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EROTISMO E PORNOGRAFIA

por João Brito, em 21.01.19

erotismo e pornografia.jpg

Sem certeza científica, crê-se que na idade da pedra lascada a indumentária ainda não fazia parte dos nossos usos e costumes. Tampouco se sabe, ao certo, quando é que o uso de roupa passou a ser uma rotina social. Associado à dispensabilidade de usar roupa, também não existia fosse o que fosse para preencher as horas de quietação dos seres vivos. Nomeadamente os de quatro patas.
Sim porque naqueles tempos o Homo sapiens idaltu erectus bípedus era uma quimera! Então, falar acerca das coelhinhas da Playboy ou das notícias do Correio da Manhã (mil vezes as coelhinhas!), seria algo inconcebível para aqueles tempos remotos. Daí que, com tanta limitação de meios lúdicos, havia tempo de sobra para a ociosidade. É preciso não esquecer que a agricultura ainda não tinha sido inventada e, por conseguinte, os bichos eram recolectores e, enfim, tudo o que mexesse fazia o que podia e a mais não era obrigado.
Mas, voltado ao propósito deste artigo e pedindo desculpa pelo devaneio, pode-se inferir, a grosso modo, que o erotismo precedeu a pornografia e passo a explicar, segundo a minha perspectiva:
Seguindo a linha evolutiva ou evolucionária dos hábitos dos nossos ancestrais chega-se à antiguidade clássica em que se colocam algumas questões quanto ao desregramento de costumes dos nossos avitos gregos ou até mesmo sobre as pretensas relações eurogenitais entre a senhora Merkel e o ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy (penso que se escreve orogenitais, mas não tenho a certeza) ou, quiçá, sobre a alegada necrofilia dos egípcios e os grandes bacanais dos romanos ou ao debate secular sobre a orientação sexual do nosso primeiro rei, Dom Afonso Henriques.
Contudo, a pergunta que deixo no ar é a seguinte: será que conhecemos a diferença – quanto a mim subtil – entre erotismo e pornografia? Vejamos as seguintes respostas (peço desculpa, mas só encontrei duas pessoas laicas que se prontificaram para responder a esta questão, afinal tão questionável (passe a redundância):

- Pistácio Prepúcio, professor de História Antiga, reformado: «Hoje, sem embargo dos meus vastos conhecimentos sobre um tema tão apaixonante, vou dar-lhe exemplos da nossa História que poderão confirmar que a sua tese é falsa e existe, com efeito, uma diferença abismal entre os dois conceitos. Repare nos amores de Pedro e Inês. Coisa mais linda! Indubitavelmente, um caso erótico, na minha modesta opinião. Outro caso, o dos enrolanços de Leonor Telles com os espanhóis foram pura pornografia, uma vergonha nacional! Mas, se quisermos avançar um pouco mais, podemos referir o caso da corte que fugiu para o Brasil por altura das invasões napoleónicas. Julgo que houve nesta decisão da Família Real um pouco de sadomasoquismo de cariz erótico. Já para não falar sobre a batalha de Trancoso: pornografia pura e dura, até doeu!... Não acha?»

- Morgado Morcão, ex-deputado do CDS: «Se me fizesse essa pergunta aqui há uns anos, nem me dava ao trabalho de responder à sua provocação. Já me bastou ter de engolir, em seco, aquele poema vergonhoso da Natália Correia, e as porcarias que o Correio da Manhã, inventou sobre mim, credo! Mas, para não ser sempre apelidado de reaccionário, aqui tem a minha opinião pessoal ou não fosse pessoal, óbviamente!
Então é assim: Acho que o erotismo é uma coisa a modos como fazer um filho através do acto sexual, mas somente isso; só procriação com a graça de Deus e nada mais! Pornografia, meu caro, tem que se lhe diga, é muito mais complexa! Já passou alguma vez pela rotunda do Marquês? Os testículos do leão, pá, aquilo é vergonhoso para o país e até insultuoso para o próprio Marquês, não lhe parece? É pornografia, ou não é? Use uns binóculos e, depois, venha falar comigo!»

Dado que só encontrei estes dois testemunhos que em nada abonam em favor da minha asserção, embora não questione a seriedade das suas intervenções, resta-me deixar no ar a permanente dúvida em relação à existência, ou não, de distâncias incontornáveis entre o erotismo e a pornografia. O espírito das pessoas também não contribui para esclarecer esta dicotomia entre dois conceitos cujas fronteiras se esbatem onde quer que dois seres se encontrem para uma boa cópula. Quem diz dois, diz três – o famoso "ménage à trois" – ou mais, sei lá, um comboio, uma ambulância, o maximbombo do amor, uma batalha campal, et cetera.

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