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AFONSO HENRIQUES

por João Castro e Brito, em 03.10.21

afonso henriques.jpg

Referências e estudos iconográficos, ajudam a admitir que terá sido o fundador da nacionalidade. Sabe-se, porém, que foi um homem muito valente, astuto e de elevados estatuto e estatura.

Entre as muitas façanhas ligadas a Afonso I, há uma que está registada no Guinness Book, e penso que numa rede social chamada Facebook, como sendo ímpar em todo o mundo: a de que conseguia manejar a espada só com uma mão, ao passo que, presentemente, são necessários nove homens de porte atlético para a transportar. Ora, isto é um feito que não tem igual e, por isso, digno de registo!

Só para termos uma noção aproximada da capacidade atlética de Afonso Henriques, é importante que saibamos que, actualmente, os indivíduos habilitados para transportar a espada do Fundador têm de ter, mais ou menos, a sua altura ou seja: um metro e noventa e nove vírgula nove, mais coisa, menos coisa. Isto segundo a medição efectuada na última exumação, a qual deu uma grande trabalheira! Era esperável que, durante tantos séculos, o corpo fosse encolhendo; daí que, por cautela, o "mais coisa, menos coisa" seja a atitude mais apropriada em face disso, da coisa, enfim, adiante...
Há novecentos anos o sul do país continuava na posse do Estado Islâmico e isso era uma coisa que irritava muito o nosso primeiro rei. Passava noites em claro a ler e a reler "A arte da guerra" do Sun Tzu e a protelar as suas obrigações conjugais com Dona Mafalda (também conhecida como D. Matilde, condessa de Sabóia e Maurienne) que, por sinal, até era muito feia, diga-se em abono do nosso rei, coitado!
Bem, mas como sabem, embora poucos saibam ou mesmo ninguém saiba, a Ibéria foi invadida por povos oriundos do norte e centro da Europa, nomeadamente por hunos, suevos, bárbaros, vândalos, malandros, visigordos e energúmenos, sendo que esta canalha ficou instalada a norte do rio Tejo, habituada que estava a climas menos temperados. A sul do Tejo já viviam, há uma porrada de séculos, os muçulmanos, mouros, tisnados, sarracenos, árabes e infiéis. Por essa razão, e passado tanto tempo, os do norte ainda não perderam a mania de chamar aos do sul, mouros, não se sabendo muito bem a razão de tal epíteto. Talvez invejas, quem sabe?...
Cidades como Lisboa e Santarém, com as suas famosas mourarias, são exemplos da influência dos árabes na cultura peninsular. Expressões seculares e populares como Oxalá (queira Deus, ou Alá), ou Habibi (meu amor - não confundir com o bibi da Casa Pia), fazem parte do nosso quotidiano lexical.
Bom, mas prosseguindo: Afonso Henriques, filho de pai incógnito e dos desvarios lascivos de Teresa de Leão (à qual Herculano, com a cruel acutilância da sua caneta viperina apelidou de Lucrécia Bórgia portuguesa. Ou referir-se-ia a Leonor Teles? Agora fiquei na dúvida, mas que se lixe!), depois de enclausurar a mãe, para sempre, na torre do castelo de Guimarães, por comportamento inapropriado para uma senhora nobre, e após ter trespassado o galego Fernão Peres, seu amante (*), veio por aí abaixo e tomou Almeirim, Alpiarça, Almoçageme, Almargem do Bispo, Almada, Alcoentre, Alvalade, Alcoitão, Alcotim, Albufeira, Alcabideche, Alcochete, Alfragide, Aljustrel, Almádena, Alvide, Almancil e Alfandaga (se omiti algumas, peço desculpa ao Professor José Mattoso pela minha ignorância).
O poder discricionário de Afonso Henriques consolidava-se a olhos vistos e até o Papa Inocêncio II, temeroso de perder a influência da Igreja junto dos reinos católicos da Europa, ofereceu-lhe uma bula Manifestis Probatum, o equivalente a um actual e delicado serviço de chá em porcelana da Vista Alegre, o qual teve que ser forjado a ferro forjado - passe a redundância - , dada a tendência do Fundador para partir a loiça toda. Naquele tempo, infelizmente, não existiam as boas maneiras dos tempos modernos e Afonso Henriques era disso um triste exemplo porque era um homem muito colérico.
Todavia, o Papa não lhe ofereceu a bula, assim do pé para a mão ou da mão para a chávena, para ser mais correcto. Houve alguma bulha entre ambos e a coisa ferveu quase até transbordar, até que a culpa papal só foi sancionada no papado de Alexandre III, quando finalmente reconheceu Portugal como nação indivisível pela unidade e por si mesma, o que foi uma pena, dado que a Espanha aqui ao lado que, não desfazendo, até era uma prima muito gira, ficou com o maior quinhão da Península Ibérica. 
De toda a Europa cristã choveram elogios. Desde Merkel a Emmanuel Macron, passando por Jean-Claude Juncker, Jean Louis David, Jean Paul Gaultier, Jean-Paul Sartre, Jean-Luc Godard  e, imagine-se, Jean-Claude Van Damme! Todos lhe testemunharam a sua total confiança e admiração. Não! Efectivamente o reino de Portugal não tinha nada a ver com o reino da Grécia. Longe disso, lagarto, lagarto (sem desprimor para o Sporting)!
No decorrer do seu longo reinado ainda teve muito tempo para fazer das dele. Não esqueçamos que foi ele que empurrou o Martim Moniz contra as portas do castelo de São Jorge, quando da tomada da cidade de Lisboa aos mouros, com sacrifício da própria vida. Da vida do Martim Moniz, evidentemente!
Foi ele, também, que derrotou os infiéis em Campo de Ourique, após a aparição de um misterioso ancião que já tinha visto em sonhos e que lhe terá dito que nem precisava de lutar, pois a vitória estava no papo. E não é que tinha razão, o raio do homem?!
Anos mais tarde, cheio de gota, ainda teve força para dar uma saltada a Lisboa para fundar o Instituto Superior Técnico ao cimo da Alameda à qual deu o seu nome. Nunca se livrou da fama que tinha de ser megalómano e um vaidoso do caraças!
Tudo isto não é novidade para quem se debruça em cima da História de Portugal e dos Algarves.
Outras curiosidades que ficarão eternamente por esclarecer, têm a ver com a cota de malha que Afonso Henriques usava. Terá sido feita em pura lã virgem made in Portugal ou já naquele tempo se importava porcaria da China? E quando viajava no seu corcel usava capacete e ligava as luzes? E como teria ele assinado o tratado de Samora Correia? Terá sido em cruz? Há quem sustente a tese de que Afonso não foi um aluno exemplar, pois não passou no primeiro ciclo, mas são só conjecturas.
Mais: teria o fundador a noção de que estava a fundar algo? Isto porque já naquela altura corria o boato de que sofria de Alzheimer. É que o tempo médio de vida rondava os 40 anos e Afonso já ultrapassara esse limite há muito!
E, por último, e não menos importante, teria Afonso Henriques enriquecido ilicitamente - coisa vulgar em Portugal - ou foi, também, enganado pelo Ricardo Salgado, depois de ter sido pelo Oliveira Costa com aquela história das acções que não conseguiu vender a 2,75 euros?
São perguntas às quais nenhum historiador poderá, infelizmente, responder.
 
 (*) Supostamente de sua mãe. Até à data desconhece-se se Dom Afonso Henriques tinha algum caso com o Peres. As razões do homicídio do espanhol, às mãos do rei (ou à espada do rei), nunca foram devidamenete esclarecidas e caberão noutra história.

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