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RICOS E POBRES

por João Brito, em 30.03.20

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Desde a fundação (não confundir com fundição) da nação - reparem que somos um país com quase mil anos de história; é obra! - , a vida dos portugueses tem vindo a melhorar a olhos vistos. É claro que, no meio disto tudo, há pessoas que, por obra e graça do destino, nasceram ricas e outras que nasceram pobres, como não podia deixar de ser. Se tiverem paciência para ler, eu explico: 
Digamos que, tirando a fortuna ou a fatalidade, prerrogativas de ordem superior à nossa vontade e invejas à parte, toda a gente sabe que enriquecer sempre foi um segredo bem guardado. Das duas, uma: ou se tirava um curso intensivo de enriquecimento, normalmente por correspondência, isso era fácil, só se necessitando de ter um pouco de expediente ou, então, já se nascia rico como atrás referi. Não era coisa que se aprendesse nas escolas oficiais, longe disso!
O empobrecimento, também era uma condição muito evidente. Parecia que se adquiria à nascença, tal e qual uma herança genética, um estigma, ou algo parecido. O processo era o mesmo, só que ao contrário, estão a ver? Vai daí que, não satisfeitos, até inventaram a pobreza envergonhada; tão assim que os pobrezinhos até tinham vergonha de o transparecer. Isto por contradição com a riqueza opulenta, arrogante, provinciana; só para os ricos não se rirem, esses toscos!
Bom, mas isso já foi na noite dos tempos; agora está tudo muito mudado, mais democratizado; a sociedade evoluiu muito; alguns pobres até têm subsídios para serem menos pobres, não obstante continuarem pobres, e os ricos também estão bem protegidos porque continuam ricos.
Afinal, o dinheirinho não está tão mal distribuído como alguns críticos, nomeadamente esses esquerdistas ranhosos - sempre os mesmos - nos pretendem impingir.
A adesão à chamada "moeda única" foi só mais um complemento para reforçar o poder de compra bestial de alguns e, por consequência, a sua excelente qualidade de vida. Haja alguns que beneficiem do privilégio de serem cidadãos, plenos (sublinho plenos), da Europa! No fundo, não podemos ser muito exigentes e querer este mundo e o outro em tão pouco tempo de "democracia", n'é verdade? Quase meio século é ainda tempo insuficiente para agradar a gregos e troianos. Pode acontecer que daqui por mais meio século a coisa se resolva a contento das partes. Afinal, ser pobre não é, propriamente, uma tragédia. Ousaria, se me permitem, pensar que é, cada vez mais, um estatuto. E depois existe esta saudável incompatibilidade entre ambos. Mau seria existir uma sociedade onde os ricos e os pobres estivessem divididos por um foço. Isso, sim, seria uma tragédia! Querem coisa mais linda a gente perguntar a um velhinho se a reformazinha dá para as despesas? Depois, onde é que se encaixava a caridadezinha, digam lá?!
Viva o meu querido Portugal e vivam os ricos e os pobrezinhos! Ademais, não nos esqueçamos que o impacto económico e social do "coronavírus" vai dar mais substância a este maravilhoso antagonismo que se vai manter imperecível, se Deus quiser. 
Contudo, se o que acabei de escrever é puro disparate, não desistam; pensem positivo. Não esqueçam que daqui por cem anos estão cá outros e, assim, até podemos prescindir dos anéis e dos dedos.
Que se lixe! Olhem, sobra o ar que se respira. Dizem que está mais limpo. Há males que vêm por bem...

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