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NO TEMPO DA OUTRA SENHORA

por João Brito, em 01.05.22

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Havia gente que era presa, torturada e morta pela PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) por contestar o regime; havia gente cuja miséria era tão desesperante que a obrigava a ir a salto para a França; havia gente que vivia em barracas nas periferias das grandes cidades; havia uma guerra ultramarina com três frentes: Angola, Moçambique e Guiné. Um esforço de guerra que aumentava a nossa pobreza e nos distanciava dos elevados padrões de crescimento dos países europeus mais desenvolvidos. Uma guerra que obrigava ao sacrifício de milhares de jovens, nomeadamente dos provenientes das zonas rurais, cujas famílias, para subsistirem, dependiam do seu amparo; havia o exílio, forçado ou voluntário, de figuras públicas contrárias ao regime e, não raras vezes, o seu assassinato; havia as prisões políticas e os algozes do sistema; havia a Mocidade Portuguesa e a Legião Portuguesa, organizações paramilitares de integração ideológica; havia a censura prévia e a proibição de manifestações na via pública; havia a arregimentação de milhares de pessoas para virem periodicamente a Lisboa, à Praça do Comércio, louvar o Salazar; havia a repressão policial sobre os movimentos de contestação estudantil e do operariado; havia uma Igreja que pactuava com a ditadura; havia um bispo, o do Porto, que era a excepção à regra e foi obrigado a exilar-se; havia o General Humberto Delgado que um dia, respondendo a uma pergunta, foi imprevidente afirmando que se fosse eleito Presidente da República, "obviamente", demitia o tirano, sendo morto na fronteira pelos seus verdugos; havia uma cadeira da qual o iníquo caiu e feneceu; havia uma certa "Primavera Marcelista", mas foi sol de pouca dura; havia a necessidade premente de acabar com a "Guerra do Ultramar"; havia a vontade popular de se juntar aos militares revolucionários naquele memorável dia; havia muito para fazer há quarenta e oito anos; havia...

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ONDE É QUE VOCÊ ESTAVA, NO 25 DE ABRIL?

por João Brito, em 25.04.22

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A propósito desta pergunta que se converteu num ícone da imagem do jornalista e escritor Baptista Bastos (1934 - 2017) e recorrente em conversas e leituras de carácter biográfico, apraz-me tornar ao assunto do 25 de Abril. Um tema melindroso para muita gente, certamente, mas sem esse acontecimento memorável e relevante para a história da nossa – ainda jovem – democracia, não seríamos a nação livre que somos hoje, malgrado os defeitos que lhe são atribuídos (à jovem democracia).
Não há sociedades perfeitas, se bem que hajam umas mais perfeitas do que outras, por muito incoerente que esta afirmação possa parecer...
Não obstante persistirem alguns ressentimentos (alguns será favor...), julgo que é saudável trazer à memória factos que nos enchem de orgulho, embora reconheça – insisto – que não é uma ideia consensual. Isto porque ainda há gente que pensa que no tempo da "outra senhora" é que era porreiro; o respeitinho era muito bonito e andava tudo a toque de caixa.
Apesar de ser um reflexo da nossa falta de cultura democrática (e não só), não é literalmente condenável: os políticos que têm tomado conta dos nossos destinos há quase meio século, têm contribuído de alguma forma para esse juízo. Isto, segundo o meu ponto de vista que até admito que seja um bocadinho desconforme.
Quase cinco décadas após o 25 de Abril, ainda há muitas feridas por sarar, nomeadamente as relacionadas com o processo de descolonização que, como é consabido, foi muito precipitado. Se calhar não podia ter sido diferente, dadas as circunstâncias históricas nimiamente explicadas. Contudo, isso teve um preço bastante elevado que foi o retorno apressado de muita gente "com uma mão à frente e outra atrás"...
Todavia, correndo o risco de estar errado e, por conseguinte, a minha opinião ser muito discutível, penso que foi um efeito inevitável da "revolução"...
Porém, como disse, não podemos, simplesmente, varrer esta data da nossa memória, como pretendem algumas alas mais "conservadoras" cá do burgo...
Logo, apeteceu-me contribuir, uma vez mais, para que este dia permaneça perene na lembrança daqueles e daquelas que valorizam o preço da liberdade. Assim, resolvi rescrever um artigo, com alguns anos, acerca dessa fantástica e exclusiva data para as gerações que a testemunharam, particularmente a minha que, na altura da "Revolução de Abril", combatia nos territórios ultramarinos...
Lembro-me perfeitamente – como se fosse hoje – de ter experimentado um sentimento novo: uma mistura de expectativa e alguma apreensão. Expectativa porque, acabado de regressar (provisoriamente?) de uma das mais ferozes frentes de guerra, senão a mais feroz, e tendo consciência de que não estava livre de volver ao mesmo lugar ou a outros, assim que começaram a surgir os primeiros relatos radiofónicos de um movimento militar, uma das minhas primeiras reacções, pelo menos a imediata, foi a de pensar que não ia voltar ao "ultramar". É uma reflexão que guardo com muita intensidade porque, para um puto com vinte anos, uma comissão militar em África não era a mesma coisa que participar num safári. Mas só cheguei a essa conclusão pouco depois de lá estar, pois, antes de abalar, julgava que ia à aventura para aquela África que via nos filmes em que o Johnny Weissmuller fazia de Tarzan.
Apreensão porque não sabia qual era o objectivo desse movimento – embora tivesse uma noção vaga de que era preciso dar outro rumo a isto – e não porque emergisse subitamente da minha razão algum tipo de consciência política ao ponto de julgar o regime que estavam a tentar derrubar, como o mau da fita. Longe de mim estar tão bem esclarecido como aqueles e aquelas que pagaram bem caro o seu combate à ditadura que dominava em Portugal.
Além dessa expectativa e alguma inquietação, tinha o conhecimento exacto de que o teatro de guerra donde acabara de regressar, a Guiné, estava de feição para o "inimigo" e, como tal, se o conflito prosseguisse, o desfecho ia ser ainda mais trágico para o nosso lado do que tinha vindo a ser até ali...
Lembro-me perfeitamente – como se fosse hoje – que antes de frequentar um curso militar na base aérea da Ota, para o qual havia sido convocado, fui colocado noutra base, a do Montijo, integrado em manobras militares no âmbito da OTAN.
No intervalo de um turno de trabalho nocturno, aproveitado para esticar o corpo em cima de uma tarimba, entre o dormitar e algum estado de sobreaviso – próprio de quem em tal estado (mesmo em simulacro) não deve adormecer profundamente – , senti um alvoroço vindo da área operacional que não distava muito do local onde eu descansava: um "Hammarlund" sintonizado no Rádio Clube Português, o emissor que a malta, por opção ou mero acaso, tinha no ar, difundia notícias contraditórias sobre um golpe militar que estava a decorrer em Lisboa. Não me apercebi imediatamente do que se tratava, até que o meu camarada Lopes me deu um safanão nas pernas para me instar a prestar mais atenção ao que estava a acontecer. "Será grave?" - pensei. Depois, com o raciocínio mais lesto e reforçado com um café quente e um cigarro, despertei da insensibilidade aos acontecimentos...
À medida que o tempo decorria e o dia ia clareando, a rádio continuava a transmitir marchas militares e música de intervenção, intercaladas com relatos exaustivos de última hora. Parecia que tinha caído o Carmo e a Trindade e, com efeito, o Carmo acabara de "cair"...
Passadas as indefinições iniciais, nos dias subsequentes, a situação parecia estar controlada pelas forças militares revoltosas. Tal suposição era baseada exclusivamente no que escutávamos e víamos na rádio e televisão porque ficámos retidos na unidade, não sei precisar durante quanto tempo. Certo é que ninguém entrava nem saía, por ordem do comando, talvez ainda indeciso em relação ao lado que pretendia apoiar. Penso, embora sem certeza, que essa ordem era extensiva à malta dos países que participavam no exercício e estava estacionada na base aérea.
Passado que foi o "período de ponderação" do comando da unidade, durante o qual as manobras militares foram mandadas às urtigas, tivemos ordem de soltura. Finalmente, chegara também para nós o dia tão esperado.
Lembro-me perfeitamente – como se fosse hoje – que atravessar o Tejo na lancha militar que me devolveu a Lisboa, foi algo fantasticamente incomum, relativamente à monotonia de outras travessias.
Talvez, sugestionado pelo momento particular, ao desembarcar, senti que pairava sobre as colinas da cidade um efeito de luz diferente, magnífico até, a que ao cheiro a maresia se juntavam outros indescritíveis elementos aromáticos. Penso nessa sensação agradável com alguma nostalgia, mas não muita. Os anos ajudaram-me a obter algum calejo emocional e a olhar para trás com uma visão menos romântica do maior acontecimento da nossa História, no meu tempo.
Mas – continuando – onde notei maior diferença foi nos semblantes e atitudes das pessoas com as quais me cruzei; acima de tudo, nos seus sorrisos abertos. Inclusive – algumas – pagavam com beijos, abraços e cravos a generosidade dos homens fardados que lhes tinham acabado de restituir a liberdade e a confiança. No fundo, também me senti participante nessa maravilhosa manifestação de exultação popular, mesmo tendo a noção de não ter sido actor e tampouco figurante no memorável acto libertador. Foi como se fossem os primeiros dias de todas as esperanças, com a particularidade sui generis e, quiçá, única no mundo, de os militares estarem ao lado de um povo.
A esta distância temporal, continuo convicto de que valeu a pena um punhado de capitães ter lutado (por obra do destino ou acaso e sem muita efusão de sangue), para mudar o nosso país.
Muito ficou por fazer, evidentemente, e ficamos com alguma mágoa ao constatar que, entre outras situações de injustiça – para usar um termo suave – , questões como a sustentabilidade e equidade sociais ainda são motivo para debates políticos muito acirrados entre forças partidárias contrárias, passados quase cinquenta anos de "democracia"...
Mas pronto, somos livres graças a Salgueiro Maia e a outros heróicos Capitães de Abril. O livre-arbítrio é uma prerrogativa que nos cabe desde então. Valha-nos isso...
 

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RITOS E CELEBRAÇÕES DO CAMINHAR

por João Brito, em 07.04.22

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Ando pelas ruas de Lisboa, é uma quente tarde de sexta-feira, as ruas estão quase despovoadas e as raras pessoas que caminham são pessoas possuídas por uma tristeza amável.
Dos velhos muito velhos, apenas dois velhos muito velhos estão sentados num banco de jardim. Não conversam: trespassam-se com o olhar, estão a ver para lá de tudo, para aquém de tudo.
Um cego avança pelo fio do passeio, junto do qual estão estacionados dezenas de automóveis, enquanto avança com todos os outros sentidos despertos. Surge um indivíduo aos gritos:
- Ó sua besta, então não vê o que anda a fazer?
O cego pára, cativo de uma angústia tão imensa como um desprezo ou como um ódio. Ergue a bengala e agita-a:
- Onde é que você está, seu malandro, para lhe partir a cabeça?
Estão nisto: no domínio de uma espécie particular de indignação - a dos agredidos, que, afinal, são ambos. Ando e penso: é como se estivesse perto de mortos, sem manifestar o mínimo interesse por eles.
Outrora, a cidade era mais confortável e menos hostil. As pessoas, mesmo sem se conhecer, cumprimentavam-se. Não era a celebração da cortesia, nada disso: era, sim, um aceno, um sinal de presença. Agora, as pessoas parecem assustados retirantes de todos os sítios, porque se não sentem bem em nenhum deles. Há nas pessoas uma forma confusa de não estar em parte alguma e o desejo obscuro de estar em todas as partes. Cegos. São cegos sem bengala mas igualmente desencontrados. Os tempos tornaram as pessoas assim. As maneiras de comunidade, que ultrapassavam, pela fertilidade e pela constância, toda a nossa capacidade de imaginação, foram inclementemente derruídas. Vê-se: há outra gente que não é nova de rejeitar, anular e excluir os outros. O sentido da consagração da vida foi substituído pela exaltação do êxito, da pressa, da aspereza. Há predicados e entendimentos que foram banidos das relações; por exemplo: o da solicitude. E eu gosto de solicitude, uma discreta expressão da malícia, do humor e, até, da dignidade. Não há teoria que explique esse banimento.
Vejam só isto: quantos carrinhos de bebé, empurrados pelos pais jovens, se vêem hoje nas cidades?
Eu sei, senhores, ah!, se sei!, quanto foi penosa a batalha que nos conduziu a um patamar de liberdade. Porém, não devíamos, penso que não devíamos, ter deixado que muito do que é essencial se perdesse - até uma fatia de afecto, até uma pequena ração de amor.
Ando pelas ruas de Lisboa, é uma quente tarde de sexta-feira, as ruas estão quase despovoadas e as raras pessoas que caminham são pessoas possuídas por uma tristeza amável. O casal de velhos olhou-se e sorriu com doçura. Ela pegou nas mãos dele e afagou-as lentamente, sem deixar de o olhar, sem deixar de sorrir.
Lá no fundo, impercetível quase, um ponto se move, alarga-se aos poucos, contorna-se-lhe agora o vulto, o vulto é um homem grisalho, um homem de muito mundo, de passo largo e pesado. Olho-o e sou eu. Olho-me e sou a imagem devolvida de uma ostensiva paixão. E, de repente, simplificado e livre, percebo que sou o sujeito de uma oferta e de uma procura. A oferta do amor e a procura de felicidade.
Desesperadamente, como o cego ou como os velhos. Desesperadamente, como todos nós.
Do livro: Lisboa Contada pelos Dedos - Crónicas de Baptista Bastos (Abril de 2001).

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A PRIMAVERA

por João Brito, em 21.03.22

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Não recordo que tenha publicado alguma coisa a propósito da Primavera, mas, se o fiz, agradeço, desde já, a vossa compreensão à qual já me acostumei ao longo dos extensos anos de existência deste excelente blogue (peço imensa desculpa pelo elevado grau de auto-estima, mas, se não for eu, quem é que enaltece o meu trabalho?), nomeadamente os silêncios que nunca são demais e, mais uma vez, muito obrigado pela infinita paciência que têm tido.(1)
Posto isto, passo, então, a descrevê-la, sem pontos, mas com uma profusão de vírgulas nunca dantes vista e tampouco imaginada (que me perdoe, Saramago, o infame sacrilégio) e, se não se importam, começo por dizer que, segundo o calendário Gregoriano, cujo significado já tive oportunidade de esmiuçar num artigo, algures, por aqui (?), costuma chegar por volta do dia 21 de Março e este ano não foi excepção, só para variar, graças a Deus e abençoada seja porque, não obstante chegar um bocadinho insípida, é sempre uma alegria recebê-la e, claro, com ela vêm as flores de mil cores, tons e múltiplas fragrâncias, os passarinhos que são os pardais, as passarinhas que são as andorinhas, o Sol(3), os prados verdejantes a perder de vista, a eterna Nastassja Kinski sem qualquer razão a não ser porque sim, o céu azul que às vezes é cinzento porque está encoberto e outras vezes chuvoso quando as nuvens ficam muito pesadas, dependendo tais variações climatéricas (vulgo humores) da disposição do manda-chuva do Céu ou, quiçá, do estado anímico de qualquer chefe de família que se preze de torcer pelo clube do seu coração, pois há quem se dê mal com as derrotas, mas também com os ovos (?!)  ou com a esposa (vá que não vá) quando se trata da sua equipa, uma vez que a lecitina (só agora é que percebi a analogia) não deve ser confundida com letícia que, sendo nome de mulher, também pode ser de boneca insuflável made in Taiwan que, segundo os seus apreciadores, tem algumas particularidades muito apelativas, entre as quais, dizem, parece destacar-se a boca grande (não confundir com a Manela Boca Guedes), tudo graças ao avanço tecnológico e ao progresso da tecnologia que vai dar ao mesmo porque são situações que se interpenetram e coadunam numa transposição metatética, ajustando-se simplesmente como se fossem peças de um puzzle chinês (fabricado na China), isto muito a propósito do caso daquele sujeito com tendências suicidas, apanhado várias vezes com a boca na botija por tentativa desesperada de pôr termo à vida a todo o gás, ademais, na primeira pessoa ou ele não fosse um suicidário militante desde a primeira hora, também isto, obviamente, só para sublinhar que nem todos temos estrutura mental para aguentar a puta da vida, dado que uns nascem em berços de ouro e outros em palhinhas o que é uma cena fodida como devem calcular e é preciso enfatizar que todos somos filhos de Deus e o sol quando nasce devia ser para todos e não vale a pena tapá-lo com uma peneira, dado que os seres humanos são uns seres errantes, daí São Jerónimo (não confundir com Jerónimo de Sousa) ter inventado a locução "errare humanum est" e, por via dessa frase infeliz, qualquer desgraçado erra, inclusive eu, mesmo que me vanglorie de ser barra em qualquer coisa como, por exemplo, cantar a "portuguesa" enquanto lavo as próteses dentárias com pasta medicinal Coito, à semelhança daquele famoso artista português que não precisava de palavras para nada, interrompendo (não confundir com coito interrompido) para comer azeitonas cordovil que são mais carnudas, suculentas e menos reimosas para o hemorroidal e beber simultaneamente um gin tónico com Alcaceltzer porque há gostos para tudo, sei lá, coisas que se podem fazer como não fazer ou até gargarejar com uma mistura de bicarbonato de sódio e meia de sulfato de zinco, juntando-se um ou dois pirolitros, bebendo-se "on the rock" e acompanhando-se ao piano com aquela terna balada romântica do Quim Barreiros, "Quero cheirar o teu bacalhau, Maria", sendo que é fundamental que todos nos sintamos bem na companhia efémera da querida Primavera porque, só mais querida e linda do que ela é a Nastassja Kinski (apesar de já estar com caruncho, mas isso até eu que também já fui lindo), pela qual tenho um devaneio porque sim, prontos, q'é que querem?(3)
A talhe de foice e sem martelo porque, para martelo, já bastaria martelar os cornos do cabrão do Putin, aqui fica uma curiosidade mórbida que até parece macabra, senão, vejam bem que uma equipa internacional de arqueólogos, por sinal, muito bem conceituada pelos seus pares, descobriu, há tempos, dez esqueletos de gente pré-histórica, em muito bom estado decomposição (é caso para admirar ao fim de milhares de anos) juntamente com uma dentadura que parece ter pertencido a um mamute. (3.1) Mais a mais, a dentadura revelou ter nascido na boca do dito no ano 3033 antes de Cristo, mais coisa, menos coisa, confidência que deixou os cientistas incrédulos e o caso não era para menos, de tal modo que desataram a rir com nervoso miudinho e é claro que ao observarem os dentes do extinto animal com mais atenção, não os pouparam (os dentes) a elogios, apesar de estarem muito cariados (naturalmente, digo eu), e assim não tiveram outro remédio senão datarem o achado com carbono 14 por causa das teimas! (3.2)
(1) Primeiro e exclusivo ponto final, parágrafo, mudança de linha.
(2) Os raios solares demoram cerca de oito minutos até chegarem à Terra que, por ser um planeta, não tem luz própria (para quem não sabe), mas também se consegue complementar a luz solar directa com a luz produzida pela EDP que, é preciso dizê-lo, é a mais cara da UE, tendo em conta os nossos salários e pensões terceiro-mundistas, mas, se assim não fosse, e justiça lhes seja feita, os chinocas não tinham investido na nossa reserva estratégica de electricidade em pó.
(3) e (3.1 e 3.2)) Peço desculpa pelos pontos de interrogação e exclamação que ainda são pontos até ver.

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A MARIONETA DE PUTIN

por João Brito, em 11.03.22

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O TROGLODITA

por João Brito, em 09.03.22

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Conclusão: o que importa, mesmo, é a gente continuar a comer coisas boas como cozido à portuguesa; feijoada à transmontana; grão de bico com mão de vaca; pezinhos de coentrada; pataniscas de bacalhau com arroz de tomate malandrinho; joaquinzinhos com arroz de grelos; arroz de cabidela; carne de porco à alentejana; lulinhas fritas à algarvia; iscas com elas; ensopado de cabrito; tripas à moda do Porto; bacalhau à Zé do Pipo; polvo à lagareiro; alheira de Mirandela; carne de porco à alentejana; ensopado de borrego; sopa de cação; sopas de beldroegas; migas; sardinhas assadas com pimentos; açorda à alentejana (peço desculpa por insistir na gastronomia do meu querido Alentejo) e que me perdoem os habitantes daquelas terras, certamente com fruitivos pratos típicos, das quais me esqueci. Se calhar, por ser pouco viajado e, por conseguinte, nunca ter provado o que de bom lá se come.
Mas o que interessa aqui, nomeadamente a quem preza religiosamente a sua saúde e quer sobreviver para além dos trinta e cinco anos de longevidade dos nossos antepassados de há milhares de anos, é comer à tripa forra até ficar com aquela maravilhosa sensação de enfarte.
Finalmente, bem empanturrada, a gente senta-se num sofá até que a moleza passe. Pode, inclusive, beber um bagacinho ou dois para acelerar o processo de metabolização.
Detesto solenemente pessoal que defende ideias parvas como a combinação de exercício físico com "uma dieta equilibrada e saudável"! Para quê?! O paradigma do troglodita é bem esclarecedor, valha-lhes Deus!
E como observação final, digo que devem aproveitar a nossa fantástica gastronomia, quanto antes, pois nunca se sabe se daqui a um mês não vamos ter necessidade de tomar comprimidos de iodo. E não estou a ser pessimista, palavra! Olhem, por exemplo, este fim de semana vou comer um arrozinho de marisco à Ericeira. Vai custar uma nota, mas que se lixe! Vão-se os anéis, ficam os dedos...

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Ó TIO, Ó TIO!

por João Brito, em 01.02.22

«Ó tio, ó tio! O tio sabe que, hoje em dia, há um novo meio de comunicação?»
«Ah, sim, meu insigne sobrinho? Então, diga lá!»
«Ó tio, vá lá, estou a falar a sério! Foi descoberto um novo meio de comunicação, palavra!»
«Está bem... e que meio vem a ser esse que lhe suscita tanto entusiasmo?»
«Ó tio, o que lhe sei dizer é que são umas vias tão rápidas que a gente nem sabe aonde vai parar, pois acontece tudo num ápice!»
«Aonde vai você com tanta velocidade, menino?! Troque-me lá isso em miúdos!... Num ápice?!... Acho que estamos a ir depressa demais...»
«Pois estamos, tio, mas isso é porque as vias são bestialmente rápidas, como lhe disse!»
«Você não estará a fazer confusão com aquela coisa da física quântica que teletransportava o Capitão James Kirk e o Senhor Spock para a outra banda enquanto o diabo esfregava um olho?»
«Talvez tenha razão; parece que essas coisas mandam, efectivamente, as pessoas à outra banda, como o tio diz...»
«Mas isso tornou-se banal, meu caro sobrinho! Não esqueça de que estamos a falar de um meio de comunicação do tipo, toda a gente manda para aqui e para ali indiscriminadamente!»
«Ó tio, fique descansado que eu vou investigar e depois conto-lhe como é que são elas!»
«Espere aí, meu rico menino. Agora fiquei cheio de curiosidade. Pode-se saber, ao menos, o nome desse novo meio de comunicação?»
«Ó tio, por via de regra, são vias de facto!»
«Ó tio, ó tio!»
«Diga lá, agora, sobrinho!»
«O tio, sabia que o homem é uma criança?»
«Ah, ele é isso? Olha que menino!»
«Ó tio, ó tio!»
«Hã?»
«O tio sabia que o homem é um animal que come muito?»
«Ah, come?! Espere aí que eu já lhe dou o arroz!»

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VOLTA RUIZINHO!

por João Brito, em 26.01.22

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Volta, Ruizinho, meu querido filho! Esta casa é um deserto desaprazível e inóspito desde que desertaste!
A mãezinha e o paizinho já compraram um "Smart TV LED 4K ultra HD" para substituir aquele Schaub Lorenz (passe a publicidade), a preto e branco, que quebraste com um "Tobi Mae Gueri" (pontapé frontal voador). Foi um favor que nos fizeste, meu filho! A gente até nem tinha coragem de o fazer, tal era a afeição que tínhamos pelo aparelho.
O paizinho mandou reconstruir a mesa, que lhe custou os olhos da cara, que partiste ao meio com uma "Hiji Otoshi - Uti" (cotovelada de cima para baixo).
A mãezinha fartou-se de chatear a molécula ao paizinho, dizendo-lhe que, pelo preço que o paizinho pagou pelo conserto, podia ter comprado duas mesas de pinho no IKEA (passe a publicidade) e é verdade, meu filho! Porém, o paizinho teima em fazer as coisas à sua maneira e é deixá-lo; albarda-se o burro à vontade do dono.
A avozinha gastou o dinheirinho todo da reforma deste mês e mais uns tostõezinhos que tinha posto de parte para substituir a prótese dentária que partiste, impensadamente, com um "Mae Keague" (pontapé elevado perna dura).
Os vidros da porta de entrada do prédio que estilhaçaste com um "Soto Mawashi" (Pontapé de fora para dentro) também foram substituídos.
O avôzinho abriu os cordões à bolsa e disse à mãezinha para comprar um frigorífico novo para substituir aquele que amolgaste com um "Seiken Guedan Zuki" (soco baixo).
Volta, Ruizinho!
O vizinho do rés-do-chão esquerdo garante, a pés juntos, que já não se lembra quem foi que lhe meteu uma porta do carro adentro com um " Kaiten - Soto Mawashi" (pontapé giratório de fora para dentro).
A gata da vizinha do segundo direito está a recuperar muito bem depois do "Kansetsu Gueri" (pontapé lateral baixo) que lhe deste inadvertidamente. Nós sublinhámos que foi sem intenção e até acrescentámos que descontas para a Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais (LPDA).
Mas tudo isso já passou, Ruizinho! Agora, estás prestes a deixar o Centro de Reabilitação e o tempo tudo cura; e nós estamos desertos para te ver, meu rico filho!
Volta, Ruizinho!
Aguas passadas não movem moinhos e o que lá vai, lá vai, Ruizinho!
Esperamos por ti com ansiedade e expectativa, desejosos que regresses!
Vais ser bem recebido, meu filho; aliás, como mereces!
Demais a mais, a mãezinha e o paizinho já compraram pistolas de vários calibres e têm praticado tiro ao alvo com regularidade.
O paizinho garante que te mete uma bala no meio da testa, antes que tenhas ocasião para exclamar "ai, minha rica mãezinha!". E, mesmo que ainda tenhas tempo de esboçar algum tipo de arrependimento, a mãezinha jura a pés juntos que faz orelhas moucas, meu querido filhinho!
Volta, Ruizinho, volta!

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VINGANÇA NO WC

por João Brito, em 21.01.22

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A traição conjugal levou-me, de degrau em degrau, nada mais nada menos do que trinta e nove degraus, até este triste estado de desditosa solidão em que me encontro.
No entanto, já fui muito feliz. Oh, se fui! Amava-a com todo o meu ser, alma inclusive! Pensava que tal sentimento era mútuo. Porém, "Erros meus, má fortuna, amor ardente" e o dela ausente...
A verdade, nua e crua (soava melhor, a verdade escondida ou, até, a verdade da mentira, mas que se lixe), "além de indecente, é dura de roer", como dizia alguém, não sei quem...
Nos primeiros sete anos de relacionamento amoroso, íamos sempre para a praia na última semana de Novembro porque o dinheiro não abundava. Ademais, sendo desempregado militante desde a primeira hora, era só ela a ganhar para os dois, pelo que tinha de usar muita parcimónia para equilibrar a coisa. Contudo, a pobre não se importava, coitadinha! Pelo menos aparentemente, pois nunca lhe vislumbrei um queixume; uma exigência; uma nota de desagrado ou um trejeito de enfado. Isto, não obstante ela ser muito trejeitosa, tenho de reconhecer. Depois, tínhamos amor e a cabana dela e eu pensava que eram factores suficientes para alimentar a chama da paixão!
Sei que "amor e uma cabana" (expressão queirosiana) é uma ideia banal do amor romântico, mas, e daí? Eu acreditava piamente nela (na ideia), prontos (abomino a palavra "prontos"), q'é que querem?
O idílio durou até ao dia em que vi a adúltera nos braços do Ilídio. É verdade, afinal havia outro, um gajo chamado Ilídio, um empata idílios do caraças. Foi num dia infeliz em que cheguei mais cedo a casa. Talvez, o dia mais lixado da minha vida, a seguir à morte do meu estimado cágado, Acácio.
Desorientado e com uma raiva mal contida, abandonei-a nesse mesmo dia (a casa) e aluguei um quarto na Buraca.
Embriagado no cálice da dor ("cálice da dor", xi, valha-me Deus!), passei amargurados dias e noites a fio, a imaginá-los no bem bom. Ele, um Dom Juan DeMarco de Canaveses, instalado na casa dela; a deitar-se na cama dela; a ver o CMTV (passe a publicidade) no LCD dela; a sentar o cu usurpador na sanita dela; a comer à tripa-forra, à borla e se mais houvesse. Que raiva!
Mas, prontos (olha, saiu-me!), o que lá vai lá vai e, graças a Deus, consegui um novo emprego. Fui despedido do anterior porque, com as espertinas constantes, só conseguia adormecer quando o sol se levantava. Deste modo, pegava sempre muito tarde ao trabalho. Mais a mais o patrão nem ia à bola comigo, apesar de sermos adeptos do mesmo clube.
Agora, confesso que estou porreiro; trabalho nas instalações sanitárias de uma superfície comercial e ninguém me chateia, a não ser o cheiro fétido a urina que, às vezes, tenho de gramar. É a mania dos urinóis ecológicos sem água, é o que é! Mas, avancemos porque o melhor está para vir e estou em pulgas para contar.
Ele, há coisas que não posso deixar passar em branco, apesar de não ser vingativo; nem pouco mais ou menos!
Ilídio, o intruso, frequenta regularmente o centro comercial onde trabalho e, naturalmente, costuma verter águas. Só que o faz com exagerada frequência e, cada vez que o faz, demora cerca de meia hora a despejar a bexiga. Sei, por portas e travessas, que tem uma próstata do tamanho de um melão de Almeirim. Além disso, e não é pouco, é surdo como uma porta, factor que joga a favor do meu intento.
Mas o que mais interessa para o bom desfecho desta estória, que é, afinal, a consumação do meu plano, é que nos cruzámos poucas vezes e, entretanto, mudei radicalmente a minha aparência, ainda que o gajo seja um cegueta do camandro.
Por precaução pintei o cabelo de louro e rapei aquela barba que me dava um ar de jihadista islâmico português (?!). Penso que são artifícios suficientes para fortalecerem o meu propósito.
Ora, tenho andado cá a congeminar sobre a melhor forma de o concretizar.
No fundo, trata-se de um caso elementar de justiça e de uma maneira exemplar de castigar a infiel criatura pela violação do sagrado dever recíproco de fidelidade.
Ora, um dia destes comprei três metros de fio eléctrico e instalei-o, discretamente, dentro do autoclismo, ligado ao botão de descarga. Todavia, pensei três vezes e concluí que podia falhar o objectivo se, no momento, houvesse falta de corrente eléctrica. Além disso, acontecendo tal imprevisto durante o acto da electrocussão, como é que eu ia justificar, perante a justiça, os olhos de carneiro mal morto do sacana do Ilídio? Podia ser a morte do artista, não acham? Como já conheço de ginjeira os hábitos dele, sei que mais tarde ou mais cedo, quando lhe der a vontade de mijar, será uma questão de muito menos do que os trinta minutos que leva a fazê-lo, isso é quase garantido! Vai ser o tempo necessário para o empurrar pela sanita abaixo e descarregar o dito reservatório. Querem vingança mais perfeita?
Por muito contraditório que vos pareça, mesmo não sendo de vinganças, quem mas faz paga-mas!
Assim, Deus me ajude a materializar a ideia. 

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SINDICATO DOS POLÍTICOS

por João Brito, em 16.01.22

sindicato dos políticos.jpg

O Governo da República está a estudar a hipótese, nunca vista e tampouco imaginada, de se constituir, a médio prazo, uma grande central sindical que englobe, pelo menos, três sindicatos representativos da classe política: um frontal, outro occipital e um terceiro parietal. Este último em plano inclinado para os políticos irem de carrinho.
Pensa-se que será o primeiro país da UE a debater o assunto com muita rectidão, honradez e de forma aberta, sem estigmas nem labéus.
Muito antes deste debate que, não sendo quinzenal, é de primordial importância para a vida nacional – sublinhe-se – , teria havido uma iniciativa, aprovada pela generalidade dos deputados da AR, no sentido de se recolherem assinaturas e serem criadas as condições necessárias para se formar uma associação sócio-profissional com várias tendências partidárias: a primeira para a partida, a segunda para a largada e uma terceira para a fugida. Porém, um louro (vulgo papagaio) do governo sublinha que, por enquanto, ainda está tudo em águas paradas de bacalhau demolhado.
Todavia, dada a natureza do tema, ainda que por enquanto não passe de uma intenção, torna-se evidente a sua complexidade se forem revelados outros pontos em discussão. Assim, há quem defenda a regionalização, distribuindo-se, desse modo, os políticos pelo Norte, pelo Centro, pelo Sul e, naturalmente, pelas regiões autónomas.
Há, também, quem defenda acerrimamente o centralismo, advogando que fique tudo como dantes, "quartel-general em Abrantes" ou seja: Todos os políticos inscritos permanecem no Pequeno-Ocidente-Lusitano, com direito a levarem os jornais A Bola, o Record, O Jogo e o Correio da Manhã para a AR. 
Há, ainda e finalmente, quem defenda com unhas e dentes uma organização com pendor mais marcial, tipo Esquerda-Direita-Opus-Dois, porém, mais pragmática e, naturalmente, mais musculada. É claro que terá de ser um organismo com os pés bem assentes no chão, com batimentos fortes e cadenciados, e de preferência em formação de ordem unida.
Contudo, outras tendências minoritárias lideradas, sobretudo, por independentes de todos os quadrantes ideológicos: partidos ou movimentos políticos, grupos religiosos e até outras vocações inconfessáveis (seria chato confessá-las aqui, como devem calcular), defendem que os políticos profissionais não são trabalhadores por conta própria, nem por conta de outrem, devendo por isso associar-se em cooperativas de produção e comércio de azeite, dado que, de uma maneira geral, são uns grandes azeiteiros!
Um dos pontos com mais enfoque ("enfoque" fica mesmo bem aqui, q'é q'acham?) nas discussões já tidas e havidas – passe a redundância – , centra-se na garantia de, para além do direito ao direito, os políticos passarem a ter direito aos discurso directo, indirecto, indirecto livre, de direito e redondo. Este último, só para não se tornar chato. Ademais, reivindicam menos horas de trabalho de terça a quinta e o direito a coçarem os tomates (somente) nos intervalos das sessões parlamentares. É claro que, neste particular, as mulheres podem reclamar discriminação, podendo, para o efeito, apresentar um requerimento estatutário de igualdade. No entanto tratar-se-á, apenas, de uma formalidade.
Os mentores desta iniciativa corporativista, José Onófrio Pires do Ó e Tolentino Sá de Miranda e Vasconcelos, que preferiram manter o anonimato, deputados pelos PDMC (Partido Democrático na MÓ de Cima), no governo, e PDMB (Partido Democrático na MÓ de Baixo), na oposição, respectivamente, alegam que esta tomada de posição é um "anseio de todos os políticos democratas e, sobretudo, um imperativo nacional, a bem da Nação e dos portugueses!"
A ver vamos, depois do dia 30, se esta tão nobre e justa pretensão tem pernas para andar. Estou convencido de que sim, pois é anseio transversal a todos; da extrema-direita à extrema-esquerda, passando pelo centro onde está a virtude.

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