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PORNOGRAFIA

por João Brito, em 16.09.20

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Uma alminha inconveniente e maliciosa garatujou, um dia, num blogue que jaz morto e arrefece, um comentário que não corresponde (jamais em tempo algum poderia corresponder, valha-me Deus!) aos objectivos e propósitos que norteiam, em todos os sentidos, o meu elevado sentido de moral.
Tratou-se de uma assacanice pura e dura (acto de assacar culpas a pessoas inocentes).
Com efeito imediato, desmenti, categoricamente; isto é: desmenti com muita veemência e sem rodeios que a minha escrita tenha conteúdos de carácter pornográfico. Quando muito, sem acordo ortográfico, vá lá! Insisti que aquilo que escrevo não contém a conta de um porno. Aliás, porno o que é senão um adjectivo invariável?
Mas, adiante, senão disperso-me: Não era raro receber comentários, alguns que me abstenho de reproduzir aqui por respeito pelas normas de convivência, de gente que pretendia fazer-me a cama ou dizia que não ia à missa, tampouco ao futebol comigo ou, simplesmente, jurava que fazia e acontecia.
É claro que tive e tenho sempre o cuidado de bloquear pessoas desta índole porque não sabemos com quem lidamos e prefiro partir da premissa de que há sempre um homicida latente em cada indivíduo que nos ameaça de morte. Isto é como tudo: lembram-se - os mais velhotes -  daquele anúncio ao sabonete Lux, usado por nove em cada dez estrelas? Pois é, por muito despropositado que possa parecer, isto anda tudo ligado como diz o outro e o seguro morreu de velho. Ao invés do amigo Sérgio Godinho, prefiro, antes, a sorte que tal morte. Vê-se e lê-se tanta bizarria na internet, que mais vale prevenir do que remediar.
Outras pessoas, ao contrário desta gente reles com intuitos assassinos, nem se dão ao trabalho intelectual de me ler e, lá nisso, dou-lhes razão, dado que é muito intelecto junto e o que é de mais é moléstia!
Onde é que eu ia, pá?... Agora tive uma branca e devo dizer que não é a primeira vez que isto me acontece. Sobretudo se vos confessar que ando a tomar, há uma porrada de tempo, comprimidos para a demência. A propósito, tenho de chegar à conclusão de que ando a embutir placebos, pois estou cada vez mais esquecido das coisas e, por vezes, não sei para que servem. Ainda um destes dias enfiei uma cueca na cabeça, pensando tratar-se de um gorro. Se pensam que Isto é para rir, não acho piada nenhuma e já começo a duvidar da minha sanidade mental. Mais a mais estes comprimidos são caríssimos, pois não têm comparticipação. Bem, lá nisso dou razão ao SNS, dado que o país está cheio de gente desvairada e, agora com o novo coronavírus, o número de casos de loucura aumentou. Prioridade das prioridades é arranjar uma "bácina pra matar o bicho" (parafraseando um amigo que já não vejo há uma porrada de tempo). Quanto à vacina para a alienação colectiva, bem pode esperar por dias melhores...

Prosseguindo o encadeamento lógico do meu pensamento (agora, esmerei-me), o que pretendo transmitir, antes que a minha memória se esfume, é que é preciso ter muita calminha porque não é bem assim como me pintam! Por outro lado, devo acrescentar que a escrita, para mim, é puro gozo; mesmo que o associem a um gozo explícito e, naturalmente, muito indecoroso.
O problema de muita gente é que só lê as gordas porque tem falta de visão. Afinal, limito-me a estender-me e a rebolar-me sobre a magra questão do erotismo, sem meter a mão ou o bacalhau no porno.
Se algum dos meus leitores (quiçá libertino ou libertina) tem o hábito voyeurista de ler as minhas estórias (sei que é uma escrita às vezes longa e complexa e, por isso, de difícil compreensão), iludido ou iludida, pelo dislate ou sugestão do título, pode dar por perdido o seu tempo. Efectivamente, tudo se trata, nas minhas estórias, de bons costumes e moral vigente. Ou como diria a nossa conhecidíssima Janet ao primo Jack, também ele uma personagem famosíssima, não obstante desconhecer donde lhes provém a fama: «Largue-me, Jack, tem gente olhando!»
Pronto, meus queridos  leitores e leitoras (poucos, contáveis pelos cinco dedos de uma mão, mas excelentes), achei por bem dever-vos esta singela explicação, não vão outros espalhar aos quatro ventos que sou um contador de estórias indecentes. Bem hajam e beijinhos e abraços à distância regulamentar!

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