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A BÚSSOLA

por João Castro e Brito, em 13.03.24

Julgo que já me debrucei sobre este tema, aqui, há uns tempos. Se, porventura, alguém lhe chegou a deitar um relance de olhos, peço desculpa pela minha fraca memória. No entanto, penso que é assunto de primeiríssima importância, pelo menos, para o conhecimento geral, dado que a malta anda um pouco arredada do saber.

Assim, como o dito não ocupa lugar, como é curial dizer-se, vou insistindo na (vã?) tentativa de partilhar o pouco que sei.
A talhe de foice, a palavra bússola provem do italiano "bussola" que significa “pequena caixa” de buxo (planta nativa da Europa, África e Irão). De momento, não consigo estabelecer qualquer relação da bússola com o "buxo", mas estou aberto a sugestões esclarecedoras.
Ora, voltando ao assunto, quero salientar que não me custa nada debruçar-me novamente sobre ele, desde que não caia, como é evidente.
Sublinho, mais uma vez, que este tipo de temática não é para todas as pessoas. Por isso, só deve ser lido por quem, efectivamente, aprecia uma leitura pesada e, naturalmente, não tenha problemas de digestão.
Então, é do conhecimento geral que a bússola era, até à descoberta do GPS ( Global Positioning System ou em português, Sistema Global de Posicionamento), um instrumento muito útil. Sobretudo para quem fizesse uso dela, pois, se não fosse precisa, pouca ou nenhuma utilidade teria (passe a lapalissada).
Pensa-se que foram os chineses a inventá-la. Como se não lhes tivesse bastado inventar a pólvora, o papel higiénico e o macarrão que diabo!
Quanto à bússola, sobre a qual me torno a debruçar – mais uma vez reitero que o faço com toda a cautela – , é quase certo que foi uma invenção empírica. Aqui, os chineses não foram tão rigorosos, como é seu hábito. Recordemos como foi inventada, recorrendo a textos milenares irrefutáveis. Aliás, inexistentes. E, obviamente, não se pode desmentir o que não existe, n'é verdade? Adiante:
Estava um chinês a fazer chinesices com uma paciência inexcedível, como é o hábito peculiar de qualquer chinês que se preze – no caso a tentar montar um relógio – quando, distraído, deu por concluída a execução da empreitada, deixando somente um ponteiro colocado em cima de um eixo e esquecendo o resto da engrenagem fora da caixa.
O homem ficou tão irritado consigo que até ficou com os olhos em bico. Todavia, ao observar que a ponta do ponteiro apontava teimosamente para o Norte, desse as voltas que desse, fez-se luz no seu pensamento.
Assim, pode-se afirmar, sem sombra de dúvida, que havia sido inventada a bússola. Os chineses viram logo uma grande oportunidade de negócio (olha que meninos, os chineses!).
Em vista disso, seguindo as indicações da bússola, descobriram o Norte da China, coisa inédita e nunca vista (óbvio).
Quando lá chegaram foram muito bem recebidos e até houve festas e arraiais. Aliás, parece que foi por volta deste grande acontecimento que aproveitaram pra inventar o fogo de artifício, embora isto careça de confirmação devidamente documentada.
Bom. Mas descrever uma bússola não é tarefa fácil, não obstante a sua aparente simplicidade. Se é certo que a agulha da bússola aponta sempre para o Norte, não é menos certo de que, chegados lá, ela continua, obstinadamente, a apontar para o Norte. É um facto e, por isso, não deixa de ser desnorteante.
Talvez você não saiba, mas, segundo a Wikipédia, a bússola é um instrumento de navegação e orientação baseado em propriedades magnéticas dos materiais ferromagnéticos e do campo magnético terrestre, cujo ponteiro se excita, feito doido, ao apontar para o Norte. Elementar. Também não sabia!
Foi o italiano Flavio Gigolo que, em 1302, completou a bússola, introduzindo-lhe uma inovação chamada Rosa dos Ventos, assim chamada porque estava uma ventania do caraças e para ele, "L'important c'était la Rose". Não encontro razão mais plausível para a sua predilecção, apenas pela seguinte razão:
Cravo das Chuvas; Hortência das Intempéries; Dália das Marés; Gladíolo das Aragens e Malmequer dos Aguaceiros teriam sido outros nomes possíveis, dado que todas eram suas favoritas. Porém, Rosa dos Ventos era a mais favorita.
Também, os nossos egrégios avós toparam logo que este notável instrumento lhes ia dar muito jeito quando se aventuraram por mares "nunca dantes navegados".
Servindo-se da preciosa ajuda da bússola, rumaram a Norte e descobriram o Brasil que fica a Sul. Pode ter sido um milagre, já que Pedro Álvares Cabral era muito religioso e até deu o nome de Ilha de Vera Cruz a este "país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza".
E, para terminar, foi graças à Bússola que os três Reis Magos, que faziam parte dos Sete Magníficos, conseguiram encontrar a cabana onde nasceu o Menino Jesus. Com efeito, os restantes quatro resolveram seguir uma estrela, supostamente decadente, e desorientaram-se. Verdade ou simples alegoria, jamais se saberá.

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