Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


dom afonso henriques2.jpeg

Sei que já escrevi acerca deste tema, algures, mas a minha memória já não é a que era dantes e, por muitas voltas que dê à canhola, não descortino onde a publiquei. No entanto, permita-me, meu caro ou cara, abusar da sua infinita paciência ou, se preferir, não leia. Fico-lhe, na mesma, muito reconhecido.
Aqui vai mais uma reflexão sobre a nossa História, assunto sobre o qual me dá muito gozo escrever, na presunção de que seja, igualmente, do seu agrado, se passar por aqui.
Propus-me, desta feita, analisar algumas ocorrências mal esclarecidas, do nosso passado histórico, nomeadamente as relacionadas com o dilema de Viriato, que nunca se soube qual era, ou a razão que levou Sertório a não optar pela dupla nacionalidade. Mas nem sempre o prometido é devido, por várias circunstâncias, e, como se tem de começar qualquer coisa por algum lado, vou tecer alguns considerandos sobre o tema, fazendo uma referência especial ao nosso primeiro rei, Dom Afonso Henriques que parece-me não ser inédita, mas pronto, espero que me perdoe se for recantada.
Afonso I, de Portugal, como sabe, foi o fundador deste lindo torrãozinho à beira-mar plantado.
Como também tem obrigação de saber, a Península Ibérica, nomeadamente a sua parte mais ocidental, a Lusitânia, foi invadida por inúmeros povos, entre os quais destaco os Hunos e Indivisíveis, os Suecos (foram eles que introduziram a sueca em Portugal), os Vândalos ou Holligans, os Visigordos e os Jihadistas ou Sarracenos (sublinho que estes últimos já cá estavam há muito tempo).
Essa súcia de malandros, proveniente de várias latitudes, fixou-se em várias zonas do território que viria dar origem à nossa nacionalidade. Uns ficaram-se pelo Fundão e outros fundaram cidades como Santarém e Lisboa. Isto foi porreiro para Afonso Henriques e já lhe explico porquê, se souber e não me esquecer (vou mudar a àgua às azeitonas)...
 
Prosseguindo: Orfão de pai desde tenra idade, o nosso primeiro rei armou-se em cavaleiro quando atingiu a maioridade e começou por travar o passo ao Dom Peres de Trava, um galego que se tinha juntado em mancebia com sua mãe, Dona Teresa de Leão, uma dissoluta dos quatro costados.
No momento oportuno, ajustou contas com ambos na batalha de São Mamede em mil cento e qualquer coisa.
Já rei, à revelia do Papa (rejeitava a vassalagem), veio por aqui abaixo, montado num lindo corcel e, à frente de um numeroso exército de bravos guerreiros, antecipou-se aos demais conquistadores e tomou Santarém aos mouros. Depois desta estrondosa vitória, animado pelo feito e cheio de élan, avançou em direcção a Lisboa e, graças ao sacrifício de Martim Moniz(*) e ao precioso apoio dos cruzados da Ordem Equestre, estes últimos sob condição de virem a cavalo, também tomou aquela que é, efectivamente, o "Berço da Nação", ao invés de Guimarães, como alguns especuladores pretendem fazer crer. Aliás, basta consultar o tratado sobre Portugal Medieval, do Professor José Mattoso.
O poder do rei consolidou-se a olhos vistos e choveram elogios de todos os quadrantes políticos e partidários, particularmente dos partidários da sua causa. De tal modo que Geraldo Geraldes ofereceu-lhe a Praça do Giraldo, de mão beijada e sem qualquer pavor.
Ainda, no decorrer do seu longo reinado, Afonso Henriques teve grandes dificuldades para expulsar os restantes jihadistas islâmicos de Lisboa porque os gajos eram mais que as mães, por assim dizer. Mas, mesmo assim, teve tempo suficiente para correr com eles de Campo de Ourique; Campo Grande; Entrecampos; Conde de Redondo (Conde de Redondo é rua, mas que se lixe); Campo Pequeno; Campo Mártires da Pátria; Campolide; Campo Santana; Campo das Cebolas e se mais campos houvera lá chegara.
Para além disso, e já nas lonas devido ao avançar da idade (setenta e nove anos era uma idade muito provecta para aquela altura) e aos maus fígados associados às crises de gota (segundo as crónicas de antanho, Afonso pelava-se por aguardente de medronho), ainda teve tempo para inaugurar a Alameda, atribuindo-lhe o seu nome, narcisista como era.
Muita coisa fica no ar a seu respeito. Sei lá, olhe por exemplo: ainda há dúvidas sobre a sua cota de malha; se seria de pura lã virgem ou uma porcaria feita na China; ou como trataria o seu filho na intimidade do lar: se por Sancho, Sanchinho, Sanchocas ou, simplesmente, "pá"; ou se, porventura, terá assinado o Tratado de Zamora em cruz, sabendo-se que era um Cristão Democrata ferrenho.
No último estádio da sua vida, jamais se saberá se ele ainda teria a noção de ter fundado Portugal.
Finalmente e não menos importante: será que o nosso primeiro rei, enriqueceu à pala do seu reinado ou também foi enganado pelo Ricardo Salgado? São questões que ficam no ar, ad aeternum...
 
(*) É consabido que, se o pobre Martim não os tivesse entalado nas portas do castelo de São Jorge, para dar passagem às nossas tropas, Lisboa não teria sido conquistada com tanta ligeireza. É da História.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A GATA BORRALHEIRA

por João Brito, em 13.06.22

a gata borralheira.jpg

Quando a Fada Madrinha lhe ofereceu um lindo vestido e pôs à sua disposição uma carruagem puxada por seis fogosos cavalos, estava longe de supor que eram para ir ao baile de debutantes no Palácio do Príncipe Real. Aquilo foi uma visão tão linda e tão fantástica que até teve receio de se beliscar, não fosse desvanecer-se e acordar novamente para a sua rotina diária na cozinha. Se ao menos fosse chef, vá que não vá!
Todavia, naquele momento tão sublime, pôs de lado a cruel realidade.
Finalmente, tinha chegado a sua hora feliz. Porém, havia uma condição essencial que a Fada Madrinha lhe impusera: tinha de regressar à meia noite em ponto – nem mais nem menos um minuto – , altura em que o feitiço findaria.
As fadas são muito exigentes e, às vezes, pecam por excesso de rigor e até são capazes de acabar com tudo na melhor altura. E muito boas são elas porque, quanto às fadas más, então, não sei se vos diga se vos conte!
Já ia na enésima dança com o Príncipe Real, cheia de contentamento, quando começaram a soar as doze badaladas provenientes da torre do relógio. Precipitada, a Gata Borralheira, desatou a correr escadaria abaixo e desapareceu na noite escura e negra – passe a redundância – como breu. Contudo, na retirada apressada, deixou cair um dos sapatinhos que, por qualquer razão, desconhecida da própria razão, não se esfumou com a cessação do encantamento.
Desvairado, o Príncipe Real (já chateia estar a repetir Príncipe Real!), procurou por todo o reino e arredores a dona daquele precioso sapatinho.
Depois de muito buscar, o PR, acabou por chegar à mansão onde morava a Gata Borralheira.
O sapatinho foi finalmente experimentado, sucessivamente, nas suas duas manas, inclusive na madrasta – que era gorda e muito feia, sublinhe-se – , nas criadas de quarto e, por último, na própria. Nada. O calcante não serviu em nenhuma.
Na tentativa desesperada de tranquilizar o espírito, o PR resolveu experimentar o sapatinho no pé do Jacinto, o moço da estrebaria e...milagre dos milagres! Entrou, perfeitamente, no pezinho delicado do rapaz que nem uma meia de seda (se fosse que nem uma luva ou uma meia-desfeita, saía fora do contexto).
Assim, lá foram ambos de mãos dadas, alegres e felizes, a caminho do Palácio do PR (não confundir com o Palácio do senhor Presidente da República).
Nas coisas do amor, o PR não era nada esquisito.
Adaptação muito parva de um conto infantil(*), de Charles Perrault, com o título em epígrafe.
(*) - Peço encarecidamente desculpa a todas as crianças.
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

restrição.jpg

Desta vez foi a gota d'água, como é comum dizer-se. Mais uma atitude pessoal, "instigadora de ódio" e os "comissários russos de censura prévia" desta rede social fizeram-me a folha: vinte e nove dias de castigo. Estou proibido de publicar, de gerir páginas e grupos, de tecer comentários, enfim, uma panóplia de interdições capazes de me deixarem à beira de um ataque de nervos. Ainda agora a procissão vai no adro e já estou possesso com tantas restrições!

restrição2.jpg

A gota d'água foi o desfecho das várias ameaças de limitação de acesso que me vinham a fazer há algum tempo por via das minhas reincidências e, desta feita, quando comentei de forma tão "exuberante" uma publicação da CNN Portugal a propósito da eventual ajuda dos países ocidentais à reconstrução da Ucrânia, não tiveram contemplações.

Este "Face" não brinca em serviço e dá forte e feio quando lhe sobe a mostarda ao nariz.
A talhe de foice, quero deixar um aviso (sério ou não, fica ao critério das eventuais leituras) acerca dos serviços de "espionagem" do Facebook: Efectivamente, esta rede social controla o que escrevemos. Para o público e para os amigos já sabemos. Contudo, os "censores" do "Face" vão mais longe: também gostam de espiolhar o que guardamos para nós. A coisa está, supostamente, em automático, consoante os vários antecedentes lógicos (segundo eles) introduzidos no "programa"...
In this case, it's about the big American brother taking care of us "sinners".
If he was Russian, I wouldn't be surprised...
Se isto soar a mania da perseguição, esclareço que não era minha intenção. Antes pelo contrário! Até porque não sou apologista de teorias conspiratórias.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D