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PURA MAGIA EM TEMPO DE PANDEMIA

por João Brito, em 14.01.22

magia em tempos de pandemia.png

Hoje, lembrei-me duns truques de magia, muito giros e nada complicados, que aprendi com alguém, não sei quem, mas isso é irrelevante para esta estória. Atão, o primeiro é assim: peguem em duas moedas novas de dois cêntimos, daquelas pequeninas e ainda amarelinhas, e tentem trocá-las por duas de dois euros. É claro que vão ser acusados de batotice e ouvir coisas do género "Assim não vale!" e outras merdas chatas que me escuso de repetir aqui por uma questão de decoro.
Porém, deixo-vos um conselho: não desistam, por mor de Deus, e repitam tantas vezes quantas as que forem necessárias ou, então, exaustivamente (exaustivamente, neste contexto, quer dizer quase a desfalecer) até terem êxito.
 
Segundo truque: peguem numa caixa que pode ser de sapatos, biscoitos ou uma caixa-forte, consoante as vossas disponibilidades.
Obtida a caixa, vão depositando os trocos miúdos que encontrarem nos fundos dos bolsos, sobretudo nos primeiros dias do mês. Quando estiverem com os fundos falsos ou sem fundos de maneio e tampouco fundos de reserva, quer dizer que bateram a fundo. Nesse sentido, dirijam-se à caixa (não confundir com CGD), digam as palavras mágicas que acham que são as mais adequadas para o momento e abram a caixa.
Graças a este acto de magia pura e inocente, após somarem os trocos que conseguiram juntar, poderão respirar de alívio, pelo menos, durante mais 2 minutos por mês, pois já devem dar para comprar meia-dúzia de papos-secos.
 
Terceiro e último truque: não sei se já pensaram convidar alguém para jantar, depois de passar esta cena mazinha, mas olhem, pela minha parte, ando cheio de vontade de o fazer e, assim, deixo-vos aqui mais uma sugestão ou passe de magia pura, pois é disso que se trata.
É claro que parece mal não convidar, uma vez que também já foram convidados há muito tempo e aceitaram os convites sem reservas. Aliás, deixem que vos diga que agiram com muito sofisma porque já sabiam que andava por cá um vírus lixado que ia obrigar a malta a confinar e, nesse sentido, aceitaram todos os convites dos vossos amigos, antes que se fizesse tarde. Deixem lá, não fiquem com a consciência pesada; no vosso lugar, faria o mesmo.
Mas adiante senão disperso-me. Então é assim: as pessoas vêm se (não leva hífen, nada de confusões) forem convidadas, evidentemente, comparecendo à hora e dia previamente definidos, com máscara e respeitando a "distância social" de dois metros.
Então, vocês abrem a porta, esboçam um olhar de surpresa, sem deixarem de sorrir, e dizem: «Mas não era para hoje!...»
Obviamente, não vão deixar os convidados pendurados por causa de um mal-entendido provocado por eles. Assim, mandam-nos descalçar os sapatos, deixá-los à porta, lavar bem as mãos e sentá-los à mesa bem espaçados uns dos outros. Quem não couber, fica a aguardar em fila indiana, à distância regulamentar, que outros acabem de comer e se ponham a mexer.
A coisa resolve-se com umas salsichas e uns ovos estrelados e as pessoas, naturalmente, vão pedir desculpa pelo transtorno. É uma maneira simpática de vocês pouparem umas massas porque os tempos não estão de feição para servir lagosta suada ou perdiz estufada com vinho do Porto.
Por outro lado, resulta sempre porque vão pensar que os anfitriões, realmente, não esperavam visitas para comer e o jantar é oferecido com uma simplicidade mágica.
E não me lembro de mais truques, peço, encarecidamente, desculpa.
Olhem, tenham um bom fim de semana e não acreditem em favas contadas só porque já levaram a dose de reforço da vacina. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém!

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