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A TORTO E A DIREITO

Pretendo que seja um blogue cheio de estórias rutilantes, ainda que às vezes embaciadas. No entanto, sagazes e transparentes, embora com reservas e alguma indecência à mistura. Todavia, honesto.

A TORTO E A DIREITO

Pretendo que seja um blogue cheio de estórias rutilantes, ainda que às vezes embaciadas. No entanto, sagazes e transparentes, embora com reservas e alguma indecência à mistura. Todavia, honesto.

30.04.20

PRÉMIO NOBEL


João Brito

o boato1.png

Embora se aguarde com relativa expectativa uma confirmação oficial, ou pelo menos oficiosa, tudo leva a crer, por muito inverosímil que pareça, que o nome do actual Ministro da Administração Interna (MAI), Eduardo Cabrita, tenha sido proposto pelos comandos da Guarda Nacional Republicana (GNR) e Polícia de Segurança Pública (PSP) e também pela Direcção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), para uma candidatura vacilante a um Prémio Nobel, não se sabendo, ainda, de quê.
Os presidentes da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) e da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) não se pronunciaram até ao momento porque estão muito indecisos. 
Não obstante ter-se encontrado facilmente um nome sonante, pelos menos para as forças da ordem, parece não haver consenso quanto ao Prémio Nobel a que Eduardo Cabrita se poderia candidatar, como referi. Aliás, o próprio candidato a candidato terá dito a alguém, não se sabendo a quem, que "houve negligência grosseira e encobrimento grave" na proposta da sua nomeação, para além de achar condenável não haver unanimidade quanto ao carácter do prémio, ao que uma alta patente da PSP, terá comentado: "pobre e mal agradecido, é o que é!".
Os delegados sindicais do Corpo de Intervenção da PSP, a despeito da força dos seus argumentos, não teriam logrado impor a tese segundo a qual o notável ministro se deveria candidatar ao Prémio Nobel da Paz.
No entanto, o comando da PSP, à margem da posição divergente dos elementos do sindicato, inclinar-se-ia para o Prémio Nobel da Física, devido à personalidade multifacetada do candidato. Isto, apesar de um dos seus representantes ter afirmado: "Não sabemos o que é a física, mas soa-nos bem."
A GNR tinha apresentado, a princípio, a proposta de candidatura ao Prémio Nobel da Pecuária, mas acabaria por recuar para uma proposição "mais sensata", segundo o porta-voz da corporação que concluiu: "Se o andidato fosse o apoulas Santos, vá ue não vá! Assim, pensamos ue o Prémio Nobel da uímica assenta ue nem uma luva ao nosso ministro. Questionado sobre a razão da escolha desta opção, respondeu: "orque sim, prontos!", despedindo-se com aprumo e alguma altivez, batendo a pala e as botas (não confundir com a expressão inglesa "kick the bucket" q'isso é outra coisa) altas nas pedras da calçada do quartel do Carmo.
Finalmente, o SEF, defendendo uma posição de compromisso, propôs o ministro da tutela para o Prémio Nobel da Língua Estufada, já que EC seria, na opinião do director da instituição, "Um vernáculo representante e continuador da língua de Pina Manique."
Mas, como disse inicialmente, por enquanto isto não passa de um mero boato (ou fake news, pra inglês ver).
Já agora, só a título de curiosidade: Como é consabido, Diogo Inácio de Pina Manique foi Visconde de Manique do Intendente que, no seu tempo, já era um bairro mal afamado. Contudo, não vou adiantar mais nada sobre o assunto, dado que viria a despropósito... Bem, só mais uma achega:
Dona Maria Pia, que nunca escondera a enorme devoção ao seu intendente-geral da polícia, mandou exumar o seu corpo, depois de morto e enterrado, para confirmar se não tinha ficado com olhos de carneiro mal morto. Para certificar o acto, na presença do Bispo Auxiliar de Lisboa, cujo nome é irrelevante para a estória, tiveram que lhe puxar pela língua e constataram que, para além de comprida, tinha a língua morta. Enfim, superstições, misticismos e outros desvarios do espírito humano, naturais naquela época e carecidos de razão, à luz do racionalismo cartesiano (agora esmerei-me). Graças a Deus que os tempos mudaram!

29.04.20

UM CASO INSÓLITO


João Brito

um caso insólito.jpg

Foi um caso tão insólito que até fiquei de cara à banda! É verdade! Todavia, penso que é caso para admirar e, assim, animar as discussões de café no preciso instante em que passo a divulgá-lo, em primeiríssima mão, e é para já antes que se me varra!
Afinal, o caso não é para menos, dado que não abundam por aí casos como este.
Aconteceu outro dia, à luz do dia (imagine-se), na Rua do Ouro: Um cliente de um conhecido banco foi assaltado à mão desarmada, em plena via ourinária, pelo cofre forte do referido banco que, por acaso, não foi referido.
O meliante, não obstante o peso excessivo e a consequente dificuldade em andar, pôs-se rapidamente em fuga, após o furto das poupanças que o cliente transportava numa mala, as quais, como mais tarde referiu à autoridade, havia levantado até ao último tostão. Este último (não o tostão, mas o cliente), sem razão aparente, ficou atónito e, simultaneamente, estupefacto com a bizarra ocorrência. Pudera, até eu, mesmo sem razão aparente! Mas, do mal o menos porque não houve mortos e feridos e, mesmo que houvesse, alguém havia de escapar, como comummente se diz. Até porque, como se constatou à vista desarmada, o assaltante também agiu desarmado.
O cofre forte viu-se imediatamente perseguido por, nada mais, nada menos que duas polícias montadas (não confundir com o caso da Polícia Montada em canadianas, outra situação insólita e badalada que deixou muita gente perturbada) em bicicletas que, por feliz circunstância, faziam uma ronda pela artéria áurea (não confundir com a artéria aorta que vai dar à horta).
Já a noite ia alta, dir-se-ia que muito próxima do meio-dia seguinte ao assalto, quando foram finalmente capturados e presos preventivamente, a vítima do assalto, o cofre forte e as polícias, depois de devidamente desmontadas, estas por envolvimento emocional com o infractor.
Após a detenção foram mandados despir, a vítima do assalto e as polícias desmontadas (o cofre foi dispensado por uma questão de decoro) e, através dos métodos habituais, utilizados em casos idênticos: identificação documental e impressão genital (não confundir com impressão digital que é um método completamente diferente), constataram que o cliente do banco era do sexo feminino.
Somente o cofre ficou a aguardar julgamento em liberdade, sendo dispensado de apresentações regulares na esquadra da sua área de residência, devido à sua manifesta dificuldade de locomoção.
Mais tarde, apresentados ao tribunal da comarca, entendeu o juiz que o cofre forte do referido banco que, por acaso, não foi referido, era um caso com muito peso e, na circunstância, alegou não ter competência para o julgar, pelo que o processo seguiu os trâmites legais para um tribunal arbitral, por acordo entre as partes, com o auxílio prestimoso de duas gruas que se dirigiram, diligentemente, ao local.
Com respeito à pena aplicada às polícias montadas, dado o carácter "nimiamente emocional e obsessivo" do seu envolvimento com o cofre - segundo as palavras do juiz de primeira instância - , ficaram proibidas de contactar o arguido durante um mês. Esperava-se uma pena mais pesada, em face do acto irreflectido das polícias montadas, mas o magistrado foi um bocadinho complacente. De tal modo que, também ele, se deixou emocionar até às lágrimas com o relato comovente das agentes da autoridade, quando estas irromperam num pranto capaz de abalar a justiça mais cega; e em boa hora o fez. No meio de alguns sem coração ou até com pêlos no coração, ainda há juízes com o coração mole, graças a Deus.
Entretanto, sem acórdão do tribunal arbitral à vista, o Ministério Público está hesitante em relação à pena a aplicar ao cofre forte do referido banco que, por acaso não foi referido, porque, sendo o infractor useiro e vezeiro neste tipo de atentados às bolsas dos depositantes, adquiriu uma grande dose de impunidade e, consequentemente, alguma imunidade judicial.
Relativamente ao grau da pena aplicada ao cliente (perdão, à cliente), por ter levantado todo o dinheiro, é considerada, praticamente, uma pena com grau muito elevado, pelo que deverá perder a esperança de obter algum retorno proveniente de depósitos futuros, de qualquer outra entidade bancária, convidativo à sua manutenção.
Em face destas perspectivas, nada animadoras, o procurador do MP sugeriu que a senhora passasse, doravante, a guardar o dinheiro debaixo do colchão. A talhe de foice: acho que também vou levantar o meu discreto pé-de-meia do banco, dado que o onzenário ainda me obriga a pagar comissão sobre o "empréstimo" que lhe faço...

26.04.20

DIÁRIO DE UM AMNÉSICO


João Brito

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Creio já ter escrito, algures (mas onde, Santo Deus?!), um artigo acerca do tema em epígrafe. Por isso, queiram perdoar a minha insistência na abordagem do assunto.

3 de Janeiro de 2014:
Acordei mal disposto na cama: os pés estavam sobre a almofada, a cabeça jazia sobre o tapete e só o corpo se mantinha, embora vacilante, sobre o leito. Ergui-me a custo, apoiando-me numa peça móvel, que julgo ser de mobília, cujo nome não recordo, mas é, aparentemente, uma espécie de tábua quadrada, almofadada, com quatro pernas e, perpendicular a ela, tem fixado algo parecido com um espaldar.
Ao longo dos últimos dias, tenho matutado sobre a utilidade desta coisa, mas ainda não cheguei a qualquer resultado. Quanto ao outro objecto, não muito diferente do anterior, se bem que redondo, colocado numa divisão contígua, coberta de azulejos até ao tecto, acho que já descobri a sua utilidade. Depois de várias tentativas e alguns enjoos (o assento anda à roda) consegui pará-lo e sentar-me nele. Descobri que o conforto era quase total. Pelo menos, fiquei bastante aliviado. Atribuí-lhe o nome de sanita, embora sem certeza.
Uma vez por outra, tenho lampejos de memória e saltam-me as ideias como torrentes de lava, dado que fico com a cabeça a escaldar. No entanto, a esperança é a última a morrer e, por conseguinte, um dia destes, hei-de recuperar a memória na totalidade. Assim, Deus permita e me dê alento para lutar contra esta adversidade.
Apesar da provação por que estou a passar, paradoxalmente, vou descobrindo este estranho, mas maravilhoso mundo dos objectos que me rodeiam. Isto é a prova, mais que provada, de que estou no bom caminho.

6 de Outubro de 2014:
A ideia de escrever um diário foi boa, não acham? É que, assim, vou registando regularmente a evolução do meu regresso, quando mais não seja, à memória de grilo; se bem que o ideal seria mesmo a memória de elefante, mas mais vale ter um grilo na mão do que dois elefantes a voar, como se costuma dizer. Nem sei se é o termo mais apropriado para o caso, mas adiante:
Hoje, por exemplo, vi onde fica o umbigo. Tenho quase a certeza de que é o umbigo. Foi assim: Na tal sala azulejada, onde existe a já descrita sanita, por suposição, na qual me sento uma ou várias vezes ao dia, consoante a vontade, entre outros objectos que ainda não descobri para que servem, há uma espécie de tina côncava de formato ovalado com duas peças metálicas, paralelas, inseridas numa borda. Cada uma possui dois manípulos móveis que rodam para ambos os lados, sendo que, ao rodá-los para o lado esquerdo, brotam água com maior ou menor fluxo, dependendo da maior ou menor abertura dos manípulos. Fiquei deslumbrado com a descoberta e, ao mesmo tempo, intrigado, pois não sei para que efeito servem.
Porém, depois de as abrir e fechar várias vezes, cheguei à conclusão de que servem para lavar as mãos. Ora, se servem para lavar as mãos também servem para lavar a cara, como, com toda a lógica, inferi sem pestanejar. Fiquei de tal modo maravilhado com a descoberta que não me cansei de lavar a cara para aí umas duzentas e tal vezes, mais coisa menos coisa. Foi uma lavagem de tal modo intensa que as mãos ficaram engelhadas e a cara mudou de branca para roxa. Porém, não me canso de pensar que estou a melhorar a olhos vistos.
Assim, esta tina côncava só pode ser um bidé porque consigo ver-me reflectido numa superfície polida, imediatamente acima. Foi desta maneira que descobri o umbigo, mesmo debaixo do meu nariz. Só não sei, ainda ao certo, para que serve, além de mastigar e produzir saliva, mas vamos por partes.

24 de Março de 2015:
Hoje, reparei, por mero acaso, que a água não sai apenas daqueles dispositivos metálicos presos ao bidé e explico: Fui acordado por um barulho intenso e dirigi-me, com alguma apreensão, à abertura que existe numa das paredes do edifício onde acho que moro, a qual dá para o exterior. Lá fora, constatei que chovia a cântaros, mas, curiosamente, a chuva não era proveniente dos mesmos, e vinha acompanhada pela atroada que referi, carregada de luminosidade dispersa dentro de uns flocos parecidos com o algodão, mas, ao contrário da alvura do algodão, estes eram muito escuros e densos. Não obstante o som ensurdecedor, achei a experiência linda e até lavei a cara, para aí, umas trezentas vezes. Curiosamente, pareceu-me ser mais eficaz do que as simples lavagens a que já me acostumei e aproveitei para me lavar todo, inclusive as ceroulas que trazia no corpo, algo que não fazia, ia para muitos meses. Pelo menos, serviu, temporariamente, para acabar com o mau cheiro persistente que me tem andado a seguir para todo o lado.

28 de Fevereiro de 2016:
Afinal, sofri a minha primeira grande desilusão ao constatar que a peça onde me costumo sentar não é uma sanita. De manhãzinha, quando me sentei à pressa em cima do tampo rotativo para me aliviar, descobri, subitamente, que aquilo é um descanso, pois, após a satisfação da necessidade, senti-me em paz e sossego. Bom, se calhar até estou a exagerar um bocadinho ao chamar grande desilusão à minha constatação. O termo sanita é que não estava correcto, foi só isso.
Olhem, agora é que baralhei tudo e já não sei como se chama a tina côncava. Todavia, tenho uma teoria de que o nome correcto daquilo seja um bacio.
Com esta estória tão emaranhada, ainda me passo, ponho os pés à parede e faço em pé. Curiosamente, outro dia pus-me a mirar um bicho peludo a fazê-lo, com a língua de fora e ar muito satisfeito. Ora, se ele ficou satisfeito, acho que também devo ficar, não obstante apreciar muito o descanso. Entretanto, não arredo pé, pois já ando a meter os pés pelas mãos. Nestas cenas, por vezes, precisamos de ter os pés bem assentes no chão.

4 de Agosto de 2016:
Há algum tempo que não cai água para me lavar dos pés à cabeça. Porém, enquanto houver no bacio, posso lavar, pelo menos, a cara as vezes que me apetecer. Também descobri, assim de repente, que o lavatório serve para fazer chichi. Ora, se serve para fazer chichi, é natural que também sirva para fazer cocó. O chato, no meio destes sucessos, são os retrocessos porque, agora, não sei para que serve o descanso.
O mau cheiro incomoda-me menos. Presumo que o meu nariz parece ter-se acostumado.
Entretanto, apesar dos avanços e recuos, fiz novas descobertas que me deixaram mais esperançado em relação ao futuro: Numa divisão que penso que seja uma cozinha, existem duas caixas metálicas com aberturas circulares no meio, ambas com tampas: uma em plástico transparente e outra em plástico opaco. Com efeito, ainda não descobri ao certo para que servem, mas estou cá desconfiado que sejam cabine de duche e secador de cabelo, respectivamente. Isto porque uma delas enche-se de água e às vezes roda a uma velocidade vertiginosa. Tentei meter-me dentro da que suponho ser a cabine de duche, mas ficava muito apertado devido à minha estatura. Contudo, acho que, com o tempo, acabarei por conseguir; é como tudo. Experimentei meter a cabeça na que julgo ser um secador e ia ficando com um torcicolo. Já para não dizer do calor intenso que brota do seu interior. Julgo que deve estar avariada. Ele, há coisas que ainda não consigo entender, apesar da minha enorme força de vontade de aprender.
Com muita perseverança e com a ajuda de Deus vou recuperando a memória aos poucos, vocês vão ver!"

20.04.20

VAI CHATEAR O CAMÕES


João Brito

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A sua origem (a da frase e não a do vulgarismo, pois, este último perde-se na poeira do tempo) remonta ao século XVI, pouco antes da morte de Luís Vaz de Camões que, como se sabe, morreu nas masmorras do Castelo de São Jorge. É verdade; também me custou a acreditar!
O ano da morte do poeta é incerto, dado que existem duas versões: uma assegura que foi em dez de Junho de 1579 e a outra jura a pés juntos que foi em 11 de Julho de 1580. Gerou-se aqui um grande debate que se tem perpetuado ao longo do tempo e que, naturalmente, nos causa alguma perplexidade, sendo que o caso não é para menos, como é fácil de depreender.
Sabe-se, isso sim, que Camões expirou o último suspiro numa enxovia do castelo, doente, abandonado pelos amigos, desgostoso com o desaparecimento do Rei Dom Sebastião em Alcácer-Quibir e, sobretudo, com a traição da fidalguia à Pátria por não ter oferecido resistência à ocupação castelhana. Mas isso dava outra estória e, desculpem lá, mas desta vez não posso divagar senão esqueço-me do que vem a seguir. Adiante:
Conta-se que os carcereiros achavam muita piada às declamações poéticas do nosso "Homero", nomeadamente à exaltação e veemência que imprimia às suas récitas.
Os patetas escarneciam daquele velho decrépito(*) e zarolho que ousara escrever um poema épico que ninguém entendia. Com efeito, a malta era muito atrasadinha; já nesses tempos, louvado seja Deus!
A profissão de carcereiro também não exigia esforço intelectual, é preciso dizê-lo. Contudo, era muito chata e nem todos tinham estômago para abraçar a carreira. Por conseguinte, só os tolos é que aceitavam aquele trabalho.
Luís Vaz era, à altura, o único residente nas masmorras do Castelo de São Jorge. Com tanto bandido à solta, não se compreendia porque é que aquilo estava às moscas. Todavia, prometo explicar a razão de tal fenómeno lá mais para a frente se não me esquecer.
Até os guardas andavam às moscas, não sabendo como ocupar o tempo. Assim, antes que ficassem com a mosca, bebiam zurrapa, jogavam à lerpa, à vermelhinha, ao montinho, à bisca delambida, contavam anedotas do Cavaco, falavam de putas e pouco mais; ser carcereiro era um grande enfado; e quando o aborrecimento se tornava insuportável e já torravam a paciência uns aos outros, havia sempre um parvo que dizia para outro: «Olha, vai chatear o Camões!»
E assim se entretinham, quando não havia mais nada para fazer ou conversar, maltratando o desgraçado das maneiras mais torpes, inclusive roubando-lhe a pala que usava sobre a região ocular, onde outrora existia um olho que havia perdido num jogo de Poker, no Grand Lisboa Casino. Daí ainda ser usual, em Macau, dizer-se que "Camões perdeu o olho por dez patacas".
A título de curiosidade, as patacas eram moedas que cresciam numa árvore.
Gozavam, também, com um colar de louros, já muito ressequido, que ainda conservava religiosamente, mercê de um doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Coimbra, fruto da sua dedicação fervorosa às praxes académicas e a outras notáveis participações.
Conta-se que o catre de Luís Vaz era um antro cheio de tudo quanto possamos imaginar, digno de um cenário lúgubre, repleto de imundície e putrescência.
Por muito inverosímil que se vos afigure tal ambiente, também não o deveis rejeitar totalmente porque algumas das coisas que aqui vos relato devem ter sido verdadeiras. Mas, prosseguindo:
Fica-se sem saber, ao certo, se o nosso maior Poeta sofreu grandes tormentos com as vilezas dos insanos carcereiros; os indícios levam a crer que sim, embora com reservas. O que se sabe, com exactidão, é que ele ficava pior que uma barata quando o obrigavam a dividir as orações do canto V dos Lusíadas. Esse, para ele, era, literalmente, o seu Oceanus Procellarum (segundo o tradutor do Google que eu, de latim, pesco zero)!
Para rematar isto com alguma concisão histórica e, por conseguinte, com alguma (não muita) seriedade, dizer que Camões se aguentou nas canetas até ir-se abaixo das ditas, com Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal) a instalar-se, de pedra e cal, no paço.
Mas, importante para a compreensão da alma e da obra do poeta e perpetuar a sua memória, é que foi devido à sua condição de prisioneiro que nasceu a tal frase que se tornou muito comum no quotidiano dos portugueses e, como o saber não ocupa lugar, aqui fica mais uma contribuição pessoal, sem fins lucrativos, para a divulgação da nossa história que anda tão desarraigada dos nossos conhecimentos.
(*) 56 anos era considerada uma idade muito avançada para a época.

19.04.20

PÔR AS BARBAS DE MOLHO


João Brito

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Peço desculpa, mas tinha de regressar a um assunto sobre o qual me apraz muito escrever: isso mesmo, história de Portugal. Como é que adivinharam?! Então, vamos lá:
Julga-se que o termo em epígrafe data do interregno e parece ter sido criado nesse lapso de tempo em que Portugal era palco de anarquia e guerra.
Pensa-se, embora sem certeza (por isso é que se pensa), que o autor desta frase coloquial foi o moço de câmara de Dom João das Regras. Sim, não estou equivocado. Efectivamente, João das Regras era um senhor com regras, não obstante as regras serem tabu no seu tempo ou período, conforme queiram interpretar.
Portanto, é um dito que já tem barbas e que não tem nada a ver com dar água pela barba, entenda-se. Isto, apesar de saber-se que João das Regras tinha a barba rija.
Todavia, este tema só foi debatido, alguns séculos mais tarde, por Segismundo Freud e seus pares e presume-se que terá sido um debate muito freudulento. Porém, será tema para uma outra história, se não me levarem a mal.
Também se diz que Dom João das Regras foi uma personagem determinante nesse período. Determinante não se sabe muito bem em que sentido, a não ser o facto provado, comprovado e consumado de ter sido muito amigo do mestre de Avis que não sei a que propósito o introduzi aqui.
Sem ele uma coisa era certa: ainda teríamos muitas naus catrinetas na pesca do bacalhau e do carapau.
Durante 1383 e 1385, isto já lá vão uma porrada de séculos, João das Regras - que usava uma barba farta e rija, como já tinha sublinhado - trabalhou muito para preservar a unidade nacional. Tinha noites em que se esquecia de ir para a cama, não cumprindo, assim, as suas obrigações conjugais, o que, à luz da percepção actual, devia ser algo muito chato para a sua esposa. Porém, e segundo as crónicas de antanho, a senhora aparentava não se importar com o jejum do esposo. Vá-se lá saber porquê...
Quando tinha aquelas crises lixadas de demência galopante, ausentava-se bastante da realidade social que assolava o país, refugiando-se atrás dos muros da residência. Para além disso esquecia-se, com uma facilidade confrangedora, das promessas que era seu hábito fazer aos que o rodeavam e era muito distraído. Pensa-se que estas crises eram devidas a algum esgotamento nervoso por via da indisciplina dos seus alunos, já existente nesses tempos (imagine-se!). Contudo, nada ficou provado, até ao momento em que vos escrevo esta estória, acerca da sua fidedignidade.
Temos, isso sim, exemplos, ainda não muito distantes, que mostram que João das Regras não foi o único que teve apagões. Séculos depois dele, houve notáveis que tiveram essa perda temporária de memória, nomeadamente figuras incontornáveis como "Paulinho das feiras" com a sua "decisão irrevogável" ou Passos "Pinóquio" que prometia pela alminha da mãe dele que não aumentava os impostos nem metia a mão nas pensões dos "velhinhos". Só para citar estes dois espécimes. Houve muitos e tantos outros haverá. Quase cinquenta anos de promessas falsas de políticos tachistas...
E vou concluir isto às três pancadas porque fugiu-me a "caneta" para a política caseira e não era esse o meu propósito. Além de que a coisa não está a fluir como eu quero e aproxima-se a hora do almoço, adiante:
João das Regras, certa noitinha, enquanto comia com cautelas um caldo de galinha a escaldar, tão absorto estava nos seus pensamentos que as barbas mergulharam profundamente na canja. Este episódio trivial, mas muito importante para a compreensão da nossa História não passou despercebido ao seu camareiro que, sempre que o fidalgo conferenciava com os seus botões, parecendo não estar neste mundo, comentava entre dentes: Olha, pôs as barbas de molho, coitado!
E pronto; enquanto os senhores e as senhoras cientistas não inventarem uma "vácina", protejam-se do estupor e tentem ser felizes!

17.04.20

"FAKE NEWS" OU, SE QUISEREM, COM MUITA RESERVA


João Brito

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Correndo o sério risco de estar a publicar "fake news" - hoje em dia, estão na moda - , decidi também contar uma, esta por minha conta:
Começam a circular rumores sobre alterações às regras de algumas modalidades desportivas no pós-covid-19. Quiçá, no sentido de as tornar mais apelativas para as massas, nomeadamente para a massa mãe e para o pai também, sem esquecer as massas velhas e as massinhas tenras.
Alguém disse um dia que não há nada mais precioso no mundo do que as massas velhas e as massinhas tenras e não posso estar menos de acordo.
Bom, mas a eventualidade destas medidas poderá ter a ver com a previsão de que, lamentavelmente, os pavilhões gimnodesportivos e os estádios vão ficar vazios porque a malta, mesmo depois do vírus "assentar", não vai arriscar.
De outro modo, seria uma maneira de simplificar alguns preceitos e, por conseguinte, agilizar o trabalho dos árbitros, tornando-o, também, mais seguro.
Assim, à semelhança, por exemplo, das resoluções que se pensa que poderão vir a ser tomadas pelo Comité Internacional de Hóquei em Patins (CIRH), a Federação Internacional de Basquetebol (FIBA)  também poderá vir a aprovar regras que permitam o toque de bola nos patins dentro do garrafão desde que seja empalhado e contenha palhete. Não será permitido o toque em garrafões com revestimento plástico. O ambiente agradece.
Também, a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) parece estar em vias de introduzir o castigo máximo nas regras do jogo. Já utilizado com êxito noutras modalidades, o penálti seria, experimentalmente, indirecto no voleibol.
Para os lados da Federação Internacional de Xadrez (FIDE), pensa-se também que, a breve trecho, venha a ser aprovada a marcação de golos de cabeça na modalidade, dado que é um jogo muito cerebral. No entanto, ainda é prematuro dar cabo da cabeça com conjecturas sem pés nem cabeça.
Por seu lado, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) pensa promover, a médio prazo, a implementação do tradicional jogo de matraquilhos como desporto profissional, visto que a concorrência desleal das tecnologias de informação não poupa meios para fazer "reset" a estas memórias da nossa juventude. A FPF poderá, portanto, tentar, atrair praticantes para esta actividade tão antiga e salutar. O Benfica, o Sporting e o Porto já demonstraram interesse em aderir a esta feliz iniciativa da FPF que, por enquanto, não passa de uma ideia fixa.
Vamos esperar que outros clubes se lhes juntem e tenha pernas para andar, mas sem passarem a perna uns aos outros porque isso é muito feio no desporto, meus senhores!
Por seu turno (não confundir com "por Saturno") o lançamento (ou arremesso) do peso poderá vir a ser levado a efeito, utilizando a técnica do piparote, o que requer robustez, destreza e alguma hipertrofia das extremidades dos membros superiores.
Relativamente à pesca desportiva, pensa-se também que deverá incluir na sua lista de iscas oficiais, não só as iscas com elas, mas também outros engodos como os tradicionais couratos e pezinhos de coentrada. Simultaneamente, os concorrentes vão petiscando durante a competição e não adormecem. A menos que o vinho seja uma pomada.
Esperemos, então, para ver. Eu já estou sentado e "c'uma ganda sonêra". O almoço foi pesadote...

13.04.20

AURÉLIA


João Brito

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Aurélia era bela, tal qual uma aguarela. Aurélia tinha uma anca graciosa e uma coxa bonita a fazer lembrar uma coxa-de-dama, para não dizer uma coxa-de-freira. Também tinha uma perna longa bem torneada e um pé de lótus. Porém, o seio  era o que despertava todos os sentidos que, como se sabe são cinco: visão, audição, tacto, olfacto e paladar. Houve alguém, não sei quem, que se lembrou de um sexto, mas isso é outro filme.
Seio cheio, embora não demasiado, tampouco desproporcionado, podia-se tomar, não a peito, mas como um seio farto. Aliás, igualzinho ao que tivera a sua mãe, a sua avó e, pasmem-se (também fiquei boquiaberto), o seu bisavô!
O seio da bela Aurélia era, indubitavelmente, o seio da família. Contemplá-lo era um consolo para os olhos e um lenimento para as dores d'alma; era como estar no seio de Deus.
É claro que Aurélia tinha tudo no seu lugar e aos pares, mas se escrevesse, por exemplo, que tinha dois seios, esta estória perderia toda a graça. Assim, ainda vale meia-graça e viva o velho! 
Mas, continuemos, senão varre-se-me todo este turbilhão de ideias que, qual riacho de águas agitadas, me atravessa o pensamento:
Aurélia herdara também o hábito espontâneo de ter o coração ao pé da boca ainda que, às vezes, falasse com ele nas mãos. Contudo, não tinha pêlos no coração. Honra lhe seja feita.
Também lhe sobrava aquela inevitável tendência impulsiva para dizer tudo à boca cheia. É claro que andava sempre com o credo na boca, como não podia deixar de ser! Depois, admirava-se de andar nas bocas do mundo! Pela boca morre o peixe; é o que é e sempre foi!
No entanto, à noite recolhia-se pela calada; ninguém dava pela sua ausência. Era raro escutar-se-lhe uma palavra, um murmúrio sequer; quando muito, um suave ressono. Até lhe chamavam, por brincadeira, a calada da noite, predicado que estava associado ao acto de dormir. Realmente, Aurélia, dormia.
Lânguida e insinuante, tinha o delicioso hábito de se sentar numa chaise-longue (a "chaise-longue" fica bem aqui; dá um ar mais chique à descrição) com uma perna às costas. Além disso, tinha outra perna porque, graças a Deus, Aurélia tinha um par de pernas. Todavia, não era um par de pernas qualquer: com efeito, era um par de pernas pernilongas, digamos assim. Demais a mais, eram duas pernas de se lhes tirar o chapéu ou até de chapéu na mão.
Aurélia sempre fora mulher de furtar o corpo ao que quer que fosse. Não era pessoa para dar o corpo ao manifesto, isso não! Pelo menos de corpo e alma!
Penso que o caso dela não era virgem, caso contrário seria um caso sério, mas, ainda assim, um caso casto. Em todo o caso não foi um caso fortuito, muito antes, pelo contrário! Às vezes são coisas que não vêm ao caso, acontecendo por acaso. 
Aurélia tinha, também, uma língua de prata e comprida. Além disso era muito viperina (a língua de Aurélia); e para dar à língua, não havia ninguém que se lhe igualasse. Uma coisa é certa: fosse em que circunstância fosse, Aurélia não tinha papas na língua. 
Por último, quando se tratava de puxar pela língua de alguém, ninguém melhor do que ela para levar, fosse quem fosse, a revelar o que desejasse saber.
Também sabia tudo na ponta da língua, faculdade admirável, numa mulher como Aurélia. E era certo que tinha sempre alguma coisa debaixo da língua para sustentar uma conversa. Criatura fantástica!

03.04.20

ATAQUE DE CASPA


João Brito

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Alguém disse, e muito bem, que a contrafacção é um modo de vida, uma forma de estar e um estado de espírito muito português; uma coisa assim a modos como o fado ou algo para o qual estamos predestinados, mesmo antes de soltarmos o primeiro vagido. É claro que o fenómeno não é exclusivo de Portugal, mas, olhem, por exemplo: é como a saudade.
Também há quem diga que a saudade não tem tradução noutras línguas e que, por isso, só os portugueses é que a sentem de um modo especial e eu, muito sinceramente, acredito que é verdade!
Outro grande fadista de outrora também já dissera "erros meus, má fortuna, amor ardente" e, assim como assim, acho que é esta nossa aptidão nata para o género trágico, sei lá.
Porém, até então, ninguém se dispusera a dissecar o fenómeno com o bisturi exacto do cirurgião que opera um peito aberto ou com a perícia com que o talhante retalha uma rês.
No fundo, o objectivo desta minha incursão na contrafacção, foi uma tentativa para escalpelizar algo que pode vir a ser objecto de uma análise mais profunda e exaustiva por parte de quem de direito (ou de esquerdo, tanto faz). Perdoem-me se não fui mais longe, mas estas coisas não se compadecem com imponderabilidades; é a vida.
Os americanos genuínos, nomeadamente (ou exclusivamente) os "peles vermelhas", chamar-lhe-iam escalpar: um hábito cultural para o qual tinham muito jeito. Bom, mas naqueles tempos remotos a contrafacção não era um fenómeno tão preocupante como é actualmente. Nem de longe, nem de perto. Simplesmente, nem.
Depois desta pequena introdução, o leitor mais perspicaz já terá reparado que o artigo é, indubitavelmente, dedicado à imitação fraudulenta e a outras actividades económicas consideradas menos lícitas ou mesmo ilícitas, digamos assim. No concernente ao assunto em epígrafe, fiz questão de me atirar de cabeça e mergulhar nas águas turvas do crime organizado que, como devem calcular, é um polvo com mil tentáculos, mais tentáculo, menos tentáculo.
Também houve alguém, não sei quem, que disse um dia uma frase que ficou célebre: "Para quê remexer no que já foi mexido repetidas vezes sem sucesso?" O aforismo, se assim se lhe pode chamar, encerra quase que um dever moral de todas as pessoas de bons princípios (não quer dizer que não enveredem por caminhos tortuosos que as levem a maus fins) no sentido de não se cavar muito fundo; só um buraquinho ligeiro que dê para meter o dedo mindinho.
Bom, mas isto foi um aparte que, por sinal, até está fora do contexto desta estória; prossigamos dentro do propósito.
É do conhecimento geral que se contrafaz quase tudo: bacalhau seco e demolhado; relógios e canivetes suíços; chocolate; bebidas espirituosas e espirituais (estas últimas utilizadas no santo sacramento); discos compactos; camisas de Vénus e La Costa (não confundir com o senhor Costa); perfumes low cost baratos (ou eles não fossem low cost); "smartphones" de 10 polegadas made in PRC; políticos made in Portugal, et cetera; o rol é extenso para caber neste artigo singelo.
Ora, o que nunca pensei era que fosse possível fazer contrafacção de caspa! É verdade, leram bem - de caspa! Nunca vi coisa assim, nem quando o rei fazia anos! Daí que me propus investigar o fenómeno por conta e risco próprios.
Por conseguinte, enchi-me de coragem e entranhei-me no busílis da questão que é, claro está, a contrafacção de caspa, algo que testemunhei com estes óculos que, não obstante estarem a precisar de um "upgrade" de dioptrias, ainda conseguem distinguir entre o que é verdadeiro e o que é falso. E é aqui que a "chitarra suona piu piano" como cantava aquele célebre cantor lírico, do antigo anúncio da pescada. E porquê? - Devem perguntar vocês com toda a legitimidade. E eu respondo com toda a pertinência: porque me disseram que é um produto importado directamente aos países produtores de caspa, banhados pelo Mar Cáspio e, mais grave, sem contrapartidas. E para quê? - Presumo que também estejam interessados em saber. Mais a mais, tendo-a cá com qualidade tão duvidosa como a que é produzida nesses países! É o nosso ancestral capricho de julgar que o que é nosso não presta tão ou mais satisfatoriamente do que aquilo que vem de fora.
Assim, habituado que estou ao submundo perigoso dos valdevinos casposos, foi por veredas e travessas que me aventurei em busca da verdade escondida. Afinal, por muito inverosímil que nos pareça, "the true is out there", como dizia o agente Fox Mulder.
Aqueles homens que me confiaram o terrível segredo, os quais quis manter no anonimato para proteger a sua privacidade, de seus nomes, Iliev Fedorofsky kasparov e Akbar Kaspolin Salamalek, respectivamente, está de caras, explicaram-me, tintim por tintim, que a caspa contrafeita era trazida à socapa para ser vendida a uma firma muito conhecida que, por sua vez, a exportava furtivamente para países onde a predominância da caspa era escassa por via da carência de pilosidade craniana nas suas populações. Todavia, um acontecimento imprevisto e simultaneamente trágico, não me permitiu levar a investigação até ao fim, conforme o objectivo que me propus atingir, porque tanto um como outro acabaram por ser encontrados mortos numa valeta em La Valetta, ao que tudo indica, vitimados por um ataque de caspa de origem desconhecida.
Prometo voltar ao assunto, lá mais para a frente, se não morrer, entretanto, não com um ataque de caspa, mas com o estupor do "coronavírus". Até porque o assunto é digno de um "thriller" que se debruce seriamente sobre a temática, sempre presente, da teoria da conspiração, não vos parece?
José Inocêncio da Silva, investigador contrafeito e por contra própria.

01.04.20

O TEMPO


João Brito

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Estou cá a idear em como seria bom o tempo parar antes do tempo em que o tempo tudo mudou.
Dizem os entendidos que isto acontece de tempos a tempos; que já aconteceu na noite dos tempos. Está escrito nos livros antigos que o tempo preservou.
Não podemos, então, desejar que isto passe em dois tempos; em tempo se resolverá.
Demos tempo ao tempo porque, a seu tempo, sorriremos de novo.
Entretanto, matemos o tempo a pensar sobre a melhor forma de amansar esta inquietude; feita disto e demais contratempos.