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DOM AFONSO HENRIQUES

por João Castro e Brito, em 19.04.24

afonso henriques1.jpg

Eh pá, já escrevi tantas vezes sobre o nosso primeiro rei que, qualquer dia, isto pode vir a traduzir-se num caso sério de fixação obsessiva, quase um caso psicossexual, digamos assim.
Para si, que me lê habitualmente com muito prazer e, às vezes, até com alguma condescendência, aqui lhe deixo o meu mais veemente pedido de desculpa porque tenho receio de que estas coisas sejam os primeiros sintomas de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo).
Bom, mas como o prometido é devido, penso que aqui há tempos deixei a promessa de analisar certos factos históricos de alguma relevância, como, por exemplo, saber que razão esteve por trás da dramática decisão de Viriato não se ter dedicado à filatelia. Todavia, como nem sempre se cumpre o que se promete, e na esperança de que me perdoe o incumprimento, resolvi voltar à carga com o Fundador da Nação.
Como você sabe, ou pelo menos tem a obrigação de saber, salvo se for ignorante, a Península Ibérica foi invadida por gajada oriunda de muitos lados.
Hunos ou Indivisíveis, Suecos, Visigordos, Energúmenos, Vândalos, Malandrinos, Hooligans e Mao Metanos (não confundir com Mao Istas*), todos eles deixaram as suas pegadas de carbono por aqui.
Os Mao Metanos (gente com fortes distúrbios gastrintestinais), Muçulmanos, Árabes, Sarracenos, Mouros e Jiahdistas, esses, instalaram-se um pouco por toda a parte, como se isto fosse o da Joana, criando praças fortes, como Santarém e Lisboa.
Ora, isto foi um bom pretexto para Afonso Henriques consolidar a sua vontade férrea de ser o dono disto tudo e vir por aqui abaixo feito um desenfreado, cheinho de vontade de dar uma carga de porrada a esta malandragem e, naturalmente, espalhar a fé de Cristo.
Órfão de pai aos três anos e homem de vistas largas, apesar de usar óculos, travou o passo ao filho da puta do Dom Peres (efectivamente, Dom Peres era filho de uma mulher de maus costumes. Isto, de acordo com os padrões morais daqueles tempos; está devidamente documentado nos arquivos históricos da Torre do Tombo), armou-se em cavaleiro de corrida (não confundir com carapau de corrida) e fez-se ao caminho à frente de um numeroso exército.
Chegou muito antes dos outros e tomou Santarém aos Mouros, com a ajuda de um copo d'água. É o que faz a sede de glória.
Pouco tempo depois, tomou Lisboa com a ajuda de muitos escudos e muitas lanças. É claro que com muitos cruzados também. Evidentemente que nada disto nos admira, dado que o cruzado era moeda de troca na altura.
O poder de Afonso Henriques consolidou-se a olhos vistos. A sua fama chegou além fronteiras. De toda a parte choveram louvores. Geraldo Geraldes a todo o vapor e sem pavor, por exemplo, ofereceu-lhe Évora, para perpetuar os seus feitos. Porém, Afonso ficou muito decepcionado com a oferenda, dado que a Praça do Giraldo não passava de um projecto e a cidade estava reduzida a um simples templo romano.
Conflituoso, o nosso primeiro rei, até com o papado teve bate fundos de ferver em pouca água.
A coisa tomou tais proporções que a designaram de "bulha papal".
No decorrer do seu longo reinado, o nosso rei teve tempo pra tudo: derrotou os mouros em Campo de Ourique, após um encontro com um ancião que se havia cruzado com ele, garantindo-lhe que a vitória estava no papo; fundou o Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, ao cimo da alameda com o seu nome, símbolo da sua megalomania, e posou para selos de 5 tostões, comemorativos do seu septuagésimo aniversário (actualmente, fora de circulação).
Contudo, muito fica por dizer a respeito de Afonso Henriques. Pelo menos, por agora. Por exemplo: a sua cota de malha era de pura lã virgem ou era uma merda feita na China?
E o tratado de Zamora? Terá sido assinado em cruz? É consabido que Afonso só tinha completado a quarta classe do ensino primário, e com muita dificuldade, mas lá cristão era ele!...
E mais: teria o senhor a noção de que estava a fundar Portugal (não confundir com "afundar Portugal" que é o que os políticos têm andado a fazer desde o 25 de Abril)?
E a derradeira pergunta: terá Afonso Henriques enriquecido ilicitamente ou também terá sido enganado pelo Ricardo Salgado com a aceitação dos tais 253 mil euros de financiamento do BES?
São perguntas que vão ficar eternamente sem resposta, dado que Afonso I morreu em dezembro de 1185, segundo rezam as crónicas, desconhecendo-se as causas exactas da sua morte, mas sabe-se que contava 76 anos, idade muito avançada para aquela altura, e sofria muito de gota.
(*) Os Mao Istas, vieram a estabelecer-se definitivamente em Portugal, ainda no século XX, contribuindo para a disseminação das famosas lojas dos 300.

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