam lá, se precisarem de um ombro amigo, estou aqui, não se façam rogados!

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MAIS UMA ACHEGA PARA A HISTÓRIA DE PORTUGAL

por João Brito, em 01.10.21

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João Ratão 21.01.18

Confesso que, quando escrevi o primeiro artigo sob a epígrafe, nunca pensei que ia ter de retorno tanto élan mediático e tanto carinho para continuar. Simultaneamente, também senti o apelo sagrado dos nossos heróicos antepassados e a pressão expectante dos que hão-de vir depois de mim e, só assim, tive a percepção extra-sensorial de que tenho o dever de prosseguir na valorização da nossa História que anda tão arredada do conhecimento geral. Para além do mais, é reconfortante pensar que passo, mas o meu legado permanecerá perene, "per saecula" (segundo o tradutor do Google que eu de latim pesco zero).
Depois de tudo isto - e não é pouco - cada vez que me olho ao espelho, vejo reflectida a imagem de um gajo feliz porque tem a perfeita noção de que está a prestar um enorme serviço à folha, analisando e dissecando os factos mais significativos cá do burgo.
A seguir a este intróito, facilmente digerível, prossigamos, então, na demanda do saber da História Pátria.
Debrocemo-nos só um bocadinho (sem exagero) sobre a primeira dinastia, nomeadamente acerca de Dom Sancho I que, como sabem, era filho do primeiro rei de Portugal: Que espécie de garanhão teria sido, para merecer o cognome de "O povoador"? E o que seria de Portugal sem o seu - digamos - contributo?
É fácil de pressupor que seríamos um país deserto, com meia dúzia de mouros convertidos ou, pelo menos, envergonhados, e alguns cristãozitos novos espalhados por esta bestial imensidão territorial que o Afonso Henriques nos legou. Sim porque nos primórdios da nacionalidade já a Santa Inquisição fazia das suas para garantir uma fé católica com um elevado nível de qualidade, perseguindo, torturando e matando malta das minorias étnicas a torto e a direito, nomeadamente mouros e judeus. Era ver os malvados católicos, uns espertalhaços do caraças, a incitar à violência contra as mourarias e judiarias. É indescritível porque era uma carnificina pegada. Palavra, juro que isto não é ficção!
Ninguém escapava às malhas do Santo Ofício. Aliás, a bula emitida pelo Papa Alexandre III, a 23 de Maio de mil cento e qualquer coisa (é consultar a História da Vida Privada em Portugal, do Professor José Mattoso), que declarou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão, reconhecendo o tratado de Samora Correia (não confundir com Samora Machel, cujo foral só lhe seria atribuído, séculos mais tarde), só teve efeito retroactivo quando Afonso Henriques se comprometeu, sob a honra de sua mulher, Dona Matilde condessa de Sabóia e Maurienne, a expulsar os jihadistas islâmicos do reino de Portugal (o dos Algarves ficaria para mais tarde) e a converter os gentios à fé cristã, a bem ou a toque de caixa. Mas regressemos a Dom Sancho I; divaguei novamente, peço desculpa.
Pacientemente, Sancho (não confundir com o Pança que só viria a nascer uns séculos mais tarde) andou por aqui e por acolá a povoar feito um obstinado, a encher ventres de Sanchinhos e Sanchinhas, dando desse sacrifício um exemplo de abnegação aos assépticos e escassos habitantes da novel nação.
Consequentemente, só bastante mais tarde é que Carlos I teria sido alvo de regicídio e, por conseguinte, seria implantada a república que teve em Aníbal Cavaco Silva o expoente máximo do seu esplendor (da república, evidentemente).
Muito tempo depois ou talvez antes, quem sabe, Thomas Edison substituía os candeeiros a petróleo da sua casa por lâmpadas eléctricas o que foi considerado, na época, uma inovação muito engenhosa.
Seria imperdoável omitir, aqui, o papel predominante e igualmente inovador do nosso rei Dom Dinis que, mais ou menos na mesma ocasião, mandou plantar o pinhal da Azambuja, conseguindo com essa ideia megalómana, mas deveras avançada para a altura, deter as areias movediças da Ericeira que ameaçavam soterrar o planalto de Santarém.
Dinis era um tipo muito cultivado e um excelente trovador, como é consabido; está escrito. Porém a sua grande paixão foi sempre a agricultura. Para o rei lavrador, amanhar a terra era trigo limpo e favas contadas e, contra isso, batatas. A talhe de foice, convém recordar que foi ele que inventou um analgésico (não confundir com medicamento para as hemorróidas) à base de essência de batatas, dado que o Paracetamol - passe a publicidade - só seria comercializado séculos mais tarde.
Os contemporâneos do rei, diziam que era uma pessoa muito à frente, porém muito simples e muito querida do povo. Todavia não acreditava em milagres. Míope como era, não via com bons olhos as acções caritativas de sua esposa, Dona Isabel de Herédia, mais tarde morta e muito mais tarde santa.
Vale a pena recordar, um tanto, aquele milagre que ficou para a História, lembram-se? A cena em que o rei interpelou a rainha, querendo saber o que é que ela trazia escondido no regaço e Dona Isabel, naturalmente atrapalhadíssima, teria respondido que eram "pepinos, meu senhor!" e, deixando cair o regaço - salvo seja - logo se soltaram doze lindas pombinhas brancas que esvoaçaram graciosamente até às cabecinhas dos pobrezinhos que a ladeavam e que, instantaneamente, se transformaram em "burritos" de peitinhos de pomba. Milagre puxa milagre, sabem o que é? O resto já tinham obrigação de saber...
Depois deste episódio singular e muito comovente, e vencido o rei, embora não convencido, lá teve que dar a mão à palmatória, lançando as raízes da provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, nomeando para o efeito uma personagem enigmática, mas - dizia-se - com vastos pergaminhos nesse domínio, um plebeu sem brilho chamado Pedro Santana Loló. Parece ter sido uma decisão leviana do rei, mas, enfim, era lá com ele, o homem era soberano.
Entretanto devem ter havido montes de batalhas com os mouros, conflitos de interesses com os castelhanos e demais chatices. Porém, se quiserem aprofundar os vossos conhecimentos acerca deste e de outros episódios marcantes, sugiro que consultem também o Compêndio de História Medieval do Professor Mattoso.
Apesar de tudo, é de primordial importância esmiuçar os meandros, reflectir sobre os factos, meditar, por exemplo, sobre a sucessão dos reis desta dinastia tão decisiva para a independência nacional.
Voltando a Dom Dinis, suponhamos, só a título de curiosidade, que o rei já lavrava muito antes de Afonso conquistar Lisboa ao Estado Islâmico ou que Fernando poderia ser gordo, sendo um gajo formoso, ou que Afonso II, sendo gordo, poderia ser povoador ou mesmo Pedro I que, apesar de cruel, poderia ser gordo, borgonhês, povoador ou lavrador.
Suponhamos, ainda, que Teresa de Leão, uma aleivosa do piorio, com a qual seu filho, Afonso Henriques, não ia à bola, dobrava o Cabo das Tormentas, casando-se depois em segundas núpcias com o "doutor" Caçoleta Apara Relvas. Teríamos a primeira dinastia toda desordenada e não surgiria, possivelmente, esse período que foi, talvez, o mais belo da nossa História e que mereceu o nome de Interregno. Dá para reflectir um pouco, vá lá, puxem pelas cabeças!
E pronto; depois de mais esta achega, prometo que, brevemente, tentarei demonstrar como os portugueses, dispostos em dodecaedro regular, derrotaram os fenícios em Alcoentre, graças a um incontestável (não confundir com Condestável) entusiasta dos jogos de estratégia, Dom Nuno Álvares da Câmara Pereira. Séculos após essa famosa batalha épica, reinventou-se uma nova e próspera nação que culminou no milagre económico actual, tão elogiado por um ministro teutão que, quiçá, num momento de epifania, imaginou ver Mário Centeno na pele do CR7. Vai daí que o 'nomeou' ponta de lança da selecção europeia; não é bestial?! Esperemos que se porte na ponta da unha e não desate a dizer que alguns colegas estoiram a massa em noitadas, putas e vinho verde...
Finalmente, e contrariamente ao que se esperava, o país está porreiro porque alguém, num acaso oportuno e feliz de profunda inspiração, apelidou esta maravilhosa reinvenção de "geringonça". Assim, o alento me ilumine, também, as ideias...

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