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PORTAL DO CIDADÃO

por João Brito, em 23.05.18

portal do cidadão.jpg

Há tempos tentei registar-me num sítio chamado Portal do Cidadão, visto que, segundo o que reza o dito, requerer documentos via electrónica é um processo muito simples e, sobretudo, gratuito (sublinho gratuito)...
Após entrar no tal portal e tentar prosseguir com o propósito que me levara a fazê-lo, por muito que insistisse surgia no ecrã uma janelinha com a seguinte informação: "Não tem os perfis necessários para aceder a este portlet"...
Passados uns dias repeti o processo de "adesão" e lá consegui, pelo menos, registar-me. Foi-me atribuída uma chave de acesso. Só que, quando a introduzi, apareceu uma janelinha com outra informação: "Falha na Autenticação. Por favor, tente novamente". Desta vez não passei da primeira tentativa porque fiquei bestialmente chateado com o computador. No entanto, e sem grande expectativa, questionei quem de direito, explicando o que se passava e obtive como resposta justificações demasiadamente evasivas (ou técnicas) para a minha iliteracia internética ou, em português simplificado: a prosa era "areia de mais para a minha camioneta".
Depois disto, até perdi a vontade de contactar telefonicamente o tal portal porque penso que nem as pessoas que atendem - e garanto que sou useiro em pedir esclarecimentos via telefónica - conseguem dar respostas cabais, salvo raríssimas e obviamente competentes excepções. Dou o exemplo de já ter ligado duas vezes para um número daqueles, tipo "Fale connosco ou contacte-nos" - algo assim parecido - , ser atendido por um operador e ter obtido explicações opostas às que me tinham sido dadas por outro operador...
Devo presumir que não sou o único a ficar insatisfeito com tais explicações, algumas até com algum grau de comicidade...
Fico sem saber se, do outro lado, compreendem o significado do "aramaico" em que, habitualmente e de forma automática, respondem às questões desta natureza ou similares. Personificando a coisa, até parece uma "atitude sobranceira" do programa, só para baralhar a malta que não pesca nada do assunto, nomeadamente velhotes como eu que não têm licenciaturas em informática e que, a expensas "intelectuais" próprias, lá conseguem completar heroicamente, pelo menos, a instrução primária dos computadores. Um erro crasso do governo do Sócrates, quando decidiu tentar ensinar exclusivamente os meninos das escolas a trabalhar com os famigerados computadores "Magalhães". Isto dava outra história (não confundir com estória). Prometo que um dia escreverei sobre isto, mas só a pedido e sob reserva.
Como sou um fervoroso adepto de teorias conspiratórias, fico sempre com um pé atrás com estas cenas e lembro-me de alguma cabecinha louca de programador, qual professor Pardal, cujo entretenimento é botar umas coisas incompreensíveis em programas de processamento de dados por puro gozo, quiçá para se masturbar à conta do drama eterno da má relação entre o cidadão e os órgãos do Estado.
Portanto, não sei para que serve esta coisa. Será, efectivamente, para tornar a relação mais fácil entre os cidadãos e a administração pública, como enfaticamente refere?
No fundo, a minha pretensão é ajudar a Nação a ser menos burocrática, utilizando uma ferramenta, criada pelos seus dilectos servidores, para o efeito: simplificar tão somente...
Sei, de sobejo, o tempo que se perde num balcão de uma repartição pública, mormente num registo civil para que passem qualquer tipo de certidão: um papelinho singelo que nos é passado em cinco minutos, depois de horas seguidas de desespero para ser atendido. É stressante para as duas partes; e aqui é claro que também não posso desvalorizar a experiência desagradável e recorrente de quem atende algum público menos "civilizado". Pessoalmente, já tinha dado em doidinho.
Em algumas circunstâncias, tenho experienciado viver quase que numa dimensão parecida com a que nos é oferecida pela excelente série de ficção científica, Twilight Zone...
Contudo, os burocratas, esses espécimes calculistas, teimosos que nem burros (sem desprimor para a inteligência desses dóceis equídeos), só têm olhinhos para o dinheiro (fácil).
Se o objectivo é dificultar a vida à malta para que perca uma porrada de horas em filas de espera e pague ao "ladrão" 20 euros por um singelo papel timbrado, tudo bem, desisto. Que é que se há-de fazer? No entanto, não digam que estas tretas, via online, são à borliú porque, no meu fraco entendimento, contudo ainda não destituído de tino, não passam de um ardil. Se estiver enganado, peço desculpa aos malandros que nos vão, sistematicamente, ao... bolso.
É o "Simplex", pá!

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