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DEVE-SE DESFAZER O CARÁCTER MÍSTICO DO SEXO?

por João Brito, em 13.10.21

sexo místico.jpg

Alguém muito famoso, cujo nome não me ocorre no momento, terá dito, algures no tempo, que o "grave problema do sexo vem das origens do segundo homem" e prosseguiu: "Isto porque o primeiro nasceu por obra e graça do Criador e, curiosamente ou talvez não, tampouco gratulou numa página de jornal dedicada exclusivamente a orações de agradecimento." E prosseguiu: "Porém, o segundo já foi concebido segundo critérios mais definidos e mais avançados que ainda hoje se mantêm tão actuais que ninguém ousa meter o bedelho, ou outra coisa qualquer na matéria porque é de matéria que efectivamente se trata.

"Após esta pequena introdução, penso, no entanto, que ainda há muitas arestas cheias de rebarba e é urgente, direi até que urge desmistificar o sexo e sem delongas. Isto, a par da indispensável revisão constitucional.

Pergunto: Para quando um debate nacional sobre um tema tão importante para a vida de todos nós? Quando mais não seja para aquelas pessoas que ainda têm alguma noção de como se pratica o sexo!
Dezenas de milhares de anos após a entrada do Homo sapiens na Península Ibérica e a interacção imediata que houve entre ele e uma neandertal nativa, por sinal muito gira, não chegaram para acabar com este absurdo tabu porquê? Parece que adormecemos! Que disparate!
Acho que isto devia ser objecto de análise em qualquer governo e ponto de discussão programática, independentemente de se fazer uma vez por ano ou até de nem se fazer. Quer se queira quer não, o sexo faz parte da vida. Pois, se até os bichinhos gostam!
Então, que qualidade de vida podemos almejar, se o governo teima em preterir o sexo em favor de outras actividades lúdicas de somenos importância no equilíbrio físico e psíquico dos cidadãos?
Que qualidade de vida podemos também esperar, se este ou qualquer outro governo teima em virar ad aeternum as costas ao sexo em vez de o agarrar afincadamente com uma mão ou ambas, dependendo do gosto?
Não se pode tirar o sexo à carne e à pele! Foi o sexo que perpetuou a Pátria! Quase novecentos anos de sexo é muita seiva derramada! É claro que muita tem sido derramada fora do contexto para a qual estava naturalmente destinada. Quatriliões de metros cúbicos de fluidos e outros desperdícios para quê, Santo Deus?!
Os Descobrimentos, a Batalha de Aljubarrota, as Batalhas das Linhas de Elvas e das Linhas de Torres, o Tratado de Tordesilhas, o 1º de Dezembro, o 5 de Outubro e o 13 de Maio, têm o seu merecido lugar na História, evidentemente, mas a perenidade da Nação só ficou garantida porque os portu⁸gueses de outrora, cheios de fervor e combatividade, não deixaram cair o sexo. Excepto os descuidados do costume que não se precaviam, mas isso é um problema transversal a todos os períodos da nossa História, é quase uma inevitabilidade.
As pátrias perpetuam-se através da manifestação corporal mais legítima e nobre deste mundo. Seja num vão de escada, no banco de trás de um Fiat Cinquecento, em cima do lava-oiça, num polibã, dentro da despensa, enfim, tantas vezes com grande espírito de sacrifício e em condições difíceis, mas é assim que se tem construído o futuro; assim se vai garantindo a sobrevivência de Portugal, malgrado a crises crónicas de que padece.
Mas, torno a perguntar: Prestarão, este e outros governos, as devidas homenagens ao trabalho esforçado e anónimo e tantas vezes à socapa, da gente lusa? Evidentemente que não!
Em face disto, como se pode acreditar neles ou até no Parlamento, se se perpetua o lençol de silêncio sobre uma das mais autênticas aspirações dos portugueses e portuguesas, não implementando políticas de desenvolvimento, não incrementando a prática através de incentivos pecuniários, fiscais, criando as infra-estruturas básicas (não sei o que é isto, mas soa bem) e outras coisas mais? Respeitando sempre as normas impostas pela União Europeia, claro! S'a gente é da União, só tem de respeitar a 'senhora', isso é indiscutível!
É certo e comummente aceite que o país tem atravessado sérias dificuldades há uma porrada de tempo - atrever-me-ia a dizer há séculos - por mil e um motivos, muito embora o senhor Costa garanta, a pés juntos, que não vai haver austeridade. Até porque a "bazuca" vai dar para todos e até sobra para o que der e vier.
O seu antecessor até afirmava, noutro contexto também muito difícil, que tudo não tinha passado de um equívoco; um "mito urbano".
Desculpem-me o devaneio. Perdi-me mais uma vez...
Em resumo, penso que seria pertinente a criação, a breve trecho, de uma Secretaria de Estado da Desmistificação do Sexo. Isto só para começar, depois logo se via. A menos que este Governo se declare impotente para resolver a grave crise de impotência da população em geral, não mostrando sensibilidade para acudir ao seu dia-a-dia, a qualquer hora.
Desmistificar o sexo dos portugueses é preciso! Viva o sexo em todas as suas variantes, vertentes, performances, cambiantes, matizes, gradações et cetera! Viva!

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