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RICOS E POBRES

por João Castro e Brito, em 08.01.23

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Desde a fundação da nação – reparem que somos um país com quase mil anos de história; é obra! – , a vida dos portugueses tem vindo a melhorar a olhos vistos. É claro que, no meio disto tudo, há pessoas que, por obra e graça do destino ou, até, do Divino Espírito Santo, nasceram ricas e outras que nasceram pobres, como não podia deixar de ser. Se tiverem paciência para ler, eu explico:
Digamos que, tirando a fortuna ou a fatalidade, prerrogativas de ordem superior à nossa vontade e invejas à parte, toda a gente sabe que enriquecer sempre foi um segredo bem guardado. Das duas, uma: ou se tirava um curso intensivo de enriquecimento, normalmente por correspondência – isso era fácil, só se necessitando de ter um pouco de expediente – ou, então, já se nascia rico como atrás referi. Não era coisa que se aprendesse nas escolas oficiais, longe disso!
O empobrecimento, também era uma condição muito evidente. Parecia que se adquiria à nascença, tal e qual uma herança genética, um estigma, ou algo parecido. O processo era o mesmo, só que ao contrário, estão a ver? Vai daí que, não satisfeitos, até inventaram a pobreza envergonhada; tão assim que os pobrezinhos até tinham vergonha de o transparecer. Isto por contradição com a riqueza opulenta, arrogante, provinciana; só para os ricos não se rirem, esses toscos!
Bom, mas isso já foi na noite dos tempos; agora está tudo muito mudado, mais democratizado; a sociedade evoluiu muito; alguns pobres até têm subsídios para serem menos pobres, não obstante continuarem pobres, e os ricos também estão bem protegidos porque continuam ricos.
Afinal, o dinheirinho não está tão mal distribuído como alguns críticos, nomeadamente esses esquerdistas ranhosos – sempre os mesmos – nos pretendem impingir.
A adesão à chamada "moeda única" foi só mais um complemento para reforçar o poder de compra bestial de alguns e, por consequência, a sua excelente qualidade de vida. Haja alguns que beneficiem do privilégio de serem cidadãos, plenos (sublinho plenos), da Europa! No fundo, não podemos ser muito exigentes e querer este mundo e o outro em tão pouco tempo de "democracia", n'é verdade? Meio século é ainda tempo insuficiente para agradar a gregos e troianos. Pode acontecer que daqui por mais outro tanto a coisa se resolva a contento das partes.
Afinal, ser pobre não é, propriamente, uma tragédia. Ousaria, se me permitem, pensar que é, cada vez mais, um estatuto. E depois existe esta saudável incompatibilidade entre ambos. Mau, seria existir uma sociedade onde só houvesse ricos ou pobres. Isso, sim, seria uma verdadeira tragédia! Querem coisa mais linda a gente perguntar a um velhinho se a reformazinha dá para as despesas? Depois, onde é que se encaixava a caridadezinha, digam lá?!
Viva o meu querido Portugal e vivam os ricos e os pobrezinhos!
Ademais, não nos esqueçamos que o impacto económico e social do chamado novo coronavírus e da guerra da Ucrânia veio dar mais substância a este maravilhoso antagonismo que se vai manter imperecível, se Deus quiser.
Contudo, se o que acabei de escrever é puro disparate, fruto da minha demência, não desistam; pensem positivo. Não esqueçam que daqui por cem anos estão cá outros e, assim, até podemos prescindir dos anéis e dos dedos.
Que se lixe! Olhem, sobra o ar que se respira! Isto, não obstante estar novamente irrespirável – passe a contradição.

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