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DESCUBRA AS 837 DIFERENÇAS

por João Castro e Brito, em 24.07.23

descubra as 837 diferenças.jpg

837 diferenças, subtis, fazem com que estas duas gravuras, aparentemente iguais, difiram quase de modo imperceptível. Cabe-lhe assinalá-las, com um bocadinho de paciência e olho vivo – naturalmente – , desenhando um pequeno círculo em torno delas que, como acabei de dizer, são muito ténues. Para as descobrir, também confio na sua perspicácia.
Como é hábito, em passatempos deste tipo, não se deve atribuir grande relevo a deficiências devidas à má qualidade das imagens. No entanto, pode-se socorrer de uns óculos com lentes mais grossas ou de uns binóculos. Todavia, queira aceitar, desde já, o meu mais sincero pedido de desculpa se, mesmo assim, isso continuar a dificultar-lhe a capacidade de observação dos pormenores mais diminutos.
Dica: aconselho que ache as 837 diferenças depois de um opíparo almoço.

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O ROCK PORTUGUÊS

por João Castro e Brito, em 24.07.23

O rock português tinha vindo para abanar o atoleiro em que se encontrava a cultura musical nacional. Estava-se no início da década de 1980 do século passado e esta expressão musical de origem anglo-saxónica (EUA) iria sofrer um impulso, nunca dantes visto nem tampouco imaginado, com a emergência de novas bandas e êxitos assegurados. Os UHF, por exemplo, lançavam um "78 rotações", ao vivo, com o título genérico "Roteiro de Lisboa". Esse LP (acrónimo de long-playing), incluía títulos sugestivos como "Rua do Carmo"; "Rua da Trindade"; "Rua dos prazeres" e "Rua das Necessidades". Já para não mencionar outro grande êxito surgido, mais ou menos, nessa altura, "Carapau de Corrida" que não fazia parte deste álbum e que seria editado num single de "45 rotações".
Os Taxi...quem não se lembra dos Taxi, santo Deus?! Eu era tão novinho e tão lindo..."puxa, vida", agora sou um canastrão! Desculpem lá este devaneio saudosista.
Mas, como ia a dizer, os Taxi aumentaram a tarifa e tiveram alguma dificuldade em editar um tema que, afinal, se tornaria num êxito de permanência no top de vendas da discográfica Valentim de Marvalho: refiro-me, evidentemente, ao "Rebuçado de Mentol" que, ao contrário da "Chiklet", não se agarrava às próteses dentárias.
Ainda, no campo dos consagrados, Rui Beloso lançaria um tema que ainda hoje trauteio quando estou debaixo do chuveiro: "Sai um café e um bagaço para a mesa do Xico Fininho!".
O chamado rock português, instalava-se, definitivamente, no nosso meio musical que andava pelas ruas da amargura no que concernia à mediocridade geral do que cá se produzia. Já imaginou o que era escutar na rádio o António Calvário a cantar "O Amor desceu em paraquedas"? Experimente ir ao YouTube e depois diga qualquer coisa, ok?
Curiosamente, meia dúzia de cantores e músicos da época, vendo que estavam a perder protagonismo, tentaram entrar na nova onda rock. Então, em 1982, formava-se uma banda chamada "RockPimba", com Marco Paulo nas teclas, Rui Guedes na bateria, José Malhoa na viola-baixo, Gaby Cardoso na viola-ritmo, Emanuel na viola-solo e Ágata na voz. Foi um sucesso estrondoso no meio sociocultural do género. Um dos temas da banda, "Eu tenho dois tractores", com música e letra do Marco Paulo, continua a ser tocado em festas de casamentos, batizados e romarias.
Pela mesma altura, António Vitorino de Almeira, recém regressado de Viena do Castelo, onde foi adido cultural, lançava um desafio público ao então Ministro dos Negócios Estrangeiros, André Gonçalves Pereira, convidando-o para formar um trio, ao estilo dos Emerson, Lake & Palmer, que, no caso vertente se chamaria Almeida, Pereira & Sousa – Marcelo Rebelo de, seria o baterista. Acrescente-se que, de Sousa, não recusaria uma proposta tão irrecusável. Ele tocaria em todos os tambores necessários, até que alguém o ouvisse, e o certo é que uma grande maioria de ouvintes continua a escutá-lo atentamente...

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BALANÇA DE PAGAMENTOS

por João Castro e Brito, em 24.07.23

balança de pagamentos.jpg

O termo é utilizado quando os avozinhos e as avozinhas vão com os netinhos e netinhas ao parque infantil, os sentam nos baloiços e lhes dão pequenos empurrões até os pequeninos e as pequeninas caírem no chão, enjoados de tanto balançarem pra lá e pra cá. A relação entre este fenómeno e a economia é, ainda, de contornos nublados, sobretudo em dias de nevoeiro.
Economistas de nomeada, entre os quais destaco Fernando Medina e Mário Centeno, comungam a tese de que, quanto mais os avós baloiçam os netos, mais as crianças se enjoam e menos jantam. Trata-se de uma vulgar relação inversa entre o financiamento e a interpolação fiduciária, altamente correlacionada com a quantidade de gordura que os meninos e as meninas comem ao almoço. Esta teoria, indubitavelmente de grande interesse público, é de difícil aferição, sabendo-se que Fernando Medina e Mário Centeno não têm netos.
Porém, nada disto respeita a balança, anunciada em epígrafe, quebra-cabeças do ministro das Finanças, Medina. Já para não referir os constantes alertas do Presidente do Banco de Portugal sobre a má utilização dos bom nome e imagem de marca do banco dos portugueses, algo despropositado neste contexto. Mas se examinarmos minuciosamente o que escrevi até aqui, nada se encaixa, n'é verdade? Aliás, pelo andar da carruagem, isto vai descarrilar.
Mas, como dizia, esta teoria pretende confrontar créditos e débitos de diversas rubricas para lhes fixar semelhanças ou relações. Já para não mencionar as ralações que isso dá. Perceberam? Bom, se querem que vos diga, eu, muito menos, mas, continuando que se faz tarde.
Como não pesco nada de economia e muito menos de finanças, não posso expor aqui, em gráfico, a balança de pagamentos para o ano decorrente e seguinte, um ano que se adivinha muito tramado pra todos os tesos militantes. Contudo, vou tentar explicar a coisa da melhor maneira que sei para que todos entendam (inclusive, eu).
Então, é assim: quase toda a gente questiona, e com boa lógica: afinal, como é que esta balança pesa? A questão é candente, mas a resposta é fácil e corrente (passe a redundância, mas é só pra rimar com candente): pesa como as outras e passo a desenvolver o meu raciocínio com uma receita simples: botam-se num prato da balança dois galos de Barcelos bem nutridos e ainda vivos, besuntam-se com molho de manteiga Taveirola (passe a publicidade), panam-se bem com areia da praia-mar, fazem-se-lhes festinhas nas cristas e diz-se-lhes para aguentarem mais um bocadinho.
No outro prato colocam-se trouxas da Malveira, embrulhadas em preservativos (não confundir com camisinhas) e atadinhas com fita de nastro. Polvilha-se o chão com cabeças de alfinetes para abrilhantar, chamam-se os trouxas da Malveira, pergunta-se-lhes se a flutuação da cortiça é maior do que a inflação do euro e dá-se-lhes papas e bolos. Observa-se, então, o fiel da balança e chamam-se os bebedores de Canecas sem cedilha. Bebem-se uns copos de vinho da Azueira, comem-se as trouxas e os trouxas et voilà: a balança de pagamentos torna-se positiva, a crise vai-se embora e os galos param de espernear (?). Então, uma enorme acalmia atinge toda a economia, todas as finanças e todas as taxas de juros, juro!

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SURPRESAS URBANAS

por João Castro e Brito, em 17.07.23

surpresas urbanas2.png

PRIMEIRA:
Naquele dia, Carla, madrugou. Abriu os olhos; bocejou; espreguiçou-se; dirigiu-se à casa de banho; abriu a porta e deparou com uma cena muito bizarra: um engenheiro, desnudado, acabava de se assomar perante a sua surpresa e, naturalmente, susto.
Correu ao quarto dos pais, a gesticular e incapaz de falar:
- Que é isso, Carlinha, o que te aconteceu, minha filha?! – perguntou o pai, um bocadinho perturbado, mas, simultaneamente, cheio de curiosidade.
- Papá, está um engenheiro, nu, na casa de banho!
- Civil ou de máquinas, filha?
- De máquinas, papá!
- Então, manda-o reparar as máquinas de lavar a loiça e a roupa, antes de ligarmos para o 112.
 
SEGUNDA:
Roberto Castanheda não esperava que a mulher fosse interferir com os seus gostos pessoais – ou não fossem os seus gostos – no que concerne à forma de trajar, mas, efectivamente, aconteceu.
Estavam prontos para sair – lavados; penteados; engomados e perfumados – a caminho do São Carlos.
Castanheda pegou nas chaves do velho Bentley, conferiu na carteira os cartões de crédito e demais documentos indispensáveis, tomou o chapéu de feltro cinzento azulado, botou-o na cabeça calva e, enquanto observava a sua imagem reflectida no espelho, a esposa opinou, cortante:
- Vai levar esse horrível chapéu ante-diluviano? Fica-lhe mal, com esse fato, com essa gravata, com essa cabeça descabelada e até comigo. Tem tão mau gosto, Castanheda, valha-lhe Deus!
Visivelmente, surpreendido, pois estava longe de obter uma reacção tão reprovadora da mulher, Castanheda redarguiu:
- Mas gosto tanto do conjunto! Não sei que mal vê você no chapéu!?
- Tenha lá paciência, meu caro! Ou tira o chapéu ou não vamos à ópera! Decida já!
- Saiu-me uma boa tirana! Não vê que me sinto nu sem nada na cabeça?
- Escolha! – rematou ela, cruzando os braços.
Para evitar conflitos, aos quais não era atreito – pela sua afável natureza – , Roberto Castanheda acabou por ceder à exigência da esposa: deixou o chapéu em casa e abalaram a caminho do São Carlos.
Mal tinham andado dois quarteirões quando foram mandados parar numa operação stop. Castanheda foi imediatamente detido e levado para a esquadra mais próxima.
Moral da estória (se houver um pingo de moralidade nisto):
Esta coisa de uma pessoa andar nua na via pública ainda provoca muitos embaraços às autoridades.
 
TERCEIRA:
Numa loja que faz favores por encomenda:
- Pode fazer-me um favor?
- Com certeza; queira aguardar só um minutinho, se não se importa!
Passada uma hora:
- Eis, o seu favor!
- Mas, eu não pedi azul! – reagiu com surpresa.
- Queria noutra cor, era?
- Se puder ser, quero que me faça um amarelo torrado.
- Olhe, lamento, mas, de momento, não temos matéria prima.
- Deixe lá, serve mesmo um primo, já estou por tudo!
 
 

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OS BRAÇOS

por João Castro e Brito, em 12.07.23

manguito.jpg

Talvez você não saiba, mas debruçarmo-nos sobre os braços tem que se lhe diga e passo a explicar: um braço divide-se em duas partes: o braço, propriamente dito, e o antebraço, articulados entre si pelo cotovelo.
Analisemos cada uma dessas partes, separadamente, só para evitar confusões: o braço destaca-se do ombro e termina na articulação do cotovelo, certo? Assim, forma com o tronco um ângulo chamado axila, o qual serve para fazer cócegas e transpirar muito.
Quanto ao cotovelo, trata-se de uma espécie de dobradiça que impede que o antebraço fuja pra fora, permitindo somente movimentos como, por exemplo, um manguito*.
A propósito do cotovelo, importa referir que há gente que padece de uma doença muito comum, chamada "dor de cotovelo", para a qual não existem analgésicos.
Em relação ao antebraço, a sua função é evitar que a mão fique suspensa do cotovelo que, como toda a gente sabe, a acontecer, seria uma grande chatice.
O antebraço articula-se com a mão através do punho que pode ser de renda ou de ferro. Em ambos os casos é preciso ter pulso.
Tal como nas pernas, os braços dividem-se em direito e esquerdo. Penso que toda a gente sabe disto.
Para além dos dois braços, que estão ligados ao tronco (nunca é demais enfatizar), há a considerar outros: o braço-de-preguiça que é uma planta muito indolente; o braço de prata que é uma estação de comboios; o braço da justiça que é lento a condenar patifes poderosos e lesto a fazê-lo aos fracos; o braço-de-ferro que é quando alguém defende a sua dama com unhas e dentes, et cetera.
Os braços não se vendem. Quando muito, dão-se; e como é bom andar de braço dado, santo Deus!
Os braços são muito úteis para os seres humanos, embora não sejam imprescindíveis. Quem não tem braços caça com as pernas, como é curial dizer-se.
Além disso, para andar, as pernas, que já tive oportunidade de abordar em artigo anterior, dão muito mais jeito. E quanto mais compridas forem, melhor porque podem-nos safar de situações embaraçosas.
Quando estamos a braços com um problema, das duas uma: ou cruzamos os braços ou não baixamos os braços. Não existe meio termo.
É com os braços que envolvemos as pessoas de quem gostamos; neste particular utilisam-se os braços bem abertos e desejosos de apertar. Daí chamarem-se abraços apertados.
São os braços que transportam as mãos levando-as aonde são necessárias (faites la liaison...).
É também com os braços que esbracejamos quando estamos à rasca. Por exemplo, quando ficamos sem pé dentro de um ambiente líquido, sem sabermos nadar. Aqui, as pernas compridas podem fazer a diferença.
Diga-se, ainda e em abono da verdade, que cem braços são, regra geral, cinquenta pessoas.
A braça, ao contrário do que se possa imaginar, equivale (equivalia ) a 1,82882 metros e a braçada é o movimento dos braços, na natação, mas também pode ser um braçado.
A bracelete é um braço pequenino, mas também pode ser uma armela ou uma ramela (anagrama).
E fica, desde já, assente que um sujeito canhoto jamais será o braço direito de alguém.
Ossos: o braço possui, pelo menos, três ossos: o cúbito que é o osso do cotovelo e o que dá mais dores quando a gente recebe uma cotovelada em cheio, o úmero que é um osso muito homérico, e o rádio que, por sinal, só foi descoberto em 1902 por Marie e Pierre Curie.
Por último, nunca dê o braço a torcer senão aleija-se!
(*) A título de curiosidade, o Zé-povinho e o seu famoso manguito é uma criação de Raphael Bordalo Pinheiro. Património da tradição humorística Nacional, é um símbolo da resistência popular contra a opressão e os abusos do poder. O Zé-povinho teve a sua primeira aparição no jornal humorístico “A Lanterna Mágica “, no ano de 1875 do século dezanove.

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