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NPL: «Olá a todos. Escrevo esta cartinha em tom de desabafo porque receio enlouquecer com esta situação ambígua; é só por isso e sublinho que não é pouco! Passo a explicar: No início da nossa relação, corria tudo às mil maravilhas; ele, era amor para aqui e amor para ali, enfim, era amor por todo o lado. Confesso que, às vezes, ficava a pensar que o que era demais era moléstia! Até parecia que eu tinha mel; que coisa! Tanto amor assim, também enjoa! Penso eu! Se calhar estou errada!
Então, inexplicavelmente, tudo mudou de modo dramático. A minha vida ficou de pernas para o ar porque sinto que o meu Eládio me está a passar a perna. Também, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, n'é?!
Instalámo-nos, de pedra e cal, na nossa zona de conforto sem grande dificuldade, não tendo sido necessária, por isso, a ajuda dos papás. No entanto, o meu Eládio começou a tratar-me, faz algum tempo, com quatro pedras na mão e, inclusive, dá-me por paus e por pedras!
O meu Eládio, embora nunca tivesse recebido um Prémio Pulitzer, sempre foi um distinto jornalista. Não ganha por aí além, mas, até à data, tem dado para nos sustentar e, como referi, tem sido excedível no amor que me tem. Além disso, o meu Eládio tem cumprido exemplarmente com as suas obrigações conjugais e, se necessário for, até se supera. Só que, desde há pouco tempo para cá, é isto, sei lá!
Para cúmulo, até passou a trazer a secretária para casa ao fim do dia e faz-me passar vergonhas. Será que o raio do homem mudou de personalidade?
Suspeito que já não é o meu Eládio, que mora naquele corpo, credo! Só de pensar nisso até fico toda arrepiada!
A vizinhança cochicha, e com razão, porque é todos os dias a mesma barulheira a subir e a descer as escadas; já para não referir as paredes esmurradas! Inclusive, a dona Isaltina do rés do chão avisou-me, solenemente, que ia fazer queixa à polícia se a pouca vergonha continuasse e não vejo forma de a levar a reconsiderar.
Também sei, por portas e travessas, que o chefe da redacção desconfia que o meu Eládio anda com a sua secretária. Até a mamã, que não gosta de meter a colher, já jurou a pé firme (a mamã desfez-se do outro que era muito chato) que nunca mais põe o pé cá em casa. "Nem ao pé coxinho!" - garante e insiste, batendo o pé sem o arredar.
Pela minha parte tenho tido uma paciência de Job, mas começo a ter receio da minha reacção a esta desusada, senão bizarra, realidade...
Imaginem que há noites em que o meu Eládio comete a absurdez de trazer a secretária para a cama e dormir abraçado a ela com uma perna às costas; é inacreditável! Olhem, só visto! O que mais me choca é que fico sem reacção, feita parva, a assistir. Está bem que a cama é daquelas larguíssimas e, por conseguinte, dá para os três, mas não deixa de ser esquisito!
Não sei o que hei-de fazer; estou completamente desesperada!
Todavia, os meus amigos dizem-me que nem sequer é razão para divórcio! No entanto, gostava de saber a vossa opinião.
Em abono da verdade, posso adiantar que a secretária nem tem um volume por aí além: possui estrutura em ferro, tampo em fórmica, duas gavetas em cada lado e pesa, mais ou menos, setenta e cinco quilos. Contudo, não deixa de ser uma situação desconfortável. Por favor, ajudem-me!»
Natércia Pá Lopes
ER: «Muito fácil, Pá! Já que a cama é grande, seja ciosa e meta lá uma cadeira giratória com rodas e um desktop, só para fazer ferruncho ao seu Eládio!»

GFDP: «Bom dia. Não fossem vocês e a quem é que me havia de dirigir, valha-me Deus?!
Estou muito aborrecido e o caso não é para menos porque, caso contrário, não o encararia como um caso sério e garanto-vos que não foi um caso ao acaso. Em todo o caso, como não tinha mais ninguém a quem recorrer, lembrei-me de vocês por mero acaso. Então, aqui vai o caso:
Costumo passar férias em Armação de Pêra. Aliás, uma praia e peras, embora não goste de Armação de Pêra e também não vem ao caso. Em todo o caso, gostando ou desgostando de Armação de Pêra, trata-se de um caso de consciência porque, caso contrário, não era caso para recorrer aos vossos conselhos muito sensatos e prudentes (passe a redundância).
No fundo, a razão deste meu apelo não se prende com o facto de gostar ou desgostar de Armação de Pêra, como referi a despropósito. Com efeito, o caso é sério porque a minha esposa, que por acaso é espanhola (podia não ser, mas é), embirra solenemente com o topless. Ao contrário de mim que adoro ir à praia só para ver as mamas...perdão, manas de fora. As manas de fora são duas morenaças de estalo. Adoro vê-las aos saltinhos à beira-mar, fugindo graciosamente das ondas. São tão airosas e delicadas! A minha senhora é que teima comigo que aquello es una vergüenza y que nació en Santiago de Compostela y que yo quiero mucho libertinaje, etcétera.
Dígame, por favor, qué he de hacer para hacerla cambiar de opinión y ahora me expliquen el significado de la palabra "libertinaje", gracias!»
Gervásio Flores Dias Pires
ER: «Mira, Flores, en primer lugar, estamos en duda si tú estás pidiendo nuestro apoyo o el apoyo de Dios, porque entras aquí en contradicción. De todos modos te damos una respuesta porque no estamos aquí para nada más y es una pena que tu esposa no le guste el topless, porque nos encanta el topless. Pero tiene fe y esperanza y insiste con ella que no hay nada más hermoso y inocente que mirar unas hermanitas bonitas sacudiendo al viento. En cuanto al significado de "libertinaje", es un concepto muy debochado, pero bosch es bueno (pase la publicidad)! 

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