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A FAMA QUE VEM DE LONGE

por João Brito, em 28.11.20

Há praticamente meio século Portugal vivia uma crise muito profunda. Em termos de imagem podemos compará-la, se quisermos, com aquele anúncio velhinho ao brandy Constantino: "A fama que vem de longe" para quem se recorda.
A crise portuguesa também é afamada e vem de longe por assim dizer.
Será que alguém se lembra de algum momento em que não estivemos em crise, mesmo que esse momento tivesse sido quimérico?
Pois, por muito que esprema a memória não consigo vislumbrar nem uma leve anamnese desse instante iludente. Exceptuando o período Gonçalvista das "vacas gordas". Prometo que numa próxima oportunidade debruçar-me-ei sobre esse fantástico período.
Mas, recuando novamente até ao ano de 1974 do século passado, para não me dispersar, interessa dizer que Portugal passava por uma indefinição económica e cultural de tal modo confrangedora a ponto de se tornar num dos países mais atrasadinhos do mundo. Por isso havia muito trabalho a fazer para tentar apanhar o comboio e, mesmo assim, já em andamento. Não quero com isto dizer que a crise de que vos escrevo só tenha existido desde então, nada disso! A velhaca já existia antes, mesmo muito antes! Penso até que a sua génese se perdeu no tempo...
Contudo, debrucemo-nos sobre a crise da qual subsiste alguma percepção histórica e que felizmente já passou, pois parece que hoje em dia tal indefinição está definitivamente ultrapassada, podendo até afirmar-se que Portugal deixou de ser um dos países fortemente mais atrasadinhos do mundo para passar a ser efectivamente um dos países suavemente mais atrasadinhos do mundo.
Alguns viciados em círculos viciosos especulam sob a eventual criação do quarto mundo, uma vez que o nosso país já não tem cabimento no terceiro, o que não é de admirar.
Este estado de graça, do qual uma pessoa iluminada de um extinto governo apelidou, e em boa hora, de "milagre económico", deveu-se fundamentalmente ao esforço dos vários governos que temos tido desde a restauração da "democracia" no sentido da privatização total de Portugal; nomeadamente ao empenho, espírito de missão e sentido patriótico dos nossos políticos. Tudo boa gente.
Medida de longo alcance a curto prazo, a privatização total visa eliminar radicalmente o sector público da economia bem como a própria administração, deixando o país em autogestão. Sempre nos desenrascámos sozinhos e por isso não precisamos de ajudas de custo! Parafraseando alguém, sem saber quem: Metam lá a "bazuca" no olho do cu, suas couvinhas de Bruxelas!
Novecentos anos de história é pouco, mesmo que tenhamos a perfeita noção de que são novecentos anos a dormir à sombra da bananeira (o termo vem de algumas qualificações como "país de bananas" ou "república das bananas") com alguns laivos de glória épica.
Segundo os mentideiros do costume, o grande objectivo é acabar definitivamente com a balança de pagamentos e transferir a dívida pública para as dívidas privadas dos cidadãos-patrões de si mesmos, estão a ver a coisa?
Assim parece ser o objectivo da tríade que nos tem governado há quase cinquenta anos: ir mais longe do que os agiotas da "troika" algum dia fizeram. Afinal, a coisa dividida por todos custa menos ao Estado e deixa os contribuintes mais aliviados, o que representará uma mais valia para as contas públicas. Quer dizer: privadas de uns poucos, crónicos, mas bons...malandros. As minhas mais sinceras desculpas ao Mário Zambujal por fazer um aproveitamento abusivo da sua célebre "Crónica dos bons malandros"; o seu a seu dono.
Bom, mas o primeiro passo desta política revolucionária será a reabertura de um concurso para adjudicação do sector do ensino. Parece que a melhor proposta de rentabilização do sector, a médio prazo, acaba de surgir de alguns grupos ligados a holdings chinesas, os quais pretendem assaltar outros ramos de actividade tais como a saúde e as águas engarrafadas - nomeadamente as gaseificadas.
O presidente chinês não confirma nem desmente, mas ainda circulam rumores de que terá deixado um recado a um anterior governo: "Sim senhol, mas quelemos substituil o poltuguês pelo mandalim nas escolas pala que possamos concletizal um glande (não confundir com a nossa conhecida bolota) negócio da China."
No que concerne ao sector da saúde, não obstante as enormes lacunas e consequentes dificuldades derivadas da actual situação pandémica, parece ser intenção da empresa asiática The Private Equity Health Care Capital, fundada por um ex-Goldman Sachs e negociador da Opus Day Stealing Investment Management, lançar-se no "negócio" da saúde no nosso país. Porém, cuidado com os mexicanos! Os gajos pretendem alterar a dieta alimentar nos hospitais, caso venham a investir nesta actividade. Será que ainda vamos ver os internados no Hospital da Luz a comer burrito mix temperado com chili em pó picante? Aguardemos...
Outro sector que também poderá facturar muito é o da Justiça. Pelo menos já não é tão cega como dantes. Quer dizer: tem peneiras nos olhos para os endinheirados e continua cega para os tesos.
As forças de insegurança e as forças desarmadas, sectores muitos sensíveis em todo este processo de privatização, poderão vir a ser rematados em leilão por um consórcio liderado por um produtor de filmes de Bollywood, Aditya Aja Ananda Chanda (é nome feminino, mas fonte duvidosa garante que é macho, embora com alguma reserva).
Um general de vinte estrelas, reformado e a pingar do nariz, explicou numa entrevista ao CMTV que a medida, no que se refere à tropa, só vai aumentar o clima de mal estar entre soldados e soldadas. O governo espera poder contornar esta dificuldade tomando medidas concretas, inclusive abstractas, que possam ir no sentido de melhorar o rancho nos refeitórios dos quartéis e criar camaratas unissexo até à sua insolvabilidade.
Relativamente ao processo de insolvência dos ramos das forças desarmadas, já numa fase de irreversibilidade, o juiz presidente do Supremo Tribunal Administrativo pretende nomear uma equipa de gestores para o efeito, sendo quase certo que as figuras mais indicadas para gerir o andamento venham a ser o Ministro da Falta de Defesa e o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Desarmadas, os quais se ocuparão, prioritariamente, da liquidação das massas e massinhas insolventes, nomeadamente o esparguete, o macarrão, as estrelinhas, as letrinhas e as pevides, entre outras variedades.
A própria Presidência da República será vendida a preço de saldo a uma empresa especialmente criada para o efeito, uma PPP cujo presidente do Conselho de Administração será o ex-PR, tendo um Conselho Fiscal constituído e presidido, exclusivamente, pela esposa.
Como resultado destas medidas prevê-se que Portugal apresente uma situação económica ímpar à escala global, com taxas de inflação brutais, as quais não constituirão motivo de preocupação para a massa trabalhadora uma vez que vai ser liquidada.
A agricultura é outro sector que poderá vir a recuperar o sucesso dos primórdios da nossa História. O governo encomendou um estudo ao Ministério da Agricultura e do Mar no sentido de estudar - claro está - a viabilidade de reimplantar o Pinhal de Leiria, desta vez com eucaliptos. Passaria, então, a chamar-se Eucaliptal de Leiria. Aliás até soa melhor; pinhal é feio c'mo caraças e também demora muito tempo a crescer! Para o efeito, espera-se tirar alguma lição e ilação sobre a importância desta medida ancestral para a economia nacional e tornar clara, de uma vez por todas, a indefinição acerca da autoria da ideia de mandar plantar o estupor do pinhal. Se foi o Dom Dinis ou o Dom Afonso III. Quem melhor saberá esclarecer esta dúvida quase tão antiga como a própria História Pátria, senão o Professor José Mattoso?
Relativamente ao mar, depois de ficarmos sem Armada, sem frota de pesca, sem bacalhau, sardinhas e carapau, podemos negociar a venda parcial de algumas milhas nauticas aos espanhóis que bem precisados estão. Para que nos servem tantas milhas com dois submarinos, n'é? Ainda se tivéssemos um ou dois porta-aviões daqueles bonzinhos, mesmo em segunda mão, vá que não vá!
Penso que este panorama melhorará ainda mais com a nossa saída das ligas europeias e a passagem automática às ligas africanas. Tudo depende da preservação da nossa extraordinária capacidade para superar as crises ao longo da história.
E pronto, se me esqueci de adicionar alguma coisinha a este curto (?!) artigo de opinião, peço muita desculpa!

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NÃO É PARA RIR

por João Brito, em 25.11.20

não é para rir.jpg

«Quanto mais me bates, mais gosto de ti!» - exclamava ela enquanto ele a sovava desalmadamente.
«Adoro homens brutos como tu!» - dizia ela depois de ele lhe aplicar vários socos na barriga. 
Dobrada sobre si, ela pedia mais e ele não se fazia rogado, socando-a na boca, nos olhos e no fígado.
«Com mais força! - implorava ela com veemência - Os teus murros são doces carícias para mim!»
E ele não se ensaiava, fazia-lhe a vontade, agredindo-a com maior afinco e com método, dado que sabia quais eram os seus pontos fracos. Lá nisso, justiça lhe seja feita pelo elevado grau de profissionalismo. Ou não fosse um "kick-boxeur portugais poid lourd"; e prosseguia com encontrões, pontapés, mais socos, cabeçadas, joelhadas e toda a sorte de indescritíveis brutalidades.
Meia hora depois, mais minuto, menos minuto, ele parou; exausto, apesar de possuir grande caparro. O cenário não era para menos: ela jazia desfalecida sobre a cama, sangrando abundantemente de várias feridas. Para não falar na profusão de hematomas e contusões.
«Então? Porque paraste?» - balbuciou ela.
Ele não se mexeu. O aspecto dela não era, de todo, agradável e pareceu arrependido de a ter espancado quase até à morte porque, aparentemente, ficou triste; de uma tristeza comovente; quase a fazer esquecer aquele tipo de gente que chora azeite por um olho e vinagre pelo outro. Vá-se lá saber o que vai na cabeça de quem violenta assim...
Pegou na samarra, cobriu os ombros, colocou os óculos de sol, não obstante ser noite, e encaminhou-se, decididamente, para a porta da rua.
Ela ainda tentou detê-lo, mas faltaram-lhe as forças. No entanto, murmurou com raiva: «Maricas!»

Podia ser mais uma estória digna do anedotário nacional, daquelas de nos deixarem esboçar, quando muito, um sorriso irónico, se não fosse o epílogo trágico de muitas histórias...reais. Mais a mais, no tempo de confinamento social que decorre: oportunidade "soberana" para o agravamento de impulsividades patológicas; impunes, na sua maioria...

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FOTO MISTÉRIO

por João Brito, em 20.11.20

foto mistério (2).jpg

Depois de uns dias de remanso, eis que retorno a este tema que parece ter sido tão do agrado de quem passa por aqui e, em boa verdade, além de ter constatado o aumento entusiástico das leituras dos meus textos, acho que é um contributo superlativo para a formação pedagógica e manutenção da memória visual dos excelentíssimos leitores e leitoras, nomeadamente os que têm paciência para adivinhas.
Penso que, se já treinou suficientemente a sua memória visual na "foto mistério" anterior, desta vez é trigo limpo. Até porque as dicas são muito boas. Só por isso, bem hajam!
Posto isto, apresento-vos, desta feita, uma fotografia do actor norte-americano Chuck Norris, aqui muito bem disfarçado e em alegre confraternização, num intervalo das filmagens de "A garganta funda", no título original: The throat that has no end", produzido na década de 1970. Para mais informação, é só consultar a Wikipédia, "faxavor"!
Peço desculpa pela má qualidade da fotografia, mas foi a melhorzinha que encontrei no baú da tia Preciosa, uma cinéfila dos quatro costados. Não confundir com sinófila - do inglês "sinophile" - que é uma pessoa que adora comida chinesa. A talhe de foice até dou o exemplo de dois sinófilos muito famosos, apreciadores incondicionais de Frango Kung Pao - a vulgar sandocha de frango frito - , António Mexia e João Manso, este último a prometer que vai cortar o cabelo, e à escovinha, no dia em que a electricidade ficar ao preço da chuva. Ora, sabendo, nós, que as secas são cada vez mais prolongadas, imagino o senhor a arrepiar os cabelos com tanto cabelo na venta! No entanto, e por hipótese, se se concretizasse, era de agarrar as ocasião pelos cabelos.
À semelhança dos enigmas anteriores, para vos auxiliar, sempre posso acrescentar que a figura mistério foi criada e formada em Lisboa. Contudo, com a crise do Sporting (já naquela altura, imagine-se!) viu-se na inevitabilidade de sair da sua "zona de conforto" e emigrar para a Alemanha. Aí, trabalhou como moço de fretes numa fábrica de águas de Colónia. Porém, depressa se cansou do emprego e resolveu regressar a Portugal para completar os estudos. Só depois de um longo e doloroso estágio, lá conseguiu inscrever o seu douto nome na Ordem dos Advogados. Custou, mas foi, como é comum dizer-se.
Advogado e político (uma bela simbiose), fala fluentemente várias línguas, tanto vivas como mortas, sem esquecer a língua da sogra que é muito viperina.
Ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia, tem vindo a fazer de tudo um pouco ao longo da sua carreira. Todavia, algo o impede de conseguir atingir os objectivos a que se propõe, ficando sempre pelo caminho. Parece ser uma característica persistente que tem perseguido esta notável figura pública do Portugal Pós-25 de Abril.
Já todos adivinharam, certamente, que não se trata do Doutor António Vitorino, outro advogado, que tem exercido diversos cargos depois da "Revolução". Isto, não obstante ter algumas leves parecenças com a personagem enigmática. 
Até porque na juventude era mais novo e na infância era mais baixo. É claro que com os anos ficou mais velho e cresceu mais uns centímetros, embora não tantos como, certamente, desejaria. 
Nunca é de mais recordar-vos que não há prémios, à semelhança da foto mistério anterior, mas podem escrever as respostas num bilhete-postal (não sei se ainda existem) e endereçá-las para os próprios endereços para testarem o grau de morosidade dos CTT.
Para dificultar tanta evidência, compliquei a coisa ao colocar uma barista toda gira e boa a fazer festinhas à figura misteriosa.
Para fingir que é tudo a sério aqui têm as habituais sugestões:
a) Doutor André Ventura
b) Camarada Jerónimo de Sousa
c) Linda Lovelace
d) Dona Zulmira do 1º Esqº
e) Doutor Loló
Boa sorte!

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UM NEGÓCIO DA CHINA

por João Brito, em 13.11.20

negócio da china.jpg

Como é do conhecimento geral, se a venda da EDP foi um mau negócio para os portugueses, foi, outrossim, um negócio da China. É claro que também foi um excelente negócio para uns bons malandros da nossa praça, como não podia deixar de ser, n'é? Acho que não é preciso nomeá-los...
Depois, falta idear a táctica para o grande acontecimento que vai marcar o centenário do Novo Ano chinês que, como se sabe, será comemorado em 16 de Fevereiro do ano de... (é só fazer as contas). Isto apesar de antecipar que vai ser um ano com muito galo. Refiro-me, claro está, ao facto do 'protectorado' de Macau retornar à administração de Portugal.
«Já não era sem tempo! Espero estar ainda vivo!» - dizia Jim Tony Quon da Silva, um português, natural de Oliveira de Azemeis, a residir no 'protectorado' desde o dia do seu nascimento (do Jim).
Porém, isto não tem nada de surpreendente, como já se devem ter apercebido, pois a História tem demonstrado, ao longo dos tempos, que a China teve sempre dificuldades insuperáveis em adaptar-se à cultura macaense. No fundo, reflecte um pouco a nossa que, se é deveras estranha para nós, devemos imaginar para os chineses...
Se quisermos ser mais rigorosos na perspectiva histórica da coisa, sabemos que a muralha da China foi construída, basicamente, com o propósito de dificultar a onda migratória de macaenses para o seu território, até aí inexpugnável; se bem se lembram, na década de 1960 do século passado, Mau Zé Tuga (mais conhecido por Nove Sete Um), um magnata luso-descendente (louro!), curiosamente com os olhos em bico e sempre a fazer beicinho, já vinha a ameaçar Macau que ia erguer uma grande muralha e que os macaenses iam pagá-la com o corpinho.
Não obstante toda a problemática à volta desta temática, andam-se a fazer coisas às cegas, não se sabendo muito bem o que são, pois os observadores não têm observado seja o que for até à data em que escrevo este artigo.
Sem embargo da tinta da china que tem corrido, tudo isto perspectiva um absoluto desconhecimento das realidades do Oriente e subsequente desorientação.
O actual governador militar do território, o General de vinte estrelas Frang Gong Bao, disse um dia destes, numa entrevista exclusiva a Jay Chop Suey, um reputado jornalista da Beijing News, que perante a continuação do impasse nas negociações entre Portugal e a China, irá pedir a demissão do cargo e solicitar a cidadania portuguesa, por causa das tosses. E não é só o governador; os seus conterrâneos têm vindo a demonstrar a sua habitual e pachorrenta impaciência perante a actual situação. Inclusive, fala-se na eventualidade de um êxodo em massa chinesa para Portugal. Como se não nos bastasse o spaghetti, valha-nos Deus!
Urge fazer qualquer coisa e justificadamente porque, das duas uma: ou o governo português aceita o pedido de protecção ou Macau invade aquilo tudo e não é pouco! Mais a mais, já não falta muito para Portugal assumir a presidência da UE e, sob esse pretexto, já prepara um caderno reivindicativo, em jeito de ultimato, para apresentar aos espanhóis, na próxima cimeira ibérica, reclamando Olivença como território nacional que, como deduziram (e muito bem), tem tudo a ver...
Prosseguindo com a linha de raciocínio anterior, uma vez recuperada Olivença - a nossa querida Olivença, diga-se em abono da verdade - o resto da Espanha está no papo até meados do próximo ano, altura em que os reinos das Astúrias, Aragão, Galiza, Navarra, Taifas e naturalmente Catalunha, se juntarão às nossas forças vivas para submeter o reino de Castela e unificar, finalmente, a Ibéria. Granada ainda não sabe para que lado se há-de virar, se para a Ibéria ou para o Estado Islâmico. Mesmo assim, oxalá (Do árabe ua xā illāh) este grande projecto peninsular tenha pernas para andar! Nem que seja, pelo menos, com uma às costas!
Ainda, de regresso à China, sabe-se de fonte bem desinformada que os chineses, com o seu habitual sorriso amarelo, lá vão tentando convencer o mundo de que o arroz xau xau é bem melhor do que o nosso malandrinho com joaquinzinhos. No entanto, Macau contrapõe e ameaça com a eminência de uma invasão se eles teimarem em denegrir esta iguaria gastronómica nacional.
Assim, os indicadores indicam - passe a redundância - que o governo chinês vai levar este aviso muito a sério, parecendo que os macaenses, perante tal receio, também abdicarão das suas acções expansionistas, ao menos até à Festa da Lua.
No pressuposto de que Macau respeitará o acatamento do seu vizinho e actual 'administrador', uma delegação do Partido Monárquico Mandarim, na ilegalidade, deslocou-se a Lisboa, rodeada de excepcionais medidas de segurança e disfarçada de chinesices, a fim de se inteirar dos segredos da nossa generosidade para com o investimento estrangeiro e a forma como o facilitamos. Isso aliado à fantástica qualidade de vida de alguns portugueses.
Entrevistado, o chefe da delegação, visivelmente entusiasmado, afirmou: "Com os vistos Gold e massagens tailandesas, vamos vivel num autêntico palaíso asiático!"
Espelemos, então, pol um final feliz...

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UMA FAMÍLIA ÀS ULTRA-DIREITAS

por João Brito, em 12.11.20

EM REPOSIÇÃO NA RTP MEMÓRIA. A NÃO PERDER.

uma família às ultra-direitas.jpg

 

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TRUMP E PUTIN, UM AMOR INCOMPREENDIDO

por João Brito, em 08.11.20

trump vs putin.jpg

Agora que Trump perdeu a corrida à Casa Branca, mesmo que esperneie muito, só tem uma alternativa: cumprir a promessa de que, se perdesse as eleições, sairia do país. Ora, como é consabido, embora refutado pelos seus apoiantes, ele sempre nutriu uma simpatia estranha por Putin. Isto, não obstante negar o óbvio.
Segundo os mentideiros habituais, a hipótese de Trump poder vir a mudar-se de armas e bagagens para Moscovo não está posta de parte...

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PRÉMIO EUROPEU DO ANO

por João Brito, em 07.11.20

prémio europeu do ano.jpeg

Em 2015, um tal comissário europeu para a "Economia e Sociedade Digitais" (não sabia que havia um comissário europeu para estas coisas, peço desculpa pela minha ignorância), entregou, ao, então, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Rui Machete, em Berlim, um óscar...perdão, um galardão, com um nome muito pomposo: "Golden Victoria Europa".  Parece que foram uns gajos alemães, representantes de uma associação de editores, não sei do quê, que inventaram este prémio anual.
Günther Öttinger - assim se chama o sujeito que era comissário dessa tal coisa - dedicou o prémio 'Europeu do Ano' "aos 11 milhões de pessoas que vivem em Portugal". Imagino a honra que todos devemos ter sentido ao termos sido conhecedores da atribuição do prémio. Todos é como quem diz: temos de subtrair os largos milhares que constituíram o êxodo para o estrangeiro na procura de melhores condições de vida; a fazer lembrar a enorme purga de nacionais na década de 60 do século passado. Mas, essencialmente, o galardão deveu-se, na opinião do senhor comissário, ao "êxito" do país em concluir o programa da troika.
E prosseguindo no discurso elogioso, disse que Portugal conseguiu "encontrar o caminho para mais emprego e competitividade" (fiquei banzado!). Acrescentou que o prémio era também um pedido aos portugueses para que "possam manter uma estabilidade política, económica e financeira, sem oscilações". Pois, aqui, o gajo maculou a oratória! Estava a ir tão bem e, no final, saiu-se com esta!
Passados cinco anos, com o advento desta nova e trágica realidade global e permanecendo um "bocadinho instáveis" nos três domínios, ainda continuamos a ser tratados como se fôssemos um dos meninos mais mal comportados da Europa da "União". Todavia, com uma ligeira nuance: estamos no bom caminho para conseguirmos recuperar o tempo perdido, em áreas como as energias limpas e a digitalização, segundo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. 
Assim, se concretize o "disparo da bazuca" que parece estar com alguns enguiços.

 

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OS MARCIANOS

por João Brito, em 05.11.20

marcianos.jpg

Aqui só pra nós que ninguém nos lê: você acha que alguém, no seu perfeito juízo, acredita em marcianos, uns seres verdes horripilantes, com antenas ou cérebros desconformes, os quais parecem fazer, exclusivamente, parte do imaginário dos apreciadores do género, uns "aliennados" do caraças?!
Repare que sou do tempo em que ainda não se comiam pipocas nas salas de cinema durante a exibição de filmes! Nomeadamente, filmes como a "A Guerra dos Mundos", uma película de 1953 baseada no livro de H. G. Wells. Lembra-se ou já não é do seu tempo? Pois, olhe, eu, cá, não me lembro porque em 1953 era pequenino! No entanto, vi-o anos mais tarde numa sala onde as cadeiras faziam muito barulho quando a gente se sentava porque eram feitas de madeira.
Mas, como dizia, não se comiam pipocas nas salas de cinema com cadeiras de madeira. Todavia, em sua substituição, a malta entretinha-se a roer as unhas e a ler as legendas em voz alta. É verdade!
Porém, muito sinceramente - mais sinceridade é impossível - não acredito em marcianos. Por outro lado, não deixo de acreditar. É um paradoxo, não é? Também acho.
Isto é como tudo e não posso deixar de parafrasear aquele galego cujo nome já se me varreu: "No creo en brujas, pero que las hay, las hay!"
Por conseguinte, quando a gente não sabe com quem lida (ou com o que lida), é sempre bom recorrer a uma providência cautelar; vá por mim!
Bom, mas, para reforçar esta convicção, não obstante alguma hesitação - peço desculpa por mais uma contradição - , reporto aqui uma notícia que passou despercebida, já lá vão uns anitos largos, que deixou os aficionados por extraterrestres, no mínimo, curiosos. Isto porque em finais de 2007, um engenho robotizado, o "Spirit", enviado pela agência espacial norte-americana ao planeta vermelho, registou imagens da superfície de Marte e, entre elas, para espanto geral, surgiram três vultos verdes nos monitores de Cabo Canaveral. Curiosamente, estes vultos, analisados atentamente, fizeram lembrar as figuras de três humanoides, parecidos com alguém muito estimado pela maioria dos portugueses, num determinado e conturbado período da nossa história.
Alguns poderão pensar que é uma grande treta, produto da nossa imaginação (pareidolia), no qual o nosso cérebro, feito barata tonta, constrói imagens ilusórias. É um pouco como o fenómeno do oásis no deserto, sendo que os padrões dessa construção são sempre aleatórios, logo sempre sujeitos às contingências do momento. Perceberam? Eu também não, mas vou sugerir alguns exemplos: penso que já devem ter olhado para as nuvens no céu e visto cavalinhos, peixinhos, memés, a virgem Maria, o Pai Natal e outras figuras alegóricas.
No caso presente, não sei se se tratou de um fenómeno de pareidolia, mas uma coisa é certa: estes humanoides eram de tal modo parecidos com as personagens que referi que até causaram calafrios aos controladores do centro espacial!
Para ser honesto, penso que estes temas são sempre muito polémicos e não devem ser discutidos com ligeireza. Também penso que qualquer discussão em torno disto nunca é conclusiva, muito menos unânime. Porém aqui fica mais um testemunho para alimentar o debate.
A talhe de foice, você chegou a ver o filme "Marte Ataca" do Tim Burton e está a seguir uma série chamada Projecto Livro Azul (Blue Book Project, para inglês ver), ainda em exibição nos canais TVCine? Quando e se puder, (re)veja o filme porque é fantástico e está recheado de estrelas. Quanto à série, não perco pitada, juro; sou um "aliennado" por cenas de extraterrestres, palavra!

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CENSO ESTATÍSTICO

por João Brito, em 04.11.20

censo estatístico.jpg

Chegou-se ao ponto em que não se sabe se é ponto final ou ponto de partida; quiçá, ponto de fuga. Tal como a persistente dúvida entre o ponto de espadana e o ponto de rebuçado e aí é que bate o ponto! A somar a isto, fazendo o ponto de situação, constata-se que o capital continua de costas voltadas para o trabalho e vice versa, o que, segundo o meu ponto de vista, é um eterno ponto de  interrogação e, naturalmente, de conflito; um ponto fraco da democracia ou, se quiserem, o seu ponto nevrálgico. Por exemplo, o governo anda com vontade de acrescentar mais uns trocos ao salário mínimo nacional para ver se a malta mais desprovida de recursos, em último recurso, consegue fazer face à miséria em que a pandemia a deixou.
É claro que, com a caganifância do dito salário, não se faz face a nada; chega a ser pornográfico. Assim, enquanto uns gritam aqui-d'el-rei, os outros dizem que os aumentos que o governo propõe são ridículos.
Pergunta você, aí, com muita legitimidade: Por que é que uns continuam a dizer que estes aumentos são insuportáveis e os outros reclamam aumentos de noventa euros, porquê?! Pois, olhe, também não sei! O que sei e o que você certamente sabe é que a generalidade está farta de ouvir sempre os mesmos discursos de um lado e do outro da barricada e continua tudo como dantes, quartel-general em Abrantes.
Porém, não era bem este o propósito desta prosa; prometo que o desenvolverei com maior acuidade, em exclusivo e sob consulta. Queiram desculpar mais um dos meus inumeráveis devaneios.
Vamos lá ao que interessa: estatísticas. Após muita reflexão e algumas insónias, achei por bem partilhar convosco o resultado, em síntese estatística, do meu censo.
Ressalvo que não sou estaticista e muito menos esteticista, o que não é, de todo, a mesma coisa. Devo esclarecer que a minha tese não diverge muito do último censo que, segundo o motor de pesquisa, ocorreu em 2017. Esta é de 2019, portanto queira desculpar algumas imprecisões, cujo culpado é, forçosamente, o vírus Covid-19.
A leitura do censo estatístico oficial (mais uma vez, peço desculpa por uma ou outra inexactidão), permite-me fazer a seguinte interpretação, a grosso modo, vá lá (se tiverem dados dignos de fé, agradeço que me corrijam porque estes não são, seguramente, fiáveis):
 
Número de habitantes:......................................................................10 000 000

Pessoas com mais de 65 anos:............................................................2 800 000

População trabalhadora:.....................................................................7 200 000

População com menos de 18 anos:.....................................................3 200 000

Aptos para o trabalho:........................................................................4 000 000

Funcionários da Administração Pública:............................................2 400 000

Aptos para o trabalho:............................................................................600 000

Forças Desarmadas:.................................................................................30 000

Aptos para o trabalho:..............................................................................60 000

Hospitalizados e demais enfermos (inclusive os que estão nas lonas):..300 000

Aptos para o trabalho:.............................................................................100 000

Proxenetas e afins:.....................................................................................26 000

Aptos para o trabalho:................................................................................74 000

Ociosos (políticos, presos de litro comum e outros):.................................73 998

Aptos para o trabalho:..........................................................................................2

E quem são os dois que estão aptos para o trabalho? É claro e evidente (passe a redundância) que somos nós, caro(a) leitor(a): você e eu. Só que eu fui despedido há uma porrada de tempo por absentismo, portanto sobra você e faz muito bem porque demonstra um sinal inequívoco de portuguesismo exacerbado.

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